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Hahaha

Duas viagens a Tongyeong se cruzam entre um copo e outro sem que ninguém perceba: um resumo completo das lembranças de verão contadas por Jo Moon-kyeong e Bang Joong-sik, e de como Seong-ok, Yeon-joo, Jeong-ho e Jeong-hwa acabam ligando as duas histórias

Título

Hahaha

하하하 / Hahaha

Ano / Duração

2010 · 115 minutos

Gênero

Drama / Comédia / Romance

Direção

Hong Sang-soo

Roteiro

Hong Sang-soo

Avaliação

Elenco

Kim Sang-kyung (como Jo Moon-kyeong), Yoo Joon-sang (como Bang Joong-sik), Moon So-ri (como Seong-ok), Ye Ji-won (como Yeon-joo), Kim Kang-woo (como Jeong-ho), Kim Gyu-ri (como Jeong-hwa), Youn Yuh-jung (como a mãe de Moon-kyeong)

Prêmios

63º Festival de Cannes: Prêmio Un Certain Regard

Hahaha
Duas mulheres e dois homens sentados em volta de uma mesa com garrafas de bebida e pratos, com o porto do outro lado da janela Um homem de cabelo curto sorri com um cigarro na mão Uma mulher de cabelo curto conversa com um homem vestido de laranja dos dois lados de uma mesa Uma mulher de cabelo curto, junto à porta de um prédio de madeira, olha para dentro Junto ao porto, uma mulher de cabelo curto com um guarda-chuva de cabo curvo está de pé diante de um homem vestido de branco Uma mulher de cabelo comprido conversa com um homem de óculos dos dois lados de uma mesa cheia de pratos e garrafas de bebida
Aviso de spoilers: O texto a seguir conta a história inteira, as reviravoltas e o final. Você pode pular pelos capítulos até a parte que quer relembrar.

Hahaha é uma comédia dramática sul-coreana escrita e dirigida por Hong Sang-soo, estrelada por Kim Sang-kyung, Yoo Joon-sang, Moon So-ri, Ye Ji-won, Kim Kang-woo, Kim Gyu-ri e Youn Yuh-jung. O filme estreou na Coreia do Sul em 6 de maio de 2010, tem 115 minutos de duração e ganhou o Prêmio Un Certain Regard do 63º Festival de Cannes.

Até a data de publicação deste texto, o filme tem nota 6,8 no IMDb, com cerca de 1.600 votos. As críticas publicadas costumam notar a estrutura do filme, que liga o encontro de bebedeira por meio de fotos fixas em preto e branco e faz as duas histórias avançarem de forma alternada com lembranças coloridas; diante dessa narrativa cheia de personagens e dominada pela conversa, as opiniões vão do humor leve ao ritmo arrastado.

O que vem a seguir contém a história completa e o final.

Um copo para cada lembrança de Tongyeong

Jo Moon-kyeong, um diretor de cinema que se prepara para deixar a Coreia e se mudar para o Canadá, marca de encontrar o crítico Bang Joong-sik perto do monte Cheonggyesan, em Seul. Enquanto bebem vinho de arroz, descobrem que os dois estiveram havia pouco em Tongyeong, a cidade litorânea, e combinam contar só a parte agradável da viagem e brindar toda vez que terminarem um trecho do relato. Nenhum dos dois sabe que as estadias em Tongyeong coincidiram no tempo, nem percebe que as mesmas pessoas reaparecem nas histórias.

Duas mulheres e dois homens sentados em volta de uma mesa com garrafas de bebida e pratos, com o porto do outro lado da janela

O filme alterna entre as fotos fixas em preto e branco do encontro de bebedeira na montanha e as lembranças coloridas de Tongyeong. Moon-kyeong conta a visita à mãe e o cortejo a Seong-ok, guia cultural; Joong-sik conta a própria viagem com Yeon-joo e a relação indecisa entre o poeta Jeong-ho e Jeong-hwa. Os dois narram em turnos, e assim o público vai vendo aos poucos como essas lembranças se encaixam.

Um homem de cabelo curto sorri com um cigarro na mão

Moon-kyeong volta ao restaurante de baiacu da mãe

Moon-kyeong passou anos sem voltar a Tongyeong e, desta vez, antes de sair do país, se instala no restaurante de baiacu que a mãe administra. Ele leva de presente um boné laranja, mas ela acha o boné jovem demais e depois o passa para Jeong-ho, um cliente habitual do local. Moon-kyeong não sabe que Jeong-ho é justamente o amigo de Joong-sik, nem que a mãe já conhece bem Seong-ok, Jeong-ho e Jeong-hwa, que ajuda no restaurante.

