Anatomia de uma Queda
Uma queda na neve disseca um casamento: resumo completo da história de Anatomia de uma Queda, de Justine Triet, com as provas-chave e o veredito final de absolvição.
Título
Anatomia de uma Queda
Anatomie d'une chute
Ano / Duração
2023 · 151 minutos
Gênero
Drama / Família / Mistério
Direção
Justine Triet
Roteiro
Justine Triet / Arthur Harari
Avaliação
Elenco
Sandra Hüller, Swann Arlaud, Milo Machado-Graner, Antoine Reinartz, Samuel Theis
Prêmios
Palma de Ouro no 76º Festival de Cannes / Melhor Roteiro Original no 96º Oscar / Melhor Filme no 49º César
Anatomia de uma Queda é um drama de tribunal em francês dirigido pela cineasta francesa Justine Triet, com roteiro escrito em parceria com Arthur Harari. O filme estreou no Festival de Cannes em maio de 2023, onde ganhou a Palma de Ouro, e chegou aos cinemas da China continental em março de 2024, com 151 minutos de duração. A história se passa em um chalé isolado nos Alpes franceses: um homem cai da casa e morre, a esposa é acusada de assassinato, e o filho do casal, com deficiência visual, se torna a testemunha-chave.
A protagonista Sandra Hüller é uma atriz alemã que, no mesmo ano, também estrelou A Zona de Interesse, de Jonathan Glazer, vencedor do Oscar. Swann Arlaud interpreta o advogado Vincent, Milo Machado-Graner faz o filho Daniel, e Samuel Theis interpreta Samuel, o morto. A border collie Messi (que faz Snoop no filme) ganhou, graças a este longa, a Palm Dog de Cannes.
O filme tem 7,6 no IMDb. Além da Palma de Ouro, levou o Oscar de Melhor Roteiro Original na 96ª edição e teve mais quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Montagem. Também conquistou seis prêmios no 49º César: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Atriz, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Montagem.
A entrevista nos Alpes
Em 2018, a escritora Sandra Voyter mora com o marido Samuel Maleski e o filho de 11 anos, Daniel, que tem deficiência visual, em um chalé isolado na montanha perto de Grenoble. Samuel também quer escrever, mas nunca conseguiu terminar o próprio romance.
A história começa quando uma estudante chega à casa para entrevistar Sandra sobre sua obra. Pouco depois do início da conversa, um barulho instrumental enorme vem do sótão do terceiro andar: Samuel, no andar de cima, toca em loop uma versão adaptada de “P.I.M.P.”, de 50 Cent, em um volume tão alto que impede a continuação da conversa. Sandra é obrigada a encerrar a entrevista mais cedo e a dispensar a estudante.

O corpo na neve
Depois da entrevista, Daniel sai para passear com Snoop, o border collie da família. Quando volta para perto do chalé, encontra o pai, Samuel, caído na neve, já morto. Pela posição do corpo, ele parece ter caído de uma das janelas do andar de cima, batendo em um pequeno galpão antes de chegar ao chão.
Sandra chama a polícia, e os policiais chegam com o legista. Ela insiste que foi um acidente. Mas o caso muda rápido: o corpo tem um ferimento na cabeça que evidentemente foi causado antes da queda, e a polícia conclui que não se trata de uma simples queda, e sim de um possível homicídio.
Vincent e a acusação
Sandra procura Vincent Renzi, um velho amigo seu que é advogado. Vincent sugere montar a defesa em torno da hipótese de suicídio: ele lembra a Sandra o episódio anterior em que Samuel, depois de parar de tomar antidepressivos, engoliu uma grande quantidade de aspirinas em uma tentativa de suicídio.
Durante a investigação, as provas contra Sandra se acumulam: o relato de Daniel sobre aquele dia tem contradições, Samuel já tinha um ferimento antes de cair e, mais importante ainda, havia gravado com um gravador uma briga violenta com Sandra um dia antes de morrer. Sandra acaba acusada de homicídio, mas responde em liberdade sob fiança, à espera do julgamento.

