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Zona Mortal

Acorda de um acidente e descobre que todos ao redor estão mortos: um passo a passo completo da história do thriller fantástico canadense de 2017 Zona Mortal, sobre um homem com amnésia e o "raio" letal de 15 metros ao seu redor, até o momento em que ele finalmente lembra quem é.

Título

Zona Mortal

Radius

Ano / Duração

2017 · 92 minutos

Gênero

Ficção científica / Suspense / Mistério

Direção

Caroline Labrèche, Steeve Léonard

Roteiro

Caroline Labrèche / Steeve Léonard

Avaliação

Elenco

Diego Klattenhoff, Charlotte Sullivan, Brett Donahue, Bradley Sawatzky

Zona Mortal
Cena 1: a protagonista com amnésia acorda no hospital Cena 2: Liam à beira do lago Cena 3: Liam e Rose no campo Cena 4: Rose aponta a arma para alguém Cena 5: tempestade e relâmpagos, o fenômeno cósmico
Aviso de spoilers: O texto a seguir conta a história inteira, as reviravoltas e o final. Você pode pular pelos capítulos até a parte que quer relembrar.

Um desconhecido que acorda após um acidente

Em uma estrada rural do Canadá, um homem sai rastejando de uma picape capotada à beira da pista. Ele está com o rosto coberto de sangue e com uma dor de cabeça tão forte que mal consegue ficar de pé. Não se lembra de nada: nem de quem é, nem de como foi parar ali. Ele caminha pela estrada, tentando achar um carro que possa ajudá-lo.

Um carro vem na direção contrária. O motorista vê o homem acenando, reduz a velocidade e se aproxima. Então seus olhos viram de repente, o rosto fica de uma palidez mortal, com os capilares estourados, e ele cai sobre o volante. O carro sai da estrada e entra em um campo.

O homem caminha, atordoado, até o carro, mas não encontra no corpo do motorista nenhuma pista sobre quem ele mesmo é. Ao vasculhar a própria carteira, encontra uma carteira de habilitação: Liam Hartwell (interpretado por Diego Klattenhoff). Ele guarda a carteira e segue em frente.

Cena 1: a protagonista com amnésia acorda no hospital

A cidade inteira está cheia de mortos

Liam entra na lanchonete de beira de estrada mais próxima. No instante em que empurra a porta, vê que todos lá dentro (o cozinheiro, os garçons, os clientes) estão caídos sobre as mesas e no chão. Todos têm os mesmos olhos virados, brancos. O rádio transmite um boletim de emergência: alerta de ataque com armas biológicas, com a recomendação de se abrigar onde se estiver.

A primeira reação de Liam é pensar que há algo no ar. Ele se tranca na cozinha e cobre o nariz e a boca. Depois de um tempo, porém, vê pela janela um fazendeiro caminhando em sua direção pelo campo. No momento em que o fazendeiro chega a cerca de 15 metros de distância, seus olhos também viram e ele cai morto na hora.

Nesse instante, Liam entende: o problema não é o ar. É ele mesmo. Qualquer ser vivo que entre em um raio de cerca de 15 metros (50 pés) ao seu redor morre imediatamente.

Guiando-se pelo endereço da habilitação, ele volta às apalpadelas para casa: uma cabana de madeira isolada. No caminho, vê pássaros caídos à beira da estrada, cervos caídos e até insetos caídos.

Cena 2: Liam à beira do lago

A mulher que não é afetada

Liam tenta se trancar na cabana e não sair mais. Ele corta todo contato com o exterior. Mas, no dia seguinte, uma jovem entra no quintal dele e não acontece nada com ela: seus olhos não viram, ela não cai.

Ela também perdeu a memória. Diz que acordou no local de um acidente e caminhou até ali. O acidente dela aconteceu não muito longe: é o mesmo acidente.

Juntos, os dois começam a testar o alcance desse “raio”. Eles amarram uma cabra a uma corda e Liam recua passo a passo, deixando a cabra e a mulher a distâncias diferentes dele. Quando ele se aproxima só da cabra, ela morre. Mas enquanto a mulher estiver a menos de 15 metros de Liam, os seres vivos ao redor não morrem.

Existe entre os dois uma espécie de “campo de anulação”. Ela precisa ficar sempre ao lado dele. Assim que os dois se separam além do raio, a proteção deixa de funcionar.

Os noticiários começam a divulgar esse misterioso acontecimento. Na televisão aparece o rosto dela: seu nome é Rose Daerwood (interpretada por Charlotte Sullivan). Um homem chamado Sam aparece em uma entrevista, chorando, pedindo a quem a tenha visto que a devolva para casa: ele é o marido dela.

O local do acidente e o círculo carbonizado

Liam e Rose voltam juntos ao local do acidente. Além dos dois carros capotados, há no chão um círculo perfeito e carbonizado, com cerca de dez metros de diâmetro. Algo aconteceu ali: um meteorito? Um pequeno fenômeno cósmico anômalo? Ninguém consegue explicar com certeza. Mas foi a partir desse momento que o raio mortal começou a se manifestar em Liam.

Rose recupera aos poucos parte da memória. Ela se lembra de que, naquele dia, não estava dirigindo normalmente: estava em um estado de colapso emocional extremo e ia até o rio com a intenção de tirar a própria vida. O carro de Liam a atingiu exatamente naquele momento e… ele a tirou do rio e salvou sua vida.

Cena 3: Liam e Rose no campo

O diário na cabana

Justo quando Rose começa a acreditar que Liam é “um homem inocente amaldiçoado por uma força cósmica desconhecida”, ela encontra no porão da cabana uma caixa trancada. Dentro há um diário, junto com um monte de cabelo feminino, documentos de identidade e fotografias.

