Era uma Vez em Tóquio
Um casal de idosos viaja a Tóquio para visitar a família, mas não encontra onde ficar em meio à vida atribulada dos filhos: um relato completo da viagem dos Hirayama, da morte de Tomi, da volta de Noriko a Tóquio e da vida de Shūkichi após perder a esposa.
Título
Era uma Vez em Tóquio
東京物語
Também conhecido como: Viagem a Tóquio (Portugal)
Ano / Duração
1953 · 137 minutos
Gênero
Drama / Família
Direção
Yasujirō Ozu
Roteiro
Kōgo Noda, Yasujirō Ozu
Avaliação
Elenco
Chishū Ryū (como Shūkichi Hirayama), Chieko Higashiyama (como Tomi Hirayama), Setsuko Hara (como Noriko Hirayama), Haruko Sugimura (como Shige Kaneko), Sō Yamamura (como Kōichi Hirayama), Kyōko Kagawa (como Kyōko Hirayama)
Prêmios
Primeiro Troféu Sutherland (1958)
Era uma Vez em Tóquio é um drama familiar japonês dirigido por Yasujirō Ozu e escrito por ele em parceria com Kōgo Noda. O elenco inclui Chishū Ryū, Chieko Higashiyama, Setsuko Hara, Haruko Sugimura, Sō Yamamura e Kyōko Kagawa. Produzido pela Shochiku, o filme estreou no Japão em 3 de novembro de 1953 e tem cerca de 137 minutos de duração; em 1958, recebeu em Londres o primeiro Troféu Sutherland.
Em 26 de outubro de 2026, o filme tinha nota 8,1 no IMDb, com 79.206 avaliações; o Rotten Tomatoes reunia 52 críticas profissionais, com 100% de aprovação, e registrava um índice de 93% do público. Tanto a recepção da crítica quanto a do público são extremamente positivas, com avaliações muito altas.
O casal de idosos viaja de Onomichi a Tóquio
O aposentado Shūkichi Hirayama e sua esposa, Tomi, moram em Onomichi com a filha mais nova, Kyōko, que trabalha como professora em uma escola primária local. Os outros filhos do casal já saíram de casa: o mais velho, Kōichi, mantém uma clínica em Tóquio; a filha mais velha, Shige, administra um salão de beleza na cidade; e o terceiro filho, Keizō, trabalha em Osaka. O segundo filho, Shōji, desapareceu durante a guerra e foi dado como morto, enquanto sua esposa, Noriko, vive sozinha em Tóquio.

Shūkichi e Tomi arrumam as malas e pegam o trem para Tóquio a fim de visitar os filhos. Eles estão cheios de expectativa com a longa viagem e também pretendem entrar em contato com Keizō ao passar por Osaka. Ao chegar a Tóquio, hospedam-se primeiro na casa de Kōichi e passam um tempo com os netos, que não viam havia muito tempo.

A família de Kōichi não tem tempo para acompanhá-los
Kōichi e sua esposa, Fumiko, mantêm uma clínica nos arredores de Tóquio, e seus dois filhos também têm suas próprias rotinas. A família planeja levar os pais para passear pelo centro da cidade no domingo, mas Kōichi recebe de última hora um chamado para atender um paciente e precisa cancelar o passeio. Tomi não o repreende; em vez disso, leva o neto para caminhar pelas redondezas, enquanto Shūkichi fica esperando em casa.

Depois, o casal se muda para a casa de Shige. O salão de beleza dela também vive cheio, e Shige atende as clientes enquanto conversa com o irmão sobre como organizar a estadia dos pais. Os irmãos não se recusam a cuidar dos idosos, mas nenhum dos dois quer alterar o ritmo do trabalho e da família, por isso os pais passam a maior parte do tempo em Tóquio sentados, descansando dentro de casa.

Noriko reserva um tempo para mostrar a cidade aos idosos
Quem realmente encontra tempo para acompanhar o casal é Noriko. Ela pede folga no escritório, leva Shūkichi e Tomi para conhecer Tóquio em um ônibus turístico e também os convida para seu pequeno apartamento. O quarto de Noriko é apertado e ela tampouco vive com folga, mas prepara chá e petiscos com todo o cuidado e conversa com os sogros sobre Shōji, seu marido desaparecido há muitos anos.

