Inacreditável
Uma denúncia retirada e uma caçada entre estados: toda a história dos oito episódios, das dúvidas sobre Marie à investigação de duas detetives sobre estupros em série e às fotografias que mudam os rumos de um caso antigo
Título
Inacreditável
Unbelievable
Ano / Duração
2019 · 8 episódios de 43–58 minutos cada
Gênero
Drama / Crime
Direção
Lisa Cholodenko, Michael Dinner, Susannah Grant
Roteiro
Susannah Grant, Michael Chabon, Ayelet Waldman e outros
Avaliação
Elenco
Kaitlyn Dever (como Marie Adler), Merritt Wever (como Karen Duvall), Toni Collette (como Grace Rasmussen), Eric Lange (como o detetive Parker), Danielle Macdonald (como Amber), Blake Ellis (como Chris McCarthy)
Obra original
A reportagem investigativa An Unbelievable Story of Rape, de T. Christian Miller e Ken Armstrong, e o programa de rádio Anatomy of Doubt
Prêmios
Prêmio Peabody; indicação ao Emmy do Primetime de Melhor Minissérie
Inacreditável é uma minissérie policial americana de oito episódios que estreia na Netflix em 13 de setembro de 2019. Criada por Susannah Grant, Michael Chabon e Ayelet Waldman, tem episódios dirigidos por Lisa Cholodenko, Michael Dinner e Grant. Kaitlyn Dever interpreta Marie, acusada de mentir depois de denunciar um estupro, enquanto Merritt Wever e Toni Collette vivem as duas detetives que mais tarde investigam uma série de agressões sexuais.
A série adapta a reportagem investigativa vencedora do Pulitzer An Unbelievable Story of Rape e um programa de rádio relacionado ao caso, com nomes de personagens e parte dos acontecimentos adaptados para a dramaturgia. Com nota 8,3 no IMDb, a produção recebe o Prêmio Peabody e uma indicação ao Emmy do Primetime de Melhor Minissérie. A história alterna entre Marie, no estado de Washington em 2008, e a investigação no Colorado em 2011; a seguir, o enredo completo acompanha o desenvolvimento dessas duas linhas narrativas.
A denúncia no apartamento e os interrogatórios repetidos
Em 2008, Marie Adler, uma jovem de dezoito anos que mora em Lynnwood, no estado de Washington, chama a polícia e relata que um desconhecido invade seu apartamento, a amarra, venda seus olhos, a agride sexualmente e tira fotografias. Depois de passar por várias famílias acolhedoras desde criança, ela agora vive em um programa de moradia que ajuda jovens a conquistar uma vida independente. Judith, sua antiga mãe acolhedora, chega para acompanhá-la, assim como policiais e funcionários do programa.
Marie conta o que acontece aos policiais que chegam ao local e depois repete o relato aos detetives Parker e Pruitt. No hospital, passa por um exame físico e pela coleta de provas, sendo novamente obrigada a descrever a agressão. Cada relato a faz reviver o ataque, mas a polícia ainda exige que ela coloque os acontecimentos por escrito, em uma sequência clara e completa.

O local não oferece pistas que permitam à polícia identificar imediatamente um suspeito. Há diferenças nos relatos de Marie sobre detalhes como o pedido de socorro e a forma como se solta das amarras. Judith também manifesta suas dúvidas a Parker, dizendo que Marie tem um histórico de comportamentos de busca por atenção. Os dois detetives passam a se concentrar na possibilidade de uma denúncia falsa e deixam de seguir o relato inicial para investigar o agressor.

De denunciante a ré depois da retratação
Sob a pressão e as perguntas insistentes, Marie retira a denúncia e admite ter inventado a história. A polícia encerra o caso com base nessa retratação, suas atividades no programa de moradia ficam sujeitas a restrições mais severas, e amigos e responsáveis por seus cuidados também passam a acreditar que ela inventou a história. Seu nome é vazado para a imprensa, repórteres aparecem onde ela mora, e os comentários na internet invadem ainda mais sua vida.
Marie acaba processada por fazer uma denúncia falsa. Ela pensa que negar o ataque basta para encerrar os interrogatórios, mas descobre que ainda precisa enfrentar o tribunal e uma possível punição. O defensor público que assume o caso considera incomum que a polícia a processe em uma situação como essa e começa a negociar um acordo para ela.

