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O Homem da Terra

Uma festa de despedida se transforma em um questionamento que atravessa catorze mil anos: um panorama completo do relato de John sobre sua longevidade, das dúvidas científicas e religiosas de seus colegas e da relação entre pai e filho revelada no final.

Título

O Homem da Terra

The Man from Earth

Ano / Duração

2007 · 87 minutos

Gênero

Drama / Ficção científica

Direção

Richard Schenkman

Roteiro

Jerome Bixby

Avaliação

Elenco

David Lee Smith (como John Oldman), Tony Todd (como Dan), John Billingsley (como Harry), Ellen Crawford (como Edith), Annika Peterson (como Sandy), William Katt (como Art), Alexis Thorpe (como Linda), Richard Riehle (como Will Gruber)

Prêmios

Festival Internacional de Cinema de Rhode Island de 2007: Grande Prêmio de Melhor Roteiro e Primeiro Prêmio de Melhor Longa-Metragem

O Homem da Terra
Um homem de cabelos escuros está sentado ao lado de uma picape branca e olha para fora do quadro Uma caixa de papelão aberta contém livros, certificados e documentos com um nome Várias pessoas estão sentadas ao redor da lareira de uma sala, enquanto um homem mais próximo mantém a cabeça baixa Dois homens estão sentados lado a lado diante de uma parede de pedra; um deles se vira enquanto conversa Um homem de chapéu ergue um copo verde, enquanto duas pessoas ao lado olham para ele Um homem de cabelos brancos e uma jovem com uma faixa na cabeça estão sentados diante da lareira e olham na mesma direção
Aviso de spoilers: O texto a seguir conta a história inteira, as reviravoltas e o final. Você pode pular pelos capítulos até a parte que quer relembrar.

O Homem da Terra é um drama de ficção científica norte-americano dirigido por Richard Schenkman e escrito por Jerome Bixby, com David Lee Smith, Tony Todd, John Billingsley, Ellen Crawford e Annika Peterson, entre outros, no elenco. Lançado em 2007, o filme tem 87 minutos de duração e se passa principalmente em uma casa nos arredores da cidade, onde uma conversa contínua conduz a história.

Em 28 de outubro de 2026, o filme tem nota 7,8 no IMDb, com 222.260 avaliações; no Rotten Tomatoes, registra 100% de aprovação da crítica, com 5 resenhas, e 85% de aprovação do público, com mais de 10.000 avaliações. As notas do público estão em faixas relativamente altas, embora a amostra de críticas profissionais seja pequena.

Uma partida a cada dez anos

John Oldman, professor universitário de História, coloca móveis, livros e lembranças em uma picape, preparando-se para deixar a instituição onde trabalha há dez anos. Ele não se despede dos colegas com antecedência, mas Harry, professor de Biologia; Dan, antropólogo; Edith, professora de História da Arte; e Sandy, historiadora, chegam um após o outro à casa para organizar uma festa de despedida improvisada.

Um homem de cabelos escuros está sentado ao lado de uma picape branca e olha para fora do quadro

Ninguém entende por que John pede demissão de repente. Entre os pertences dele, Edith encontra um quadro que parece ser de Van Gogh e que traz no verso uma dedicatória em francês a “Jacques Borne”; John não admite de imediato que se trata de uma obra original. Quando Art, um arqueólogo, e sua aluna Linda também chegam, os amigos continuam perguntando para onde ele vai e por que está partindo.

Uma caixa de papelão aberta contém livros, certificados e documentos com um nome

John finalmente explica que precisa se mudar depois de passar cerca de dez anos em qualquer lugar, pois, se ficar mais tempo, alguém percebe que sua aparência não muda. Dessa vez, algumas pessoas já notaram que ele está quase igual a dez anos atrás. Ele não revela qual será seu próximo destino e apenas se prepara para partir o mais rápido possível.

A hipótese de catorze mil anos

John apresenta primeiro sua experiência como uma hipótese: o que aconteceria se um homem do Paleolítico Superior sobrevivesse até os dias atuais e sua aparência tivesse parado de envelhecer? Os amigos pensam que ele está elaborando uma história de ficção científica e exploram a premissa a partir de suas respectivas especialidades. Em seguida, John deixa de falar em termos hipotéticos e admite que ele é o homem da história.

Várias pessoas estão sentadas ao redor da lareira de uma sala, enquanto um homem mais próximo mantém a cabeça baixa

Ele afirma que nasceu há cerca de catorze mil anos e que, desde então, vive migrando e mudando de identidade. Sua longa vida não lhe permite recordar todas as experiências; suas lembranças se apagam como as de qualquer outra pessoa, e ele só consegue observar o que acontece perto dos lugares onde está. Por isso, não pode completar a história a partir de uma perspectiva onisciente e só responde sobre aquilo que viveu.

Dois homens estão sentados lado a lado diante de uma parede de pedra; um deles se vira enquanto conversa

Harry pergunta sobre células e doenças de uma perspectiva biológica. John só pode supor que seu corpo possui uma capacidade de regeneração extraordinariamente eficiente e admite que nunca encontrou alguém como ele. Art, por sua vez, testa o relato com conhecimentos sobre culturas pré-históricas e arqueologia. As respostas de John não contradizem o que se sabe, mas também poderiam ter vindo de livros; assim, o grupo não consegue comprovar nem refutar por completo sua história.

Identidades ao longo da história e relações que não podem perdurar

John continua narrando suas migrações. Ele vive cerca de dois mil anos na região da Suméria, mais tarde está na Babilônia da época de Hamurábi e então segue para o leste, até a Índia, onde entra em contato com os ensinamentos de Sidarta Gautama. Também diz que teve a oportunidade de navegar com Cristóvão Colombo, mas não embarcou porque ainda acreditava que havia perigos nos confins do oceano.

