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O Ataque à Maratona de Boston

Voltar da beira da morte e cruzar a linha de chegada com próteses: um resumo completo do documentário da HBO O Ataque à Maratona de Boston, que acompanha por três anos a recuperação de três famílias sobreviventes do atentado de 2013, das amputações ao retorno à pista, do estresse pós-traumático ao confronto com o autor do crime, uma maratona real de coragem e renascimento.

Título

O Ataque à Maratona de Boston

Marathon: The Patriots Day Bombing

Ano / Duração

2016 · 108 minutos

Gênero

Documentário

Direção

Ricki Stern, Anne Sundberg

Roteiro

Ricki Stern / Anne Sundberg

Avaliação

Elenco

Celeste Corcoran, Sydney Corcoran, Patrick Downes, Jessica Kensky

O Ataque à Maratona de Boston
O instante da explosão: fumaça sobe perto da linha de chegada Sobreviventes em fisioterapia em um centro de reabilitação O casal de sobreviventes se abraça no hospital Homenagem espontânea nas ruas de Boston Sobreviventes voltam à pista com próteses
Aviso de spoilers: O texto a seguir conta a história inteira, as reviravoltas e o final. Você pode pular pelos capítulos até a parte que quer relembrar.

O pesadelo do Dia dos Patriotas

Em 15 de abril de 2013, em Boston, Massachusetts, acontece a Maratona de Boston, uma das corridas mais antigas do mundo, realizada todos os anos no Dia dos Patriotas. Dezenas de milhares de corredores participam, e centenas de milhares de pessoas acompanham o percurso. Perto da linha de chegada, familiares e amigos se amontoam para torcer pelos corredores, em um clima animado e festivo.

Às 14h49, duas explosões seguidas acontecem perto da linha de chegada. Duas bombas caseiras de panela de pressão, escondidas em mochilas, são detonadas, e uma onda de choque carregada de estilhaços de metal e pregos varre a multidão. O atentado deixa 3 mortos e mais de 260 feridos, e pelo menos 16 deles sofrem ferimentos tão graves que precisam ter membros amputados. As câmeras de segurança registram o momento do horror: fumaça subindo, pessoas fugindo em todas as direções, sangue no asfalto.

O instante da explosão: fumaça sobe perto da linha de chegada

O documentário da HBO O Ataque à Maratona de Boston, dirigido por Ricki Stern e Anne Sundberg e produzido em parceria com o The Boston Globe, não se concentra na caçada ao responsável. O filme acompanha três famílias gravemente feridas no atentado ao longo dos três anos entre 2013 e 2016. Com muitas imagens de câmeras de vigilância, cenas de telejornais, vídeos de família e entrevistas aprofundadas, o filme retrata uma maratona de vida muito mais longa e difícil do que os 42 quilômetros da prova.

A hora mais sombria de três famílias

Cada uma das três famílias do documentário carrega uma dor diferente.

Patrick Downes e Jessica Kensky são um casal de recém-casados. Quando a explosão acontece, os dois estão ao lado da linha de chegada, torcendo pelos corredores. Os dois são atingidos nas pernas por estilhaços da bomba: Patrick tem a perna esquerda amputada abaixo do joelho, e Jessica tem a perna esquerda amputada na hora. Meses depois, por causa de infecções persistentes e dor intensa, ela precisa passar por outra cirurgia para amputar também a perna direita. Um casal de jovens recém-casados perde a capacidade de andar de um dia para o outro.

Celeste Corcoran e Sydney Corcoran são mãe e filha. As duas pernas de Celeste, a mãe, são dilaceradas, e ela passa por uma amputação de emergência no próprio local da explosão. Sydney, a filha, é atingida na artéria femoral por um estilhaço e perde tanto sangue que sua vida fica por um fio. Mãe e filha são levadas para hospitais diferentes, e nenhuma das duas sabe se a outra ainda está viva.

Sobreviventes em fisioterapia em um centro de reabilitação

A terceira família é formada por dois irmãos, que também ficam gravemente feridos no atentado. O documentário alterna, em uma narrativa paralela, o dia a dia das três famílias depois da tragédia e mostra que o dano de um ato terrorista não termina no instante da explosão: ele se infiltra em cada dia e em cada detalhe.

