O Curioso Caso de Benjamin Button
Uma vida que corre ao contrário e um amor de meio século: o enredo completo de O Curioso Caso de Benjamin Button, sobre um homem que nasce velho e rejuvenesce com o tempo, e como ele atravessa a guerra, o amor e a despedida
Título
O Curioso Caso de Benjamin Button
The Curious Case of Benjamin Button
Também conhecido como: O Estranho Caso de Benjamin Button (Portugal)
Ano / Duração
2008 · 166 minutos
Gênero
Drama / Romance / Fantasia
Direção
David Fincher
Roteiro
Eric Roth / Robin Swicord
Avaliação
Elenco
Brad Pitt, Cate Blanchett, Taraji P. Henson, Tilda Swinton, Julia Ormond
Obra original
conto homônimo de F. Scott Fitzgerald
Prêmios
Oscar 2009: Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhores Efeitos Visuais (13 indicações)
Lembranças no furacão
Em 2005, o furacão Katrina se aproxima de Nova Orleans. No quarto de um hospital, a idosa Daisy (Cate Blanchett) está deitada na cama, com a vida perto do fim. Sua filha Caroline (Julia Ormond) fica ao lado dela. Daisy pede que Caroline abra um diário antigo e leia em voz alta. O diário pertence a um homem chamado Benjamin Button (Brad Pitt), alguém que viveu a vida ao contrário.
A história começa com a lenda de um relógio. Antes da Primeira Guerra Mundial, a estação de trem de Nova Orleans encomenda um grande relógio ao relojoeiro cego Monsieur Gateau. Quando o filho dele morre no campo de batalha, o relojoeiro, tomado pela dor, faz os ponteiros girarem no sentido contrário, na esperança de que o tempo possa voltar: que os jovens mortos ressuscitem e que os anos perdidos retornem. O relógio que anda para trás é instalado na estação e se torna uma metáfora do tempo.

Um bebê que nasce velho
Em 11 de novembro de 1918, na noite do armistício que encerra a Primeira Guerra Mundial, Benjamin Button nasce em Nova Orleans. A mãe morre no parto. O pai, Thomas Button, fica apavorado ao ver o recém-nascido: o bebê tem o rosto cheio de rugas, as articulações deterioradas e a aparência inteira de um moribundo de mais de oitenta anos. Incapaz de aceitar esse “monstro”, Thomas aproveita a escuridão da noite e abandona o bebê nos degraus de um asilo de idosos.
Queenie (Taraji P. Henson), uma cuidadora negra do asilo, encontra o bebê abandonado. Apesar da aparência assustadora, ela sente compaixão, leva o bebê para casa para criá-lo e dá a ele o nome de Benjamin. No asilo, Benjamin vive entre idosos à espera do fim. Ninguém o acha fora do lugar: ali, um menino com aparência de velho finalmente encontra onde pertencer.
Os médicos afirmam que Benjamin não vai viver muito. Mas acontece um milagre: ele não só sobrevive, como “melhora” a cada dia. As articulações deixam de ser rígidas, a pele fica aos poucos mais lisa e os cabelos brancos escurecem. Benjamin cresce ao contrário: quanto mais vive, mais jovem fica.
O primeiro encontro com Daisy
Quando Benjamin tem cerca de doze anos (com um corpo de pouco mais de setenta), chega ao asilo a neta de uma nova moradora: Daisy, uma menina de seis ou sete anos. Ela é a primeira pessoa que realmente o trata como um companheiro da mesma idade. Entre as duas crianças, apesar da enorme diferença de aparência, surge uma proximidade natural. Daisy não tem medo nenhum do aspecto envelhecido dele e o leva pela mão para brincar pelos corredores. Essa amizade de infância se torna o laço que acompanha Benjamin pela vida inteira.

Rumo ao mar
À medida que Benjamin vai “rejuvenescendo”, com o corpo passando de setenta e poucos anos para sessenta e poucos, ele deixa de se contentar com a vida no asilo. Por volta dos dezoito anos, despede-se de Queenie e embarca num rebocador chamado Chelsea, para trabalhar sob as ordens do capitão Mike. No mar, aprende a trabalhar e a se virar sozinho, e descobre um mundo muito maior.
Enquanto o rebocador faz escala no porto russo de Murmansk, Benjamin conhece num hotel Elizabeth Abbott (Tilda Swinton), esposa de um diplomata britânico. Entre ele e essa mulher elegante e solitária nasce uma relação ambígua. Toda noite, bem tarde, eles se encontram no saguão do hotel, conversam, tomam chá e compartilham segredos. Elizabeth conta a Benjamin que, quando jovem, tentou atravessar o Canal da Mancha a nado, mas não conseguiu. Esse breve romance termina com a partida de Elizabeth, mas dá a Benjamin sua primeira lição sobre amor e arrependimento.
Entre o fogo e a morte
Depois do ataque a Pearl Harbor, os Estados Unidos entram na guerra e a marinha requisita o rebocador de Benjamin. Durante uma missão, eles são atacados por um submarino inimigo. No meio do fogo cruzado, o capitão Mike e muitos tripulantes morrem. Benjamin sobrevive, mas esse combate o coloca pela primeira vez tão perto da morte e muda profundamente a forma como ele entende a vida.