Duas versões no tribunal
Um ano depois, o julgamento começa. O tribunal é uma sala solene e antiga, com uma grande pintura alegórica da justiça na parede.
A defesa sustenta que Samuel caiu da janela do sótão do terceiro andar, bateu no telhado do galpão e chegou ao chão, e que o ferimento na cabeça foi causado durante a queda. A acusação sustenta que Sandra primeiro golpeou a cabeça de Samuel com um objeto contundente e depois o empurrou da varanda do segundo andar. A acusação chega a exibir na sala uma animação em três dimensões que mostra o golpe e o empurrão segundo a sua versão.

Defesa e acusação discutem várias vezes a trajetória da queda, a forma do ferimento e a distribuição das manchas de sangue no chão. Durante o depoimento do psiquiatra de Samuel, Sandra é obrigada a admitir que sempre guardou ressentimento do marido pela responsabilidade dele no acidente que, anos antes, deixou Daniel com deficiência visual.
A gravação
O tribunal ouve a gravação da briga que Samuel fez um dia antes de morrer. Nela, Samuel acusa Sandra de plagiar suas ideias, de ser infiel e de controlar por completo a vida dos dois. Ele reclama que não consegue escrever o romance porque assumiu a maior parte das tarefas da casa e do cuidado com o filho, enquanto Sandra dedica a maior parte de sua energia à escrita. Depois, a gravação registra sons de luta física.
A acusação sustenta que toda a violência da gravação vem de Sandra. Ela rebate: de fato deu um tapa em Samuel, mas as outras pancadas que se ouvem foram causadas pelo próprio Samuel, que se machucou num momento de descontrole emocional.
Em um interrogatório posterior, Sandra admite que no passado teve um relacionamento com outra mulher. A partir daí, a acusação propõe outro possível motivo: Samuel teria enchido a casa de música altíssima no dia da entrevista por ciúme de uma possível proximidade entre Sandra e a estudante, o que teria provocado o confronto fatal.

O romance e a realidade
A acusação então volta a atenção para o próprio romance de Sandra. O promotor aponta que ela tem o hábito de colocar seus conflitos pessoais na obra e que, em um de seus romances mais recentes, um personagem pensa em como assassinar o parceiro, com um desenrolar surpreendentemente parecido com as suspeitas deste caso.
Sandra se opõe com firmeza a essa leitura: para ela, uma gravação editada e os pensamentos de um personagem de ficção não bastam para provar que tinha intenção de matar na vida real. O que pensa um personagem literário não equivale às intenções de quem o escreveu.
O experimento de Daniel
Antes das alegações finais, Daniel insiste em depor mais uma vez. Por ser filho dos envolvidos e menor de idade, o tribunal estabelece um esquema rigoroso de proteção para ele e designa uma tutora judicial, Marge Berger, para acompanhá-lo o tempo todo. Daniel também pede que a mãe saia de casa no fim de semana, enquanto organiza suas ideias.

Sozinho em casa, Daniel lembra várias vezes do episódio anterior em que o pai tentou se suicidar com uma overdose de aspirina: Snoop lambeu o vômito do pai e teve uma intoxicação grave. Para verificar se o depoimento da mãe sobre o estado mental do pai se sustenta, Daniel decide fazer o próprio experimento: mistura aspirina na comida de Snoop. Os sintomas do cão coincidem em grande parte com o que ele lembra daquela overdose, e Snoop quase morre em seus braços.
O final
No dia seguinte, Daniel comparece ao tribunal como a última testemunha. Com calma, diz aos jurados que consegue imaginar o pai caminhando para o suicídio, mas não consegue imaginar a mãe o matando. Ele conta ao tribunal que, pouco antes da morte, no caminho em que acompanhou o pai levando Snoop ao veterinário, Samuel falou da necessidade de estar preparado para a partida de quem se ama e de que a vida de Daniel continuaria mesmo sem ele. Agora Daniel interpreta essa conversa como o pai se preparando para o suicídio.
Os jurados finalmente declaram Sandra inocente. Naquela noite, Sandra janta com Vincent e alguns amigos. Já de madrugada, ela volta ao chalé onde ocorreu a queda, e Daniel a espera em casa. No reencontro, Daniel admite que na verdade tinha medo deste momento, e Sandra diz que ela também. Na sala, ela para por muito tempo diante de uma foto de Samuel, sem se mexer, e depois volta ao quarto, deixa Snoop subir na cama e dorme ao lado dele.