A Mansão Grotesca
Cinco histórias de terror em um prédio de seita: o enredo completo de A Mansão Grotesca, com barulho vindo do andar de cima, um assassino que se duplica, um boneco que ganha vida, um mofo que devora pessoas e o segredo assustador que o zelador revela no final
Título
A Mansão Grotesca
괴기맨숀
Ano / Duração
2021 · 106 minutos
Gênero
Suspense / Terror
Direção
Jo Ba-Reun
Roteiro
Jo Ba-Reun
Avaliação
Elenco
Sung Jun, Kim Hong-pa, Kim Bo-ra, Kim Jae-hwa, Park So-jin
O cartunista visita o prédio assombrado
Ji-woo (Sung Jun), autor de uma webtoon de terror, está sem inspiração. Ele descobre que em Seul existe um prédio abandonado chamado “Residencial Gwangnim”, antiga sede da seita Gwangnim, deserto desde que o líder levou os seguidores a um suicídio coletivo e cercado de incontáveis lendas de fantasmas.
Ji-woo decide ir ver com os próprios olhos. Ele encontra o zelador (Kim Hong-pa), um homem de meia-idade que continua morando no prédio. O zelador é calado e não deixa claro se aceita o pedido de Ji-woo, mas, depois de muita insistência, começa a contar, sem pressa nenhuma, as histórias que aconteceram ali.

Primeira história: o escritor do 504
Um escritor aluga o apartamento 504 do Residencial Gwangnim para ter um lugar tranquilo onde trabalhar. No primeiro dia, tudo vai bem, até que ele começa a ouvir a barulheira de uma criança no andar de cima: passos correndo, gritos, brinquedos caindo no chão, sem parar da manhã à noite.
Quando já não aguenta mais, ele sobe para reclamar, mas ninguém abre a porta. Ele reclama com o zelador, que apenas o olha de relance, sem dizer nada. O barulho piora a cada dia, e o estado mental do escritor se deteriora: insônia, ansiedade, incapacidade de se concentrar no trabalho.
Tudo chega ao auge em uma madrugada. O escritor, fora de si, sobe correndo e esmurra a porta com fúria. A porta finalmente se abre: o apartamento está completamente vazio. Sem móveis, sem criança nenhuma, sem qualquer sinal de vida. Mas, no instante em que se vira, ele ouve a risada de uma criança às suas costas. O escritor desmorona por completo.

Segunda história: a farmacêutica do 907
Seon-a, farmacêutica, mora no apartamento 907. Ela é amante de um homem casado: o namorado, Ho-jun, mantém com ela um relacionamento secreto.
Em uma madrugada, Ho-jun invade a casa de Seon-a coberto de sangue. Ele conta que acabou de matar a esposa. Seon-a fica apavorada, mas mesmo assim o esconde. E é a partir desse momento que coisas estranhas começam a acontecer: em diferentes cantos do próprio apartamento, Seon-a vê vários Ho-juns ao mesmo tempo. Um na cozinha, outro no quarto, outro no banheiro; todos idênticos entre si, e cada um afirma ser o verdadeiro Ho-jun.
Seon-a mergulha no medo e na confusão. Esses “Ho-juns” são apenas alucinações ou uma espécie de maldição do próprio prédio? Enquanto tenta distinguir qual é o verdadeiro, o terror já a encurralou.
Terceira história: o corretor do 708
O corretor de imóveis é um homem de má-fé. Ele sabe muito bem que o Residencial Gwangnim é assombrado, mas mesmo assim aluga os apartamentos a inquilinos que não sabem de nada, só para ganhar a comissão.
Mais perturbador ainda: ele vive sozinho com um boneco de plástico em tamanho real, que trata como a “esposa”. Ele veste o boneco, conversa com ele, come com ele. Para o corretor, em seu próprio mundo, o boneco é uma pessoa de verdade.
Até que, um dia, o boneco parece ganhar vida de verdade. Começa a se mexer, começa a emitir sons. De início, o corretor fica em êxtase: a “esposa” voltou à vida! Mas logo a situação muda de rumo. O boneco desaparece, e as mãos do corretor acabam aparecendo coladas à torneira. Depois de uma sequência de eventos arrepiantes, o corretor acaba perdendo os dois braços.

Quarta história: o estudante do 604
Um estudante que acabou de voltar do exterior se hospeda por um tempo no apartamento 604 do Residencial Gwangnim, na casa de um amigo. O amigo não está e deixou as chaves com ele.
Assim que entra, o estudante percebe que algo está errado: um mofo preto cobre os cantos e o teto. Achando o amigo muito desleixado, ele decide fazer uma boa limpeza, esfregando cada mancha com escova e detergente.
Mas, no dia seguinte, o mofo voltou a crescer, mais denso e mais espalhado que antes. O estudante limpa de novo, e o mofo se espalha de novo. Assim, vez após vez. O mofo passa das paredes para os móveis, para o chão, até para as roupas dele. O ar se enche de um cheiro de umidade sufocante.
O mais aterrorizante é que o mofo começa a se espalhar pelo corpo dele. Como se tivesse vida própria, avança sobre a pele e entra pelos poros. O estudante se esfrega desesperadamente, mas é inútil. O mofo acaba por devorá-lo: ele se torna parte do quarto, fundido às manchas da parede.

Quinta história: o zelador do 1504
As quatro histórias terminaram. Ji-woo, mergulhado naquele clima de terror, sente que já tem material de sobra. Ele agradece ao zelador e se prepara para ir embora.
Mas o zelador o chama de volta. “Você não quer conhecer a quinta história?”
A quinta história está acontecendo neste exato momento, enquanto os dois conversam.
O zelador revela aos poucos o segredo final do Residencial Gwangnim: o líder da seita Gwangnim nunca morreu de fato. Ele sobreviveu de outra forma, por meio deste mesmo prédio. O prédio inteiro é o “corpo” do líder, e cada pessoa que se muda para cá acaba devorada, transformada em alimento. As histórias de fantasmas não pertencem ao passado: estão acontecendo agora.
O zelador é o “mensageiro” do líder. Sua tarefa é cuidar do prédio e atrair, sem descanso, novas presas. E Ji-woo, o cartunista que veio por vontade própria, é a presa mais recente.
Ji-woo descobre, apavorado, que já não consegue sair do prédio. O corredor se estende ao infinito, as escadas levam a andares que não existem, a saída desaparece do nada. No rosto do zelador surge um sorriso carregado de significado.

O final
No fim do filme, Ji-woo está sentado em algum quarto do Residencial Gwangnim, com a prancheta de desenho à frente. Seu olhar está vazio e a mão desenha de forma mecânica. O que ele desenha são exatamente as histórias que o zelador lhe contou.
Um novo visitante empurra a porta do prédio. O zelador o recebe na entrada, com um sorriso no rosto.
O ciclo recomeça.