O longo caminho da recuperação

O filme dedica grande parte de sua duração a registrar o processo longo e doloroso de recuperação dos sobreviventes. A amputação é só o começo. Depois vêm incontáveis curativos, ajustes de próteses, fisioterapia e tratamento psicológico.

Depois da amputação, Patrick começa a aprender a usar uma prótese. Ele passa de não conseguir ficar em pé a se mover passo a passo apoiado nas barras paralelas, até conseguir andar sozinho aos poucos. Por trás de cada avanço, por menor que pareça, há uma enorme força de vontade e uma dor repetida. A situação de Jessica é ainda mais difícil: nos meses seguintes ao atentado, ela passa por várias cirurgias e acaba tendo de abandonar a esperança de salvar a perna direita. A amputação das duas pernas significa que ela precisa reaprender a se mover do zero, com duas próteses. O documentário tem uma cena de partir o coração: Jessica, sentada na cadeira de rodas, vê o marido Patrick já conseguir ficar em pé e andar com a prótese, enquanto ela ainda enfrenta a decisão dolorosa de amputar ou não a segunda perna.

O casal de sobreviventes se abraça no hospital

Celeste, por sua vez, mostra um otimismo e uma resiliência impressionantes. Depois de perder as duas pernas, ela começa logo um plano de reabilitação intensivo, aprende a usar próteses e se propõe a recuperar a independência o mais rápido possível. Mas a recuperação física é só parte do desafio: o estresse pós-traumático (TEPT) é um inimigo mais silencioso e mais duradouro. No dia a dia, os sobreviventes podem ser arrastados de repente, por um som ou uma imagem qualquer, de volta ao terror daquele dia. Sydney fica extremamente ansiosa depois do atentado, e qualquer lugar cheio de gente lhe provoca pânico.

A caçada e o julgamento

Enquanto conta a recuperação dos sobreviventes, o documentário também intercala a investigação do caso e a caçada aos responsáveis. Depois de analisar uma enorme quantidade de gravações de vigilância, o FBI identifica dois suspeitos: os irmãos de origem chechena Tamerlan Tsarnaev e Dzhokhar Tsarnaev. Três dias após o atentado, o FBI divulga as imagens das câmeras de segurança com os dois, o que desencadeia uma perseguição eletrizante.

Na fuga, os irmãos matam um policial do MIT, sequestram um SUV e travam um violento tiroteio com a polícia em Watertown. Tamerlan, o mais velho, é baleado no confronto e morre atropelado pelo carro que o irmão mais novo, Dzhokhar, dirige na fuga. Boston entra em estado de bloqueio de emergência em toda a cidade, até que Dzhokhar é encontrado escondido em um barco em seco guardado no quintal de uma casa e finalmente é preso.

Em 2015, Dzhokhar Tsarnaev é condenado à morte. Durante o julgamento, os sobreviventes precisam encarar no tribunal o autor da tragédia e lembrar, diante da corte, cada detalhe daquele dia. Para muitos, testemunhar é outra forma de sofrimento, mas também um passo importante rumo à cura.

Boston Strong

Homenagem espontânea nas ruas de Boston

Depois do atentado, um lema se espalha rapidamente pela cidade: Boston Strong (Boston é forte). Não é só um slogan: ele se torna o sustento espiritual de toda a cidade. O documentário registra as várias ações de apoio organizadas pelos próprios moradores de Boston, o trabalho incansável dos profissionais de saúde e a vontade coletiva de uma cidade que se recusa a ser derrubada pelo medo.

Para os sobreviventes, a Maratona de Boston é ao mesmo tempo o início do pesadelo e um símbolo de renascimento. O filme termina focado na Maratona de Boston de 2016, a mesma prova três anos depois do atentado. Patrick Downes completa o percurso com sua prótese, e, no instante em que cruza a linha de chegada, a dor do passado e os três anos de perseverança se condensam. Celeste, também com prótese, volta a pisar na mesma pista que anos antes lhe tirou as pernas.

Sobreviventes voltam à pista com próteses

Este é o ponto mais emocionante do filme: pessoas que perderam as pernas para uma bomba voltam, com próteses, ao percurso da Maratona de Boston. Cada passo delas declara que o terrorismo pode destruir corpos, mas não consegue destruir a vontade humana. Nessa maratona mais longa do que qualquer prova de 42 quilômetros, elas venceram.