Ao ver que a fotografia de Shōji ainda está no quarto de Noriko, Tomi percebe que ela não voltou a se casar durante todos esses anos. Noriko não considera encerrado seu vínculo com a família Hirayama e continua cuidando dos dois como nora. Sua dedicação contrasta nitidamente com a pressa dos filhos biológicos, e Tomi começa a temer que Noriko continue vivendo sozinha por permanecer presa ao passado.
A viagem a Atami termina antes do previsto
Kōichi e Shige dividem as despesas para mandar os pais a uma hospedaria de águas termais em Atami, na esperança de que o arranjo permita que os idosos descansem e, ao mesmo tempo, resolva o problema de não haver quem lhes faça companhia. Muitos jovens estão hospedados no local, e as canções, conversas e partidas barulhentas de mahjong se prolongam pela noite, impedindo Shūkichi e Tomi de dormir.

No dia seguinte, sentados à beira-mar, os dois conversam e decidem voltar mais cedo para Tóquio. Tomi sente uma tontura ao se levantar, mas logo se recupera. Quando retornam à casa de Shige, descobrem que a filha dará uma reunião em casa naquela noite e não havia reservado espaço para os pais, que voltaram antes do esperado. O casal não tem alternativa senão sair com a bagagem e percorrer as ruas de Tóquio enquanto decide onde cada um passará a noite.
Eles passam a noite separados e encaram a decepção
Shūkichi vai procurar velhos amigos de Onomichi que se mudaram para Tóquio, enquanto Tomi se hospeda no apartamento de Noriko. Shūkichi bebe em um bar com dois amigos; os três falam sobre os próprios filhos e admitem que a vida deles depois de adultos não correspondeu por completo às expectativas que os pais tinham no passado. Shūkichi fica bêbado demais para voltar sozinho, e a polícia acaba levando-o, junto com um dos amigos, ao salão de beleza de Shige.

Enquanto isso, Tomi passa um tempo a sós com Noriko. Ela aconselha a nora a parar de esperar por Shōji, encontrar um novo companheiro e reconstruir sua vida. Noriko confessa que nem sempre pensa no marido e que, por isso, sente culpa. Tomi não a repreende; deseja apenas que a nora, que não é sua filha biológica, possa ser feliz no futuro.

Tomi adoece durante a viagem de volta
Shūkichi e Tomi decidem deixar Tóquio antes do planejado. Antes de partir, ainda demonstram estar satisfeitos com os filhos e não expressam diretamente a decepção causada pela visita. Quando o trem se aproxima de Osaka, Tomi passa mal de repente, e os dois precisam desembarcar e passar uma noite na casa de Keizō antes de voltar a Onomichi, depois que ela se recupera um pouco.

Pouco depois de voltar para casa, o estado de Tomi piora rapidamente. Kyōko envia um telegrama aos irmãos, e Kōichi, Shige e Noriko chegam um após o outro a Onomichi. Keizō não consegue chegar a tempo por estar viajando a trabalho e, quando retorna, sua mãe já morreu. Shūkichi conta aos filhos que Tomi nunca mais despertou depois de perder a consciência.
A partida apressada depois do funeral
No funeral, a família finalmente se reúne outra vez. Depois da cerimônia, Kōichi e Keizō logo decidem voltar aos locais onde trabalham, enquanto Shige pergunta se pode levar algumas roupas da mãe como lembrança. Kyōko observa os irmãos organizando às pressas a viagem de volta e se irrita porque eles ainda querem partir tão rapidamente mesmo após a morte da mãe.

Noriko não parte de imediato. Ela fica para ajudar a organizar tudo e ouve Kyōko acusar os irmãos de egoísmo. Noriko reconhece que a decepção de Kyōko tem fundamento, mas também explica que cada pessoa passa gradualmente a dar prioridade à própria vida e que a distância entre pais e filhos costuma se formar dessa maneira. Ela não tenta defender os outros como filhos dedicados; apenas aconselha Kyōko a não julgá-los de maneira simplista.

O final
Depois que Kyōko vai dar aula, Noriko se prepara para voltar a Tóquio no trem daquela tarde. Shūkichi se despede dela a sós, agradece pelos cuidados que ela teve com o casal em Tóquio e durante o funeral e diz francamente que Noriko os tratou melhor do que os próprios filhos. Ela nega ser tão boa e admite que pensa cada vez menos em Shōji, a ponto de às vezes passar o dia inteiro sem se lembrar dele.

Shūkichi não a repreende por isso e volta a aconselhá-la a se casar. Como lembrança, entrega a Noriko o relógio que Tomi usava em vida. Noriko aceita o relógio em lágrimas e admite que também costuma se sentir solitária. No trem de volta, ela tira o relógio e o contempla; ao mesmo tempo, Shūkichi permanece sentado sozinho em sua casa em Onomichi. Quando uma vizinha aparece para cumprimentá-lo, ele diz que, embora Tomi fosse teimosa, deveria tê-la tratado melhor se soubesse que acabaria sozinho. Barcos passam pela água diante da janela enquanto Shūkichi continua a enfrentar a vida depois de perder a esposa.