O diário registra, página após página, o sequestro e o assassinato de jovens mulheres por Liam ao longo dos últimos anos. A hora, o lugar, o método, tudo anotado com uma calma perturbadora, quase com fascínio pelo que ele fazia. Em uma das páginas há uma fotografia: é Lily, a irmã gêmea de Rose. Lily desapareceu há alguns meses. No momento em que vê o diário, Rose entende tudo: Liam é um serial killer, matou a irmã dela e estava prestes a sequestrar a própria Rose pouco antes do acidente.

Ela se jogou no rio não porque quisesse morrer sem motivo, mas porque o desaparecimento da irmã a levou ao colapso emocional. E, no momento do acidente, na verdade Liam a interceptou com o carro: ele se preparava para fazer dela sua próxima vítima. Então aquele fenômeno cósmico desconhecido caiu do céu e atingiu o local do acidente. Os dois perderam a memória ao mesmo tempo, e em Liam surgiu esse “raio”.

Liam também começa aos poucos a se lembrar da mesma coisa. Ele se senta na cama da cabana, segura a cabeça e, com dor, confessa tudo.

Rose levanta a arma. Ela tem mil motivos para atirar. Mas não aperta o gatilho. A frase que ela diz se repete ao longo de todo o filme:

“A culpa não é sua.”

O que ela vê não é o Liam que escreveu o diário, mas o Liam que a manteve viva nos últimos dias: aquele que lhe ensinou a reconhecer alimentos silvestres no campo, que a segurou pelos ombros quando ela entrou em pânico, que chorou quando a cabra morreu.

Cena 4: Rose aponta a arma para alguém

O desfecho: a autocondenação final

Os dois percebem que não podem mais continuar juntos, porque Rose é o “campo de anulação” de Liam: assim que se separarem, ele voltará ao estado original e continuará matando. Mas também não podem ficar juntos para sempre: precisam ir embora, precisam viver.

Justo quando tentam partir, tudo sai do controle.

Um pai e seu filho (moradores da região) bloqueiam o caminho deles, tentando prendê-los como “fugitivos biológicos” em troca da recompensa. Na confusão, os dois são obrigados a entrar no raio letal de Liam: o pai cai, o filho mais velho cai. O filho mais novo, aterrorizado, levanta uma espingarda e atira em Rose. A bala atravessa o abdômen dela.

Liam corre até a arma e a pega, mas não atira. Corre até Rose, a coloca no carro e dirige a toda velocidade até o hospital mais próximo. Durante o trajeto, seu raio continua “matando” por onde ele passa: junto ao posto de gasolina, nos cruzamentos, as pessoas caem uma após a outra ao longo do caminho. Ele não ousa parar. A única coisa que pode fazer é levar Rose ao hospital.

Em frente ao hospital, abre a porta de trás e coloca com cuidado Rose, inconsciente, em uma maca, e a vê ser levada pelas enfermeiras. Depois, não a segue para dentro: caminha na direção contrária, até uma sala vazia no fim do corredor, pega a espingarda que carregou durante todo o caminho, senta-se e a aponta para o queixo.

O filme termina com esse disparo.

A última cena da história é a de Rose, que acorda e não encontra Liam ao lado da cama. Ela reconhece que está no hospital e, entre lágrimas, sussurra de novo aquela frase:

“A culpa não é sua.”

Mas Liam já tomou sua decisão: ele é uma das poucas pessoas no mundo que sabe, com plena consciência, que a própria existência significa a morte de outros, e que ainda se lembra com clareza de quem foi. Ele não pode devolver a vida à irmã que tirou dela, mas pode garantir que não tirará mais nenhuma.

Cena 5: tempestade e relâmpagos, o fenômeno cósmico

Opinião sobre o filme

Zona Mortal é um exemplar típico de baixo orçamento e alto conceito (low-budget high-concept). Os diretores Caroline Labrèche e Steeve Léonard sustentam os 92 minutos de enredo com uma premissa minimalista: duas pessoas com amnésia que, se ficarem a mais de 15 metros uma da outra, provocam a morte de quem está ao redor. Na segunda metade, o filme desliza do thriller de ficção científica para um drama psicológico sobre redenção e natureza humana.

Os atores canadenses Diego Klattenhoff (Donald Ressler em The Blacklist) e Charlotte Sullivan fazem aqui uma atuação em dupla muito contida: quase todos os planos exigem que os dois fiquem fisicamente a menos de 15 metros um do outro, e essa “proximidade” forçada se transforma visualmente em uma tensão interessante: mal se conhecem e, no entanto, não podem se separar nem um passo.

O verdadeiro fio da navalha do filme não está em “um fenômeno cósmico deu a ele um raio mortal”, mas em esse fenômeno não ter mudado quem Liam é, apenas o ter feito esquecer. Quando por fim se lembra, ele não escolhe continuar fugindo nem pedir que Rose atire, mas protegê-la, levá-la ao hospital e, depois, tirar a própria vida. A frase de Rose, “a culpa não é sua”, é a âncora emocional de todo o filme: ela o perdoa pelo que ele fez sob uma força externa, e ele, por sua vez, recusa esse perdão.

Como produção independente canadense de baixo orçamento, o ritmo cai um pouco no trecho do meio e algumas reviravoltas de suspense são um pouco simples (por exemplo, o recurso de avançar a trama por meio de boletins de notícias parece forçado), mas a decisão final de autocondenação eleva bastante o peso de todo o filme. Se você gosta de filmes de ficção científica de baixo orçamento que levam um único conceito até o fim, como Distrito 9 ou O Homem da Terra, esta é uma pequena joia pouco conhecida que vale a pena procurar.