Um homem de chapéu ergue um copo verde, enquanto duas pessoas ao lado olham para ele

O quadro também faz parte de seu relato: John diz que conheceu Van Gogh usando o nome “Jacques Borne” e que a pintura é uma obra original que o artista lhe deu. Art e Linda continuam céticos, pois consideram que todos esses detalhes poderiam ter sido organizados depois de uma pesquisa; Dan observa que, enquanto a versão de John não apresentar contradições verificáveis, eles só podem continuar ouvindo.

Um homem de cabelos brancos e uma jovem com uma faixa na cabeça estão sentados diante da lareira e olham na mesma direção

Durante uma pausa na conversa, Sandy revela seus sentimentos a John. Ele também se importa com ela, mas não quer prometer um relacionamento duradouro: enquanto não envelhecer, acabará tendo de partir antes que os outros percebam a anomalia. Ele se recusa a fazer Sandy enfrentar o mesmo desfecho e tampouco quer prendê-la com a promessa de um futuro que não pode cumprir.

Ao lado de uma lareira, um homem está de pé com a cabeça baixa, enquanto uma mulher sentada na penumbra olha para ele

O interrogatório de Will e a arma

Preocupado com o estado mental de John, Art telefona para o professor de Psicologia Will Gruber e pede que ele vá até a casa. Will não aceita de imediato o relato como fato, mas interroga John do ponto de vista psicológico: como ele suporta a morte de gerações de parentes e amigos, se sente culpa por abandonar os outros repetidamente e por que decide revelar seu segredo justamente naquela reunião.

Ao falarem sobre a morte, Will perde rapidamente o controle das emoções. Ele saca uma pistola e aponta para John, tentando obrigá-lo a admitir que a história é um delírio. A arma está descarregada, e Will logo deixa a casa; em seguida, Harry conta a John que a esposa de Will morreu no dia anterior, depois de uma longa doença, e que o tema da imortalidade tocou diretamente a dor de seu luto recente.

Um homem mais velho está parado à porta e estende a mão segurando uma pistola

Um homem mais velho de barba branca está sentado na penumbra e olha para a frente

John sai atrás de Will para falar com ele. Mais tarde, Will volta à casa e pede desculpas pelo que fez, mas ainda considera que John precisa passar por uma avaliação profissional. Art e Edith ficam cada vez mais irritados, enquanto Harry, Dan, Sandy e Linda se mostram mais dispostos a ouvir o restante da história.

Dos ensinamentos de Buda à história de Jesus

Quando a conversa passa para a religião, John diz que não pertence a nenhuma e que também não pode confirmar a existência de um Deus onipotente. Ele afirma que, depois de deixar a Índia, levou para o leste do Império Romano as ideias que aprendera com Buda e tentou difundi-las de uma forma que as pessoas da época pudessem compreender. Ele admite ainda que é o homem que mais tarde passa a ser chamado de Jesus; depois de ser crucificado, sobrevive graças às técnicas de controle da respiração e da dor que aprendeu na Índia, e as pessoas transformam essa sobrevivência na história da ressurreição. Com a transmissão oral, os registros e as reescritas, o restante de suas experiências também é gradualmente incorporado à história de Jesus.

Uma mulher com um colete estampado está sentada diante de uma parede de pedra e olha com tensão para o lado

Edith, uma cristã devota, não consegue aceitar essa afirmação. Ela exige que John retire o que disse e chora com o abalo de sua fé. Os outros também levantam questões a partir da história, da psicologia e da transmissão dos textos, e a conversa antes amistosa se transforma pouco a pouco em um interrogatório coletivo de John.

Cinco pessoas estão reunidas em uma sala escura; três estão sentadas e duas permanecem de pé ao fundo

Will exige que John encerre a história imediatamente ou tomará medidas para colocá-lo sob observação psiquiátrica. Para não continuar magoando os amigos, John muda sua versão e diz que tudo foi uma brincadeira improvisada. Edith se sente aliviada, Art ainda não está disposto a perdoá-lo, e Harry, Dan, Sandy e Linda não acreditam por completo nessa retratação.

Um homem de cabelos escuros está de pé do lado de fora, na penumbra, com o perfil iluminado por uma luz tênue

O final

Quando a reunião termina, os colegas vão embora um após o outro. John pede desculpas separadamente a Harry e Edith, Art parte com Linda, e Dan se despede sem descartar a possibilidade de acreditar nele. No fim, restam apenas Sandy e Will, que voltou para o lado de fora da casa.

Enquanto continua conversando com Sandy, John menciona alguns dos nomes que usou no passado. Um deles pertenceu, mais de sessenta anos antes, a um professor de Química de Harvard. Will fica profundamente chocado ao ouvi-lo, pois esse é o nome de seu pai, que abandonou a família e desapareceu para sempre.

Um homem mais velho de barba branca franze a testa e olha para a frente

Will faz uma série de perguntas sobre detalhes familiares que apenas seu pai poderia conhecer, e John responde a todas. John também reconhece que o idoso diante dele é o filho que não vê há muitos anos e que agora envelheceu. Abalado pela confirmação, Will sofre um ataque cardíaco, cai e acaba morrendo nos braços de John. Os paramédicos levam o corpo, e John vê pela primeira vez um de seus filhos adultos morrer diante dele.

John então entra na picape e vai embora sozinho, rumo a uma nova identidade e outro lugar. Depois de percorrer certa distância, ele muda de ideia, para e espera por Sandy. Sandy caminha até a picape, pronta para seguir viagem com John.

Na escuridão da noite, uma mulher e um homem estão de pé junto à traseira aberta de um veículo