We Made a Beautiful Bouquet
De uma sintonia total a acenos de costas: o percurso completo de Mugi Yamane e Kinu Hachiya, desde o encontro depois de perderem o último trem até a separação em paz após cinco anos de vida juntos, com o final explicado
Título
We Made a Beautiful Bouquet
花束みたいな恋をした
Ano / Duração
2021 · 124 minutos
Gênero
Drama / Romance
Direção
Nobuhiro Doi
Roteiro
Yûji Sakamoto
Avaliação
Elenco
Masaki Suda (como Mugi Yamane), Kasumi Arimura (como Kinu Hachiya), Kaya Kiyohara (como Rin Hada), Kanata Hosoda (como Wataru Mizuno), Joe Odagiri (como Kohei Kaji)
Prêmios
45º Prêmio da Academia Japonesa: Melhor Atriz (Kasumi Arimura) e Prêmio de Excelência de Melhor Ator (Masaki Suda)
We Made a Beautiful Bouquet é um romance japonês dirigido por Nobuhiro Doi e escrito por Yûji Sakamoto, estrelado por Masaki Suda e Kasumi Arimura, com Kaya Kiyohara, Kanata Hosoda e Joe Odagiri, entre outros no elenco. O filme estreia no Japão em 29 de janeiro de 2021, dura 124 minutos e acompanha a história completa de um jovem casal, desde que se conhece, em 2015, até a separação cinco anos depois.
Em 7 de outubro de 2026, o filme tem nota 7,5 no IMDb (5.168 avaliações). A nota está em uma faixa alta e a recepção geral é positiva.
O último trem da estação Meidaimae
Em 2020, Mugi Yamane e Kinu Hachiya chegam com seus novos parceiros ao mesmo restaurante. De mesas diferentes, os dois ouvem um jovem casal falar sobre dividir um fone de ouvido e apontam, ao mesmo tempo, que os canais esquerdo e direito não são iguais. Ao chegarem ao saguão, descobrem que o outro também está ali, trocam um olhar rápido e voltam cada um para a sua mesa, sem conversar. A história então volta cinco anos.

Em 2015, Mugi e Kinu ainda são universitários e os dois perdem o último trem da linha Keiō na estação Meidaimae. Eles acompanham outras pessoas que ficaram sem trem para passar o tempo num lugar próximo e depois se sentam juntos para conversar. Falam de livros, filmes, música e exposições, e descobrem uma coincidência atrás da outra nos autores, nas obras e no estilo de vida de que gostam. Ao amanhecer, trocam contatos, o que deixa aberta a possibilidade de que esse encontro casual continue.

Os gostos em comum viram amor
Mugi e Kinu começam a se ver com frequência. Nos encontros, trocam livros e músicas, visitam exposições e assistem a filmes juntos; também se empolgam quando reconhecem ao mesmo tempo alguma obra pouco conhecida. O jeito de se vestir, os tênis de lona e a maneira de observar as coisas são muito parecidos, e eles quase sempre entendem o que o outro quer dizer sem precisar explicar.

Depois de visitar uma exposição de múmias, Mugi declara seus sentimentos a Kinu, e ela aceita. Os dois registram em seus próprios diários os momentos do dia a dia do namoro e também vão juntos à praia, a restaurantes e a passeios. No início do namoro, acreditam que, enquanto mantiverem a vida que têm, poderão continuar sempre como são naquele momento.

A vida juntos à beira do rio Tama
Depois de se formarem na universidade, os dois não entram de imediato em empregos estáveis; trabalham meio período e se mudam para uma casa alugada às margens do rio Tama, na cidade de Chōfu. O lugar não é grande, mas abriga os livros, os discos e os objetos de casa que escolhem juntos. Eles encontram uma padaria de que gostam e adotam um gato preto, chamado Barão.

Mugi ganha dinheiro com trabalhos de ilustração esporádicos, e Kinu trabalha meio período numa sorveteria e em outros lugares. Eles cozinham, tomam banho de banheira, leem e cada um trabalha em casa. Mesmo com a renda baixa, a vida deles continua sustentada pelos interesses em comum e pelo tempo juntos; as dúvidas sobre o futuro existem, mas ainda não mudaram a relação.