O reencontro e o desencontro
Depois da guerra, Benjamin volta a Nova Orleans. Nessa época, seu corpo tem cerca de cinquenta e poucos anos. Ele reencontra Daisy, já adulta, transformada em uma bailarina talentosa e deslumbrante em Nova York, cercada de pretendentes. Benjamin viaja para vê-la, mas a distância entre os dois, ela no auge da juventude e ele ainda com aparência envelhecida, apesar de cada vez mais jovem, enche o reencontro de constrangimento. Daisy pede que ele fique, mas Benjamin sente que não está à altura daquele mundo cheio de vitalidade e decide ir embora.
Enquanto isso, Thomas, o pai biológico de Benjamin, o encontra. Depois de anos carregando a culpa, ele finalmente reúne coragem para reconhecer o filho, conta a verdade sobre como o abandonou e deixa para ele a fábrica de botões da família. Pouco depois, Thomas morre. Benjamin aceita a herança do pai, mas seus sentimentos pelo homem que o abandonou continuam complicados.
O acidente em Paris
Quando Daisy se apresenta em Paris, um acidente de carro repentino destrói sua carreira de bailarina. A perna dela fica gravemente ferida e ela nunca mais poderá subir a um palco. Benjamin corre para visitá-la ao saber da notícia, mas Daisy está no momento mais sombrio da vida, e seu orgulho e sua dor não permitem que ela aceite a compaixão de ninguém. Furiosa, ela o manda embora.
Aqui o filme usa uma montagem engenhosa para mostrar a cadeia de pequenos acontecimentos que levam ao acidente: se o táxi tivesse saído um minuto antes, se aquela mulher não tivesse esquecido o casaco, se o semáforo tivesse demorado dois segundos a mudar… O destino é tecido justamente por essas coincidências aparentemente sem importância.

O tempo dourado em que se encontram
Em 1962, Benjamin tem quarenta e quatro anos, e seu corpo voltou a ter cerca de quarenta. Daisy também superou a sombra do acidente e voltou a Nova Orleans. Finalmente os dois se encontram na hora certa: é a primeira vez que as idades aparentes deles ficam tão próximas.
Eles se apaixonam e começam uma vida simples e feliz num apartamento. Daisy se torna professora de dança, e Benjamin a acompanha todos os dias. É a época mais bonita da vida deles: duas linhas do tempo que correm em sentidos opostos finalmente se cruzam. Pouco depois, Daisy engravida e nasce a filha deles, Caroline.
Mas essa felicidade tem um fundo amargo. Benjamin sabe muito bem que vai continuar rejuvenescendo, que um dia será adolescente, depois criança e, por fim, bebê. Ele não pode dar à filha um pai normal: quando Caroline for para a escola, ele poderá parecer um colega dela; quando ela for adulta, ele poderá ser uma criancinha que precisa de cuidados.
A partida dolorosa
Depois de uma reflexão dolorosa, Benjamin toma a decisão mais difícil da vida: ir embora. Ele vende todos os bens e as economias, deixa o dinheiro para Daisy e a filha e parte em silêncio. Deixa para Daisy uma carta e um diário em que registrou toda a sua vida.
Benjamin volta a viajar, percorrendo o mundo como na juventude. Vai à Índia, vai ao Japão, atravessa incontáveis cidades de moto. E o corpo continua a retroceder sem piedade: ele fica cada vez mais jovem, até parecer um rapaz de uns vinte anos.
Mais tarde, Daisy se casa com Robert, um viúvo bondoso, e dá a Caroline uma família completa. Benjamin volta de vez em quando para ver a filha de longe, sem nunca perturbar a vida dela. Numa ocasião, ele retorna a Nova Orleans e encontra Daisy e a pequena Caroline num parque. Daisy já aceitou o que o destino reservou, e os dois conversam com calma. Benjamin olha para a filha e sabe que ela terá uma boa vida.

O esquecimento e o retorno
Já nos anos 1980, o corpo de Benjamin regrediu à adolescência e depois à infância. O mais cruel é que, à medida que o corpo rejuvenesce, a memória dele também se apaga aos poucos. Ele passa a sofrer de algo parecido com demência senil: um amnésico preso no corpo de uma criança.
Por volta de 2002, um assistente social encontra na rua um menino que parece abandonado: é Benjamin. Ele perdeu completamente a memória e não sabe quem é. Ao saber disso, Daisy o leva de volta para perto de si para cuidar dele. Dia após dia, ela vive com esse “menino” que não a reconhece, conta histórias para ele e fica com ele até que durma. Embora Benjamin já não se lembre de quem é Daisy, de vez em quando uma estranha centelha de familiaridade passa pelo olhar dele.
Na primavera de 2003, o corpo de Benjamin se reduziu ao de um bebê. Numa manhã, a idosa Daisy o segura nos braços. Ele abre os olhos e olha para Daisy pela última vez, e naqueles olhos azuis parece brilhar um lampejo de reconhecimento. Depois fecha os olhos em silêncio e deixa este mundo nos braços dela.
O final
A história volta ao quarto do hospital em 2005. Caroline fecha o diário. Do lado de fora da janela, o furacão Katrina já se aproxima de Nova Orleans. Daisy, na cama, olha serenamente para a janela e também fecha os olhos.
No fim do filme, o grande relógio da estação, que gira ao contrário, é engolido pela inundação. O tempo não volta de verdade, mas a história de Benjamin Button, uma fábula sobre amor, perda, destino e tempo, permanecerá para sempre no coração de quem leu aquele diário.