Colleen, outra de suas antigas mães acolhedoras, vê no noticiário outro caso de agressão sexual nas proximidades, com detalhes semelhantes ao primeiro relato da jovem. Ela quer procurar novamente a polícia, mas Marie não deseja voltar àquela rotina de interrogatórios. Colleen acaba telefonando mesmo assim, porém Parker descarta a pista sob a alegação de que Marie já admitiu ter feito uma denúncia falsa, impedindo a reabertura do caso.
Uma denúncia em outra cidade, três anos depois
Em 2011, Karen Duvall, uma policial de Golden, no Colorado, assume a investigação da agressão sexual denunciada pela universitária Amber. Ela deixa Amber contar a experiência em seu próprio ritmo e anota com cuidado as características físicas do agressor, suas falas, a maneira como limpa o local e o fato de tirar fotografias. Amber se lembra de uma marca de nascença na panturrilha dele, que se torna uma pista importante para sua identificação posterior.

Karen comenta o caso com o marido, que também é policial. Ele se lembra de casos semelhantes no departamento de polícia de Westminster, onde trabalha, e sugere que ela procure Grace Rasmussen. Karen entra em contato com Grace, e as duas comparam os depoimentos das vítimas, encontrando grandes semelhanças no uso de máscara e amarras, nas fotografias e na eliminação de vestígios.
Casos semelhantes em diferentes jurisdições
Karen e Grace têm, de início, maneiras diferentes de trabalhar, e a parceria não flui bem. Depois de visitar vítimas e examinar arquivos de vários anos juntas, decidem reunir em uma mesma investigação casos de lugares distintos que parecem isolados. Os ataques acontecem em diferentes jurisdições, o que impede os departamentos de polícia de perceberem a ligação entre eles a tempo.

As duas continuam buscando detalhes em comum nos casos antigos, ampliam o conjunto de vítimas investigadas e recebem ajuda do agente do FBI Billy Taggart, entre outros. Uma picape branca, marcas deixadas nos locais dos crimes e fragmentos de informações lembrados pelas vítimas começam a se encaixar. Elas ainda não sabem que, em outro estado, Marie já retirou sua denúncia.
A vítima ignorada e a suspeita sobre policiais
Lilly escapa de um ataque ao pular de um andar superior e se machuca na queda. Ela conta que o policial responsável pelo caso na época não leva a sério sua experiência. A equipe inclui essa tentativa de agressão sexual na comparação, deixando de buscar apenas ocorrências já classificadas explicitamente como crimes do mesmo tipo.

O domínio do agressor sobre as formas de evitar vestígios faz Karen e Grace suspeitarem de uma possível experiência na área policial. Elas investigam policiais com histórico de violência, entre eles James Massey. Grace tenta obter informações sobre ele, mas seu marido, Steve, inicialmente se recusa a fornecer arquivos de acesso restrito e só depois muda de ideia. Essa linha de investigação ainda precisa de provas: a profissão ou a má conduta de alguém, por si só, não bastam para apontá-lo como o criminoso.
O trabalho, o acordo e a moradia de Marie
Na outra linha temporal, Marie tem cada vez mais dificuldade para manter sua rotina no trabalho e nas relações pessoais. Ela sofre uma abordagem ofensiva do supervisor, discute com o ex-namorado Connor e pede demissão depois de perder o controle no trabalho. Tenta seguir com a vida cotidiana, mas não consegue se livrar do estigma da denúncia falsa nem da pressão deixada pelo caso.

O advogado consegue um acordo para ela: ficar sob supervisão, pagar uma multa e ter o registro apagado se não cometer novas infrações. Marie continua sujeita a restrições, como um horário limite para voltar para casa. Depois de beber, fumar maconha e chegar tarde, é excluída do programa de moradia e precisa voltar para a casa de Judith, que lhe empresta dinheiro para pagar a multa.

