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A Filha Perdida

Férias numa praia grega despertam lembranças reprimidas da maternidade: o enredo completo de A Filha Perdida, com a menina desaparecida, a boneca escondida, os três anos em que Leda ficou longe das filhas e o final à beira-mar

Título

A Filha Perdida

The Lost Daughter

Ano / Duração

2021 · 121 minutos

Gênero

Drama

Direção

Maggie Gyllenhaal

Roteiro

Maggie Gyllenhaal

Avaliação

Elenco

Olivia Colman (como Leda), Jessie Buckley (como a jovem Leda), Dakota Johnson (como Nina), Ed Harris (como Lyle), Peter Sarsgaard (como o professor Hardy), Paul Mescal (como Will)

Obra original

La figlia oscura, romance de Elena Ferrante

Prêmios

78º Festival de Veneza: Melhor Roteiro; Oscar 2022: três indicações, a Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado

A Filha Perdida
Uma mulher de blusa branca e óculos escuros sentada ao lado de uma cadeira de praia Numa água rasa, uma mulher carrega uma menina pequena Uma mulher de óculos escuros e blusa colorida em pé na praia Duas mulheres em pé entre as espreguiçadeiras da praia Uma mulher de cabelo curto segura uma boneca num quarto iluminado Uma mulher se inclina para abraçar duas menininhas vestidas em cores claras
Aviso de spoilers: O texto a seguir conta a história inteira, as reviravoltas e o final. Você pode pular pelos capítulos até a parte que quer relembrar.

A Filha Perdida é a estreia de Maggie Gyllenhaal como roteirista e diretora de longas-metragens, e adapta o romance de Elena Ferrante publicado em 2006. Olivia Colman e Jessie Buckley interpretam Leda na maturidade e na juventude, e Dakota Johnson, Ed Harris, Peter Sarsgaard e Paul Mescal completam o elenco. O filme estreou em 3 de setembro de 2021 no Festival de Veneza e, em dezembro do mesmo ano, chegou aos cinemas dos Estados Unidos em lançamento limitado e à Netflix; a duração é de 121 minutos.

Até 31 de agosto de 2026, o filme tem nota 6,7 no IMDb, com cerca de 83 mil votos; no Rotten Tomatoes, a aprovação da crítica profissional é de 94% e a do público, de 56%. A avaliação da crítica é bem mais alta que a do público, o que indica que os críticos concordam em elogiar as atuações e a direção, enquanto os espectadores comuns reagem de forma mais dividida a uma narrativa contida e cheia de silêncios. Gyllenhaal ganhou com este filme o prêmio de Melhor Roteiro no 78º Festival de Veneza, e a obra recebeu ainda três indicações ao Oscar 2022: Melhor Atriz, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado.

Férias à beira-mar e uma desconhecida com a filha

O filme abre com Leda dirigindo à noite: ela bate no guard-rail, caminha até o mar e desaba, mas por ora não se explica o que causou o acidente. A história volta então alguns dias no tempo: Leda é professora de literatura e tradutora numa universidade dos Estados Unidos, e viaja sozinha de férias para uma ilha grega, levando livros para continuar trabalhando. Lyle, o zelador do apartamento, carrega a bagagem e mostra o lugar; o feixe de luz de um farol distante varre o quarto sem parar, e Leda cobre a cabeça com o travesseiro para dormir e depois fecha as cortinas.

Uma mulher de blusa branca e óculos escuros sentada ao lado de uma cadeira de praia

No começo, a praia está quase sem turistas, e Will, um garçom jovem, arrasta a espreguiçadeira de Leda para a sombra do guarda-sol. Logo depois, uma família grande e barulhenta toma conta da areia. Leda repara em Nina, uma mãe jovem do grupo, e em Elena, sua filha de três anos: as duas brincam à beira da água, e a menina não larga uma boneca velha. A cena das duas tão próximas faz Leda se lembrar, o tempo todo, de suas próprias filhas, Bianca e Martha.