Do trabalho autônomo ao emprego estável
As famílias dos dois começam a pedir que pensem numa renda estável. Kinu passa a trabalhar numa clínica odontológica, enquanto Mugi continua tentando conseguir encomendas de ilustração. Eles ainda leem e compartilham obras novas, mas as despesas da vida e as perspectivas de carreira ocupam cada vez mais as conversas.


Para dar estabilidade à vida que dividem, Mugi abandona a ilustração e entra numa empresa como vendedor. Ele veste terno, acompanha o chefe nas tarefas do escritório e começa a lidar com metas e horas extras. Essa escolha traz renda fixa ao casal, mas tira de Mugi o tempo que antes dedicava a ler, jogar e ficar com Kinu.

Duas rotinas que se afastam aos poucos
O trabalho de Mugi fica cada vez mais corrido, e o deslocamento, os compromissos de trabalho e as horas extras se tornam rotina. Quando chega em casa, o cansaço faz com que ele muitas vezes deixe de se interessar por livros e filmes novos, e os hobbies que antes compartilhava com Kinu vão sendo abandonados um a um. Ela ainda quer manter seus interesses pessoais e o tempo para encontrar os amigos, e começa a procurar um trabalho mais próximo do que deseja.

Mais tarde, Kinu pede demissão de um emprego que não combina com ela e, convidada por um conhecido, entra numa empresa de produção de eventos, para fazer algo mais ligado aos seus interesses. Ela não conta nada a Mugi antes; ele só descobre a mudança ao voltar para casa, se preocupa com a renda e a estabilidade do novo trabalho e sente que está carregando sozinho a pressão de sustentar a vida dos dois. Os dois têm uma discussão intensa. Kohei Kaji, responsável pela empresa, continua a trabalhar com Kinu e também a ouve falar da vida parada que ela leva.
Os dois não deixam de se importar um com o outro de repente; os horários, os valores e as formas de se comunicar é que vão se desencontrando. Mugi vê o trabalho árduo como a maneira de sustentar o futuro dos dois, mas Kinu percebe que eles quase já não vivem de verdade juntos. As discussões sobre trabalho, interesses e horário de voltar para casa aumentam, e a rotina que antes combinava com tanta facilidade se transforma em espera e silêncio.

A última conversa depois do casamento
Em 2019, os dois vão ao casamento de amigos em comum. Depois da cerimônia, voltam ao restaurante do primeiro encontro e decidem conversar francamente sobre a relação. Mugi propõe casamento, na esperança de que, mesmo sem o calor do começo do namoro, os dois possam se tornar uma família que divide a vida; Kinu não quer prolongar com o casamento uma relação que já mudou e propõe terminar.

No restaurante, por coincidência, está sentado um jovem casal que acabou de se conhecer. Os dois falam das mesmas obras de que Mugi e Kinu gostavam na época e usam tênis brancos de lona parecidos, o que faz Mugi e Kinu enxergarem a si mesmos cinco anos antes. Kinu sai chorando do restaurante e Mugi corre atrás dela e a abraça; os dois ainda se amam, mas entendem que não podem voltar à vida de quando se conheceram, e então confirmam o fim do relacionamento de cinco anos.

O final
Nos três meses seguintes ao término, Mugi e Kinu continuam morando juntos, organizam com calma os livros e os móveis e conversam sobre a mudança e sobre o destino do gato preto Barão. No fim, Mugi fica para cuidar de Barão, e os dois se ajudam a deixar a casa que dividiam. A vida que um dia coincidiu é desmontada peça por peça, e eles não transformam a despedida final em mais uma briga.
A história volta a 2020. Mugi e Kinu já têm novos parceiros e ficam em silêncio ao se cruzarem do lado de fora do restaurante, mas, depois de se afastarem, os dois acenam ao mesmo tempo, de costas um para o outro.

À noite, cada um volta para a sua própria vida. Mugi vê no computador imagens de ruas e descobre, por acaso, uma cena de anos antes em que ele e Kinu caminham lado a lado à beira do rio Tama; a imagem guarda a relação que já terminou naquele instante comum.