Chibi Maruko-chan: A Boy from Italy
Dez dias de hospedagem bastam para duas crianças criarem uma amizade entre países: a história completa da busca de Maruko e Andrea pelo velho amigo do avô, do festival das lanternas e da despedida no aeroporto em Chibi Maruko-chan: A Boy from Italy
Título
Chibi Maruko-chan: A Boy from Italy
ちびまる子ちゃん イタリアから来た少年
Ano / Duração
2015 · 94 minutos
Gênero
Drama / Animação
Direção
Jun Takagi
Roteiro
Momoko Sakura
Avaliação
Elenco
Tarako (voz de Momoko "Maruko" Sakura), Taishi Nakagawa (voz de Andrea), Bin Shimada (voz de Tomozo Sakura), Naoko Watanabe (voz de Tamae Honami), Masami Kikuchi (voz de Kazuhiko Hanawa)
Obra original
Adaptação do mangá Chibi Maruko-chan, de Momoko Sakura
Chibi Maruko-chan: A Boy from Italy é o longa-metragem com que a série animada Chibi Maruko-chan comemora 25 anos no ar. O filme é dirigido por Jun Takagi, escrito pela autora original, Momoko Sakura, e produzido pela Nippon Animation, com as vozes de Tarako, Taishi Nakagawa, Bin Shimada e Naoko Watanabe, entre outros. Estreou no Japão em 23 de dezembro de 2015 e chegou aos cinemas da China continental em 23 de setembro de 2016, com 94 minutos de duração.
Até a publicação deste artigo, o filme tem nota 6,3 no IMDb; não foi encontrada uma página do Rotten Tomatoes que corresponda de forma confiável a este título, por isso não há dados dele. As críticas costumam elogiar o tom nostálgico e tranquilo do filme e a forma como ele trata a amizade entre países, a morte e a despedida pelo olhar de uma criança; o ritmo lento e o fato de os personagens estrangeiros serem pouco desenvolvidos são as ressalvas mais comuns.
A seguir, a história completa e o final.
Seis crianças estrangeiras e a divisão das casas
Antes das férias de verão, Hanawa conta aos colegas da terceira série, turma quatro, que a família dele recebe seis crianças de intercâmbio no Japão: Mark, dos Estados Unidos; Singh, da Índia; Nepu, do Havaí; Shinny, de Hong Kong; Andrea, da Itália; e Julia, do Brasil. Todos falam um pouco de japonês, mas, se passarem os dez dias no casarão dos Hanawa, dificilmente vão conhecer a vida de uma família japonesa comum. Por isso, Hanawa convida os colegas a hospedá-los em casa.

No primeiro encontro, na casa dos Hanawa, Andrea ouve o apelido de Maruko, diz na hora que gosta dela e insiste em ficar com a família Sakura. Maruko fica sem jeito com tanto entusiasmo e também não entende por que ele se aproxima dela desse jeito. No fim, Singh fica com os Hamazaki; Shinny, com a família de Tamae; Nepu, com a de Kosugi; Julia, com a de Noguchi; e Mark continua na casa dos Hanawa. Só Andrea recusa o convite da família Maruo.
Hideji, o mordomo dos Hanawa, vai pessoalmente fazer o pedido. Na casa dos Sakura, a família se preocupa porque a casa é pequena e a estadia é longa, mas o avô Tomozo se comove com o apelo de Hideji à amizade e aceita em nome de todos. Maruko, mesmo a contragosto, não tem como não aceitar o arranjo.
Andrea se instala na casa dos Sakura
No dia seguinte, Andrea chega com a bagagem à casa dos Sakura. Tomozo levanta uma faixa de boas-vindas que ele mesmo desenhou, e a família prepara hambúrgueres japoneses e macarrão. Andrea agradece com educação a cada um e elogia a comida em italiano; Tomozo não entende nada, mas repete os sons e faz todo mundo rir. A formalidade à mesa logo desaparece, e Andrea também se acostuma a dormir em um quarto de tatame.