Numa água rasa, uma mulher carrega uma menina pequena

A recusa em trocar de lugar e o desaparecimento da menina

Callie, a cunhada de Nina, está grávida e pede a Leda que ceda o lugar para que toda a família se sente junta. Leda recusa sem rodeios, e os parentes ao redor logo mostram hostilidade; Toni, o marido de Nina, intervém e encerra a discussão. Passado o conflito, Callie pede desculpas a Leda. O contato direto entre Leda e Nina, por sua vez, aumenta depois do desaparecimento de Elena; Leda também percebe que Nina, mesmo cercada pela família inteira, parece muitas vezes cansada e tensa.

Uma mulher de óculos escuros e blusa colorida em pé na praia

Um dia, Elena desaparece de repente. Nina, em pânico, reúne a família para procurá-la, e Leda se junta à busca: ela encontra a menina brincando sozinha num canto escondido perto do bosque. Leda a leva de volta para Nina, e todos concentram a atenção no reencontro entre mãe e filha; nesse momento, Leda pega discretamente a boneca que ficou na areia e a guarda na bolsa. Elena logo percebe que a boneca sumiu, e a busca que tinha acabado com o reaparecimento da menina se transforma na busca pelo brinquedo.

Duas mulheres em pé entre as espreguiçadeiras da praia

A boneca escondida

Leda leva a boneca para o apartamento e não a devolve. Ela a lava, a enxuga e arruma sua roupa várias vezes, e depois a esconde no armário ou ao lado do travesseiro. Enquanto isso, Elena não para de chorar pela perda, Nina e a família colam cartazes oferecendo recompensa, e os funcionários da praia também procuram por toda parte. Leda vê com os próprios olhos todas essas consequências e, mesmo assim, continua calada.

Uma mulher de cabelo curto segura uma boneca num quarto iluminado

A boneca desperta mais lembranças. Quando jovem, Leda deu à filha uma boneca velha de que gostava muito, e a menina a encheu de rabiscos; furiosa, Leda a quebra e a joga pela janela. Agora, ela tira da boneca de Elena a água do mar e a areia que ficaram lá dentro e, mais tarde, puxa da boca da boneca um verme comprido. O filme passa várias vezes dos gestos de Leda limpando e escondendo a boneca para as lembranças dela cuidando das filhas na juventude.

A maternidade da jovem Leda e a oportunidade acadêmica

No passado, Leda cuida de Bianca e Martha, ainda pequenas, enquanto tenta levar adiante o trabalho acadêmico. As duas meninas a chamam sem parar e disputam sua atenção enquanto ela escreve; Joe, o marido, também está ocupado com a própria carreira, e o peso da casa e dos cuidados nunca chega a ser dividido de forma estável. Às vezes Leda acalma as meninas com paciência; outras vezes explode por ter o trabalho interrompido e, tomada pela culpa, volta a se aproximar delas.

Uma mulher se inclina para abraçar duas menininhas vestidas em cores claras

Um congresso acadêmico lhe dá a chance de sair do ambiente familiar. Durante o encontro, o professor Hardy, um pesquisador renomado, cita e elogia a pesquisa de Leda em sua palestra, e ela recebe pela primeira vez um reconhecimento profissional forte diante dos colegas. Pouco depois, os dois começam um relacionamento. Ao voltar para casa, Leda diz a Joe que vai embora; ele pede que ela fique e explica que não consegue cuidar sozinho das meninas, mas ela não muda de decisão. Ela deixa as duas filhas com Joe e com a própria mãe e, nos três anos seguintes, não volta a morar com elas.

Um homem de barba sentado no palco levanta uma das mãos

Lyle, Will e o segredo de Nina

De volta à ilha no presente, Lyle convida Leda para almoçar e vê no apartamento dela a boneca desaparecida. Ele reconhece o objeto, mas não conta à família de Nina. Leda também não dá nenhuma explicação e simplesmente continua com a boneca. Mais tarde, os dois dançam numa festa à beira-mar, mas, quando aparecem alguns membros da família de Toni, Lyle interrompe a dança e diz a Leda que volte para o apartamento.