Uma mulher de cabelo curto conversa com um homem vestido de laranja dos dois lados de uma mesa

Um amigo da mãe leva Moon-kyeong para conhecer o museu de história local e os monumentos antigos de Tongyeong. Ali são apresentados os artistas da cidade e o general Yi Sun-sin, e logo depois Moon-kyeong encontra Seong-ok, a responsável pelas explicações. Ela sustenta que conhecer a história ajuda o visitante a enxergar mais coisas, mas ele a contraria na cara dela, e essa primeira conversa não é nada cordial.

As visitas guiadas, o sonho e Seong-ok

Seong-ok guia grupos pelos prédios antigos e pela região do porto. Moon-kyeong começa a prestar atenção nos movimentos dela e chega a segui-la por um trecho num dia de chuva. Quando ela percebe, diz com clareza que essa conduta a deixa desconfortável; ele admite que não tem um trabalho estável, que ainda não filmou nenhum filme e que quase não tem economias, mas continua procurando ocasiões para vê-la.

Uma mulher de cabelo curto, junto à porta de um prédio de madeira, olha para dentro

Moon-kyeong sonha com o general Yi Sun-sin, que no sonho pede que ele acredite no que vê com os próprios olhos e não se limite a repetir os nomes que os outros dão às coisas, e lembra que ele deve reparar no lado bom das pessoas e das coisas. Ao acordar, Moon-kyeong guarda com firmeza apenas a ideia de “ver o lado bom”, começa a escrever poemas e entrega a Seong-ok os que acabou de escrever. Ele também leva esse discurso para as conversas com ela.

Junto ao porto, uma mulher de cabelo curto com um guarda-chuva de cabo curvo está de pé diante de um homem vestido de branco

A viagem secreta de Joong-sik e Yeon-joo

Joong-sik é casado e tem filhos, mas há meio ano está com Yeon-joo, comissária de bordo. Ele aproveita as férias dela para levá-la a Tongyeong e, enquanto a enche de elogios, foge da pergunta sobre deixar ou não a família que já tem. Joong-sik também está em tratamento contra a depressão e leva os remédios consigo; os dois ainda discutem pelas noites em que ele chega tarde, pela bebida e por ele deixar ou não a esposa e os filhos.

Uma mulher de cabelo comprido conversa com um homem de óculos dos dois lados de uma mesa cheia de pratos e garrafas de bebida

Yeon-joo exige que ele reconheça a relação em público e não apenas declare seu amor em particular. Joong-sik continua em dúvida, mas fica cada vez mais claro para ele que deixar que ela carregue sozinha essa relação vai magoá-la. Depois de uma sessão de tratamento, ele tenta olhar a própria conduta a partir da situação de Yeon-joo e decide levá-la para conhecer um tio que ele admira.

Um homem de óculos e uma mulher de blusa azul sem mangas, sentados um de frente para o outro junto a uma janela com chuva

Jeong-ho hesita entre Seong-ok e Jeong-hwa

Em Tongyeong, Joong-sik se refugia na casa do amigo, o poeta Jeong-ho. Jeong-ho namora Seong-ok, a guia cultural, mas ao mesmo tempo se sente atraído por Jeong-hwa. Ela trabalha como secretária num estaleiro estrangeiro e também ajuda no restaurante da mãe de Moon-kyeong; está disposta a considerar a sério uma relação com Jeong-ho, mas ele nem quer se comprometer nem quer encerrar nenhum dos dois lados.

Um homem e uma mulher de cabelo comprido sentados a uma mesa com garrafas de bebida e pratos

Jeong-ho fez da poesia o centro da vida e explica seus sentimentos e suas decisões com fórmulas abstratas. Joong-sik o repreende por seus poemas estarem desligados da vida real, e Jeong-hwa o acusa de só dar presentes e falar de conceitos sem nunca se decidir. Com Seong-ok as brigas são igualmente constantes, e a relação entre os dois já está muito tensa.

Moon-kyeong insiste em se aproximar de Seong-ok

Moon-kyeong observa primeiro a casa de Seong-ok e os detalhes da vida que ela mesma lhe contou, e depois apresenta essa informação como se fosse o que ele entendeu dela. Ele fala do cachorrinho, das flores e do jeito dela de encarar o amor, e por um momento Seong-ok acredita que ele realmente a compreendeu. Ela também conta que foi casada por pouco tempo e que Jeong-ho, com quem sai agora, foi fuzileiro naval; Moon-kyeong, por sua vez, ressalta que serviu o exército como paraquedista.