Os outros alunos de intercâmbio também vão se integrando às suas casas. Nepu e Kosugi ficam amigos rapidamente porque os dois adoram comer; Julia faz a família Noguchi dançar samba; Singh não para de imitar Hamazaki; e Shinny se dá muito bem com Tamae. O pai de Tamae tira fotos sem parar, porque quer registrar a primeira vez que a filha faz amigos de outro país. Hanawa ainda planeja uma viagem de fim de semana para que os novos amigos conheçam um Japão além de Shimizu.
O nome de Marco e seu último desejo
Depois da refeição, ao conversarem sobre onde ele aprendeu japonês, Andrea finalmente explica por que se aproximou de Maruko. O avô dele, Marco, era fotógrafo, veio trabalhar no Japão e sempre gostou do país; o nome italiano Marco soa em japonês muito parecido com “Maruko”. O avô ensinou japonês a Andrea e despertou nele o interesse pelo país. Marco morreu há seis meses e, depois de um luto muito longo, Andrea decidiu ir pessoalmente conhecer o Japão de que o avô nunca deixou de lembrar.

Ao saber dessa história, Maruko e a família deixam de ver Andrea como um incômodo e se comprometem a fazer com que a estadia lhe deixe boas lembranças.
Em seguida, os alunos de intercâmbio assistem às aulas na terceira série, turma quatro. Jogam futebol com os colegas e, na aula de música, escrevem juntos uma canção sobre encontros e amizade. A professora pede que, depois da aula, tentem criar uma melodia para a letra.
Dois roteiros de viagem: Osaka e Quioto
Hanawa preferia levar todos a Quioto, mas Andrea quer ir a Osaka. Ele quer procurar uns amigos do avô: um casal que teve em Dotonbori um barzinho chamado “Nonkiya Nonbee”. Marco guardava como um tesouro um abridor de garrafas que eles lhe deram, com o nome do bar gravado no cabo, mas Andrea não sabe nem os nomes nem o endereço do casal. Quando Maruko conta o motivo à família, Hanawa decide dividir o grupo em dois: um vai a Osaka e o outro, a Quioto.
Maruko, Andrea, Tomozo, Noguchi, Julia e outros viajam para Osaka. Primeiro passeiam pelos arredores do Castelo de Osaka e depois, guiados por moradores, encontram uma barraca de takoyaki. O grupo de Quioto, acompanhado por Hideji e pelo pai de Tamae, visita templos e jardins e prova a culinária de Quioto.



O grupo de Osaka chega a Dotonbori depois de assistir a um espetáculo de comédia em Namba. No posto policial, descobre que o “Nonkiya Nonbee” fechou há muito tempo, e ainda por cima Tomozo perde a carteira em ruas lotadas; as crianças a procuram junto com alguns passantes que se oferecem para ajudar e, por fim, a encontram. Embora o bar original não exista mais, ninguém desiste do pedido de Andrea.
Do antigo bar a uma pista em Ueno
Enquanto comem em um restaurante de okonomiyaki, alguém menciona o “Nonkiya Nonbee” e o dono reconhece o nome. Ele conta que o negócio era de um casal chamado Ryo e Chie, que fechou há vinte anos e se mudou para Tóquio; depois, chama um vizinho que conhece melhor essa história. O vizinho reconhece em Andrea o neto de Marco e lembra que Marco fotografava o Japão do pós-guerra e passava muitas noites no bar, bebendo e rindo com os amigos, muito querido por todos; acrescenta que Ryo e Chie depois acompanharam o filho até Ueno, onde abriram uma casa de macarrão.

Andrea explica ao idoso que o avô já morreu. Entristecido, o homem só consegue oferecer uma pista vaga, “uma casa de macarrão em alguma rua comercial de Ueno”, sem o nome do novo negócio nem um endereço concreto. Mesmo assim, Andrea agradece pela viagem, porque é a primeira vez que ouve o passado de Marco no Japão da boca de alguém que não seja o avô.
De volta a Shimizu, os Sakura recebem Andrea com um jantar de tempura. Ele conta que o avô sabia preparar pratos japoneses e também um macarrão muito especial. No dia seguinte, Mark apresenta a melodia que já terminou, e os alunos de intercâmbio cantam em sala a canção que compuseram juntos; só então os colegas percebem que, dos dez dias de hospedagem, resta um.
Um mesmo desejo no festival das lanternas
Depois que os alunos de intercâmbio cantam a canção composta por todos, os colegas conversam sobre o futuro. Andrea diz então que quer ser fotógrafo como o avô e retratar com a câmera a vida das pessoas no Japão. Na véspera da despedida, a família Hanawa organiza uma festa para os alunos de intercâmbio; Andrea reconhece que a câmera usada pelo pai de Tamae é uma Leica e comenta que o avô também deixou uma para ele. Pede a câmera emprestada e tira seu primeiro retrato no Japão.