Um homem de cabelo branco sorri num ambiente interno

Leda descobre ainda que Nina e Will se encontram escondidos no bosque. Nina admite que tem um caso extraconjugal com Will e conta ao mesmo tempo que Toni é muito controlador e que ela não ousa deixar o marido descobrir. Depois, Will pergunta a Leda, em nome de Nina, se eles podem usar o apartamento dela para se encontrar. Leda não entrega a chave de imediato: pede para conversar antes com Nina.

Uma mulher sentada num muro de pedra à beira do bosque, com um homem em pé diante dela e outra pessoa entrando parcialmente no quadro pela esquerda

A confissão dos três anos longe das filhas

Leda encontra Nina de novo na feira, compra para ela um grampo comprido de cabelo e com ele prende o chapéu de palha, que o vento leva com facilidade. Nina fala do cansaço de cuidar de Elena e também pergunta o que aconteceu com Leda naquela época. Leda conta a verdade: ficou três anos longe das duas filhas; aquela vida sem o peso dos cuidados diários lhe pareceu leve, e só voltou para elas quando sentiu falta delas de verdade.

Duas menininhas de vestidos brancos em pé num quarto

Em seguida, o filme completa a cena daquela partida. A jovem Leda volta um instante para casa e leva vestidos para as filhas, mas diz que não vai ficar para o jantar e que tem de pegar um avião. As duas meninas pedem que ela descasque uma laranja como antes, numa única tira longa e inteira. Leda faz isso, se levanta e vai embora, e as duas meninas ficam em casa.

Uma mulher de cabelo curto, ao ar livre, com os olhos marejados

A devolução da boneca e a ferida do grampo

Quando Nina chega ao apartamento para buscar a chave, ela pergunta de novo a Leda se o cansaço e a depressão que a esmagam chegam a desaparecer algum dia. Leda responde que, ao sair de casa, sentiu muitas coisas diferentes e que voltou porque sentia falta das filhas; também reconhece que sua escolha foi muito egoísta. Justo quando Nina vai pegar a chave, Leda traz a boneca e admite que foi ela quem a levou, sem conseguir dar um motivo claro.

Uma mulher de cabelo comprido e blusa branca sentada ao lado de uma janela iluminada

Nina entende que todo o sofrimento da filha naqueles dias vem do que Leda escondeu e agarra a boneca com fúria. Ela desiste de pedir o apartamento emprestado e, antes de sair, crava em Leda, abaixo das costelas, o grampo que a própria Leda lhe deu, depois o puxa e o joga no chão. Nina vai embora com a boneca e deixa o chapéu e a chave sobre a mesa. Leda fica sentada sozinha até anoitecer; depois faz as malas e decide encerrar as férias mais cedo.

O final

Leda não cuida da ferida, que continua sangrando, e sai dirigindo sozinha à noite. A dor e a perda de sangue fazem com que ela bata no guard-rail da estrada à beira-mar; ela desce do carro, caminha até a beira da água e cai na areia. O filme chega assim ao acidente que tinha mostrado antecipadamente na abertura. Ao amanhecer, as ondas alcançam seu corpo e Leda abre os olhos de novo.

Uma mulher de blusa branca encosta o celular na orelha e segura uma laranja com a outra mão

O celular de Leda toca: é Bianca, e Martha está ao lado dela. As duas filhas estão preocupadas porque passaram dias sem conseguir falar com a mãe, e Leda diz que ainda está viva. Durante a ligação, o filme faz surgir uma laranja na mão de Leda, sem esclarecer se é um objeto real ou uma imagem subjetiva. Enquanto ouve as filhas, com os dedos sujos de sangue, ela descasca a laranja numa única tira longa e inteira e repete a “serpente” de casca que elas pediam quando pequenas; a imagem termina nesse momento em que mãe e filhas voltam a se falar.