No início, Marie também vê a terapia determinada pelo tribunal como outra imposição. Aos poucos, aceita conversar com a terapeuta e acaba revelando que a primeira denúncia é verdadeira e que a polícia a obrigou a mudar sua versão. A terapeuta acredita nela, mas Marie diz que, se tudo acontecesse de novo, negaria o ataque ainda mais cedo para evitar passar novamente pelo sistema de justiça.
Do policial suspeito à pista de um veículo
No Colorado, Grace se aproxima de Massey em um bar para tentar obter novas pistas, mas ele a reconhece. Massey a humilha, e o encontro não fornece à equipe provas de que ele seja o autor dos ataques em série.

Enquanto isso, Elias, o estagiário que participa da análise de dados, encontra uma pista decisiva nas informações sobre veículos: um carro que aparece em vários locais relacionados aos casos leva a Christopher McCarthy. A polícia começa a investigar sua residência, seu passado e suas atividades, deslocando o foco do suspeito anterior para esse novo alvo.

Outro McCarthy aparece à porta
Karen segue um homem que sai da casa de McCarthy e consegue coletar uma amostra de DNA. Grace e Taggart pretendem apenas confirmar que não há ninguém na residência, mas, ao baterem à porta, encontram o próprio Chris. Só então percebem que Karen não segue o alvo da investigação, mas Curtis, o irmão mais novo que mora com ele.

A equipe volta a conferir a identidade e os movimentos dos irmãos, considera a possibilidade de agirem juntos e usa registros de redes sociais e outras informações para investigar Curtis. A semelhança física entre os dois não significa que ambos sejam culpados; as provas seguintes afastam aos poucos a suspeita sobre o irmão mais novo, enquanto Chris se torna o alvo definido pela polícia.
As fotos da busca ligam a investigação ao caso antigo
A polícia realiza uma operação para prender os irmãos McCarthy, e Karen participa da prisão de Chris. As fotografias, os objetos retirados das vítimas e outras provas encontrados na busca o ligam a vários ataques. Depois de interrogar Curtis, a polícia encontra mais elementos para descartar seu envolvimento e confirma que Chris é o criminoso.

Ao examinar as fotografias encontradas na casa do suspeito, Grace e Karen veem uma jovem vítima que não conhecem. A investigação acaba confirmando que se trata de Marie, do estado de Washington. Grace envia as fotos a Parker, fornecendo uma prova direta para a denúncia feita por Marie anos antes. As duas investigações, até então sem contato, finalmente se conectam.
O final
Ao descobrir a verdade, Parker avisa Marie de que o verdadeiro agressor está preso e devolve o valor da multa paga por ela pela denúncia falsa. Marie contrata um advogado para processar o governo municipal e consegue um acordo de 150.000 dólares e um pedido formal de desculpas. O advogado acredita que ainda pode negociar mais, mas ela aceita o acordo e se prepara para deixar a cidade onde vive.
Chris se declara culpado. Na audiência de sentença, as vítimas descrevem o impacto dos ataques em suas vidas, enquanto algumas preferem encará-lo em silêncio nos assentos do público. O tribunal o condena a 327 anos e meio de prisão. A investigação não encontra todas as respostas: um disco rígido criptografado continua inacessível, ele se recusa a fornecer a senha, e o dispositivo pode conter informações sobre outros casos ainda não identificados.

Mais tarde, Chris pede para conversar com Taggart e explica seu modo de agir. Embora Grace e Karen consigam prendê-lo, isso não apaga o sofrimento já vivido por todas as vítimas nem garante que elas encontrem cada uma das vítimas ainda não identificadas.
Marie compra um carro e se prepara para se mudar. Antes de partir, volta pessoalmente à delegacia e diz a Parker que ninguém lhe pediu desculpas pessoalmente até aquele momento. Parker finalmente se desculpa, enquanto Pruitt permanece ao lado sem dizer nada. Marie exige que Parker faça seu trabalho direito dali em diante e vai embora. Durante a viagem, telefona para Karen e agradece à detetive, até então uma desconhecida para ela, por encontrar o verdadeiro criminoso. Depois da ligação, continua dirigindo rumo a uma nova vida.