Uma mulher de cabelo curto e um homem sentados um de frente para o outro numa mesa junto à janela, com o porto ao fundo

Moon-kyeong marca de encontrar Seong-ok na porta de um hotel e desperta as suspeitas dela sobre o que ele pretende. Ela vai embora furiosa, mas os dois voltam a se encontrar num café do porto. Ele continua cortejando-a e ela, enquanto aponta que ele não a conhece, vai aceitando aos poucos a proximidade. Mais tarde comem e bebem juntos, e a relação passa da sondagem para a intimidade.

Um homem conversa com uma mulher de cabelo curto dos dois lados de uma mesa cheia de garrafas de bebida e pratos

O pedido de casamento depois do que se descobre no hotel

Perto do hotel, Moon-kyeong vê Jeong-ho e Jeong-hwa entrarem juntos e passa a notícia a Seong-ok. Ela chega ao local, pede que Jeong-ho a carregue nas costas por um trecho e logo em seguida anuncia o fim da relação. Mais tarde ele pula bêbado o muro da casa dela, mas nem assim consegue convencê-la.

Já separada de Jeong-ho, Seong-ok volta a se encontrar com Moon-kyeong. Eles dormem juntos e ele logo a convida para ir com ele ao Canadá, onde poderiam se casar e viver. Ela não aceita na hora e só diz que vai pensar a sério. No dia seguinte, continua dizendo que está pensando, e Moon-kyeong toma essa resposta como sinal de que a relação pode continuar.

Uma mulher de cabelo curto e um homem de boné laranja sentados lado a lado num assento de cor clara

O almoço do dia seguinte e a briga na rua

No dia seguinte ao pedido, Joong-sik, Yeon-joo, Jeong-ho e Jeong-hwa falam de lealdade e de escolhas durante uma refeição em Tongyeong, e a conversa dos quatro volta a girar em torno da recusa de Jeong-ho em assumir as consequências de suas relações. Pouco depois, Moon-kyeong cruza de frente com o grupo. Jeong-ho o reconhece como o homem que anda atrás de Seong-ok, fecha o caminho dele em plena rua para que pare de se aproximar dela e os dois acabam se atracando a socos. Embora termine no chão, Moon-kyeong fica satisfeito por ter mantido a calma diante dos outros; Jeong-ho, por outro lado, não recupera Seong-ok por isso.

Numa rua à noite, um homem vestido de azul encara outro vestido de laranja enquanto algumas pessoas param ao redor

A despedida entre mãe e filho antes da partida

Antes de deixar Tongyeong, Moon-kyeong recebe da mãe uma quantia em dinheiro vivo. Mãe e filho choram pela despedida e ele promete que vai voltar. Depois leva Seong-ok ao restaurante da mãe, mas ela admite na porta que conhece há tempos o lugar e a mãe de Moon-kyeong, e prefere não entrar por enquanto. Quando chegam ao cais da balsa, Seong-ok pede que ele embarque primeiro, com a desculpa de que precisa resolver um assunto de trabalho. Moon-kyeong olha o mar, começa a se cansar dos planos de Canadá e de Seul, e também não sabe como essa relação pode continuar.

Um homem sozinho se apoia numa janela e olha o porto lá de cima

O final

No outro fio de lembranças, Joong-sik dá um passo mais claro. Ele leva Yeon-joo para conhecer o tio, admite diante dela que a ama e confessa também que já tem uma família. O tio não resolve o problema do casamento dele, mas Joong-sik deixa de esconder Yeon-joo. Com a ressaca nas costas, os dois saem de Tongyeong e compram passagens para Yeosu, onde passarão o resto das férias.

Um homem de óculos recostado numa almofada de cor clara, com uma mulher de blusa azul sem mangas que baixa a cabeça e aperta a mão dele

Jeong-ho fica em Tongyeong e se instala no apartamento vazio que a mãe de Moon-kyeong cede a ele. Num dia de chuva, Seong-ok liga para falar do boné que ele esqueceu na casa dela e propõe ir ver a nova moradia dele. Jeong-ho dá o endereço e, ao desligar, começa a rir; isso indica que os dois retomaram o contato, embora o filme não esclareça se depois continuam juntos.

As histórias de Moon-kyeong e de Joong-sik voltam no fim ao encontro de bebedeira do monte Cheonggyesan. Nenhum dos dois descobriu ainda que as lembranças deles compartilham Jeong-ho, Seong-ok, o restaurante da mãe de Moon-kyeong e um mesmo apartamento, e também não confrontam as contradições por trás dessas lembranças supostamente agradáveis. Joong-sik considera um ganho da viagem aquele momento de chuva em que ele e Yeon-joo confirmaram o amor um ao outro, e Moon-kyeong deseja boa sorte a Jeong-ho, que fica em Tongyeong. Depois de ouvir cada um a história do outro, os dois brindam de novo e encerram assim esse cruzamento de lembranças de que nenhum deles tomou conhecimento.