Depois, Maruko e Andrea vestem seus yukata e vão ao festival das lanternas do rio Tomoe.
Cada um escreve em um papel o desejo de rever o outro; os organizadores prendem os papéis em lanternas, acendem e soltam no rio. As duas lanternas flutuam um tempo lado a lado, até que a correnteza as separa; Maruko teme que essa separação signifique que os dois não vão se reencontrar, mas Andrea acredita que, se continuarem avançando, as lanternas acabarão se aproximando de novo.


Os dois passeiam entre as barracas e compram algodão-doce. Maruko diz que quer ser desenhista de mangá; Andrea promete que, quando ela for, ele voltará para tirar fotos dela.


Tamae e Shinny chegam logo depois e tiram uma foto dos dois juntos, de yukata.

O final
Na manhã seguinte, Maruko e Tomozo acompanham os alunos de intercâmbio até o aeroporto de Haneda no ônibus dos Hanawa. Os seis têm voos em horários diferentes, e o de Andrea só sai no fim da tarde. Maruko percebe que o tempo de espera dá para isso e pede para levá-lo antes a Ueno, a fim de continuar procurando os velhos amigos do avô. Hideji faz o check-in de Andrea e fica com a bagagem, com a condição de que voltem antes do embarque.

Os três conseguem um mapa no posto policial de Ueno e percorrem Ameyoko perguntando por uma casa de macarrão. Entram por engano em um restaurante que não tem nada a ver e continuam sem encontrar o casal. Enquanto isso, os outros alunos de intercâmbio vão embarcando em seus voos: Tamae e Shinny, Hamazaki e Singh, Noguchi e Julia vivem cada um a sua despedida.
A virada vem de um embrulho de hashi que alguém guardou. Maruko se lembra do nome e do telefone do restaurante de okonomiyaki, e Tomozo liga para descobrir os nomes completos do casal: Ryoji Midoriyama e Chie Midoriyama. Na lista telefônica, encontram o endereço dos Midoriyama, mas ninguém atende, então continuam procurando em Ueno 2-chome. O tempo vai ficando curto e Andrea, que não quer causar mais incômodo a Maruko e a Tomozo, está prestes a desistir; quando os três decidem comer algo antes de voltar ao aeroporto, veem finalmente um restaurante chamado “Spaghetti Marco”.
Ryoji e Chie estão descansando quando eles chegam. Andrea tira o abridor de garrafas e prova que é o neto de Marco. Ao saber que Marco morreu, o casal fica chocado e triste; Ryoji esperava havia anos beber mais uma vez com o velho amigo. Chie prepara o macarrão especial que Marco lhe ensinou e o sabor é exatamente o que Andrea lembra. Ela explica que foi justamente esse prato que lhe permitiu abrir o restaurante atual e dá a Andrea uma foto de Marco rindo às gargalhadas no antigo bar.
Quando Maruko, Tomozo e Andrea voltam ao aeroporto, a hora do embarque já está em cima. Andrea agradece a Maruko e diz que esta viagem ao Japão foi inesquecível por causa dela. Maruko não consegue mais conter a emoção da despedida e pede, chorando, que ele fique; Andrea também chora e promete que nunca vai esquecê-la.
Antes de partir, Andrea entrega a Maruko o abridor de garrafas que o avô guardava e pede que ela o mostre quando os dois se reencontrarem. O objeto que levou os Midoriyama a reconhecer o descendente de Marco agora se torna a prova da promessa de reencontro entre as duas crianças. Andrea pede que Maruko sorria e, com esse último sorriso guardado na memória, caminha até o portão de embarque; Maruko o vê se afastar convencida de que vão se ver de novo.
De volta a Shimizu, Maruko conta à família como foi a busca pelos Midoriyama, guarda o abridor de garrafas e decide levá-lo consigo no dia em que for ver Andrea. O pai de Tamae revela as fotos desses dias, entre elas a que Andrea tirou de Maruko com a Leica. Andrea volta à Itália e reencontra os pais; conta a eles que finalmente entende por que o avô amava tanto o Japão e que conheceu uma menina cujo nome soa quase igual ao dele.