Viva: A Vida é uma Festa
Lembre de mim para que eu continue existindo: o enredo completo da animação da Pixar sobre o menino Miguel, que na noite do Dia dos Mortos atravessa para a Terra dos Mortos, descobre o segredo por trás da proibição da música que dura um século na família e revela quem é, de verdade, seu tataravô
Título
Viva: A Vida é uma Festa
Coco
Ano / Duração
2017 · 105 minutos
Gênero
Animação / Comédia / Música / Fantasia
Direção
Lee Unkrich, Adrian Molina
Roteiro
Adrian Molina / Matthew Aldrich / Lee Unkrich
Avaliação
Elenco
Anthony Gonzalez (voz), Gael García Bernal (voz), Benjamin Bratt (voz), Alanna Ubach (voz), Renée Victor (voz)
Prêmios
90º Oscar (2018): Melhor Animação e Melhor Canção Original ("Remember Me")
Na cidade mexicana de Santa Cecilia, Miguel, um menino de doze anos, vive em uma família peculiar: todos os parentes detestam música, e cantar ou tocar é proibido. A proibição vem da época da tataravó Imelda, cujo marido a abandonou com a filha Coco para correr atrás do sonho da música e nunca mais voltou.
Mas Miguel tem música no sangue. Em segredo, ele admira um cantor lendário: de la Cruz, ídolo nacional já falecido, que Miguel acredita ser seu tataravô desaparecido.

Na noite do Dia dos Mortos, o menino atravessa para a Terra dos Mortos
Chega o Dia dos Mortos, celebrado todos os anos. Pela tradição mexicana, nesse dia os antepassados falecidos podem voltar por pouco tempo ao mundo dos vivos, graças às fotos colocadas no altar, para rever a família. Miguel quer participar do concurso de música da cidade, mas a família é contra. Ele discute com a avó e, furioso, derruba o altar da casa.
Para provar que é descendente de de la Cruz, Miguel entra escondido no mausoléu do cantor e toca uma nota no violão venerado ali. Basta esse gesto para que ele seja levado à Terra dos Mortos.
Nesse mundo colorido, construído com pétalas luminosas de cempasúchil, Miguel encontra gerações de seus antepassados. Eles percebem que Miguel chegou ali de corpo e alma por engano. Pelas regras, ele precisa receber a bênção de um parente antes do amanhecer para voltar ao mundo dos vivos. Se não conseguir, ficará preso ali para sempre.
Mas há uma condição: os antepassados exigem que ele abandone a música. Miguel recusa, foge da família e segue sozinho pela Terra dos Mortos em busca de de la Cruz, na esperança de conseguir dele uma bênção “sem condições”.

Héctor: um esqueleto decadente prestes a ser esquecido
Na Terra dos Mortos, Miguel encontra um esqueleto azarado: Héctor. A vida dele ali é péssima, e seu maior desejo é pôr a foto no altar do mundo dos vivos para rever a filha na noite do Dia dos Mortos. Como a foto nunca foi colocada, ele não consegue atravessar a ponte de pétalas de volta.
Pior ainda: se nenhuma pessoa viva se lembra de você, você desaparece de vez da Terra dos Mortos, sem sequer chegar à segunda morte. Héctor sente que está sendo esquecido e que lhe resta pouco tempo.
Eles fazem um acordo: Héctor ajuda Miguel a chegar até de la Cruz, e Miguel, ao voltar ao mundo dos vivos, coloca a foto dele no altar.
Os dois seguem em frente e chegam à luxuosa mansão de de la Cruz. Ele recebe com entusiasmo Miguel, que se diz seu descendente, mas então Héctor irrompe na sala e acusa de la Cruz de ter roubado, anos antes, seu violão e suas canções.

A revelação: quem é o verdadeiro autor das canções
Com a discussão entre os dois, a verdade vai aparecendo.
Quando jovens, de la Cruz e Héctor eram parceiros e compuseram juntos as canções que tornaram de la Cruz imortal. Mas, durante a turnê, Héctor sente saudade da esposa e da filha e decide voltar para casa antes do fim. De la Cruz, incapaz de realizar sozinho o sonho da música, envenena a comida da despedida e mata Héctor. Depois, fica com o violão e com todas as canções e leva toda a fama para si.
Aos poucos, Miguel entende: de la Cruz não é seu tataravô. O verdadeiro é Héctor.
Héctor é o marido de Imelda e o pai de Coco. Ele não abandonou a família: no caminho de volta para casa, foi envenenado pelo amigo em quem mais confiava e por isso nunca conseguiu voltar. O ressentimento e o mal-entendido que a família guardou contra ele durante um século se baseavam inteiramente em uma mentira.
De la Cruz percebe que Miguel descobriu a verdade e joga os dois, Miguel e Héctor, em um poço profundo.
A canção “Remember Me” desperta uma lembrança adormecida
Com a ajuda dos antepassados, Miguel e Héctor escapam e se reúnem a Imelda. Os três chegam ao grande show que de la Cruz faz na noite do Dia dos Mortos e revelam ao público sua verdadeira face: ele próprio envenenou o verdadeiro autor das canções.

A multidão furiosa lança sobre de la Cruz um grande sino, que o esmaga, exatamente como em sua morte verdadeira. Mas, no meio da confusão, a foto de Héctor cai na água e é totalmente destruída. Sem foto e sem ninguém que se lembre dele, Héctor começa a se desfazer na Terra dos Mortos.
O amanhecer se aproxima. Miguel não pode mais esperar. Desta vez, Imelda dá a bênção sem nenhuma condição, e Miguel volta ao mundo dos vivos.
Em casa, Miguel corre até a tataravó Coco. A idosa, já muito velha e com demência, quase não reconhece ninguém. Miguel pega o violão de Héctor e canta baixinho “Remember Me”, a canção de ninar que Héctor escreveu anos antes para a filha Coco.
Coco, que estava em silêncio havia muito tempo, levanta devagar a cabeça, mexe os lábios e começa a cantarolar junto. Ela conhece a canção. Ela reconhece o pai.
Coco tira de dentro da roupa um pedaço de papel guardado havia anos: a metade do rosto rasgada da foto do pai. Ela sempre o guardou, sempre se lembrou dele. É essa lembrança que impede a alma de Héctor de se desfazer no último instante.

A verdade vem à tona e a proibição da música chega ao fim
Coco entrega à família as cartas que o pai escreveu para ela, uma prova irrefutável que desmascara por completo a fraude de de la Cruz. Todas as suas conquistas são retiradas, e Héctor, o verdadeiro autor das canções, finalmente tem o nome reabilitado.
A proibição da música, que durava quase um século, termina.
Um ano depois, o altar da família tem duas fotos novas: Héctor e Coco, que morreu em paz pouco tempo antes. Miguel, com a irmãzinha recém-nascida, Socorro, no colo, conta a ela a história da família.
A lembrança é a forma mais profunda de amor pelos que se foram. Enquanto alguém se lembrar deles, eles continuam vivos.