Efeito Borboleta
Voltar ao passado e mudar tudo levaria a um final melhor?: sinopse completa de Efeito Borboleta, sobre um jovem com o poder de viajar no tempo que volta várias vezes à infância para tentar corrigir cada lembrança traumática, mas descobre que cada mudança provoca uma reação em cadeia ainda mais catastrófica
Título
Efeito Borboleta
The Butterfly Effect
Ano / Duração
2004 · 113 minutos
Gênero
Drama / Ficção científica / Mistério / Suspense
Direção
Eric Bress, J. Mackye Gruber
Roteiro
J. Mackye Gruber / Eric Bress
Avaliação
Elenco
Ashton Kutcher, Amy Smart, Elden Henson, William Lee Scott, Melora Walters
A infância de Evan Treborn (Ashton Kutcher) é marcada pela escuridão. Ele sofre com frequência “apagões de memória”: toda vez que acontece um grande trauma em sua vida, a memória dele fica em branco. O médico recomenda que ele escreva um diário para registrar o dia a dia e ajudar a recuperar as lembranças. Assim, desde pequeno, Evan adquire o hábito de anotar tudo em detalhes, e os cadernos, um após o outro, tornam-se as testemunhas fiéis da infância dele.
Evan cresce ao lado de outras crianças: Kayleigh Miller (Amy Smart), a garota por quem ele é apaixonado em segredo; Tommy, o irmão de Kayleigh; e Lenny, o amigo de todos. A infância desse grupo está longe de ser tranquila. George Miller, o pai de Kayleigh e Tommy, é um pedófilo que obriga a pequena Kayleigh e Evan a gravar vídeos de pornografia infantil; Tommy, de temperamento violento, queima vivo o cachorro de Evan, Crockett, na frente das outras crianças; e, durante uma brincadeira, o grupo detona sem querer uma bomba de dinamite que mata uma mãe e o bebê dela. Toda vez que acontece um desses traumas, Evan tem justamente um “apagão”.
Mais perturbadora ainda é a história da família de Evan. O pai dele, Jason Treborn, é um paciente internado em um hospital psiquiátrico. Durante uma visita na infância de Evan, Jason o agarra de repente pelo pescoço e tenta matá-lo, até ser contido pelos guardas e morto a pancadas.

A descoberta da viagem no tempo
Já adulto, Evan entra na faculdade e, na aparência, deixou para trás as sombras da infância. Até que, um dia, no quarto do alojamento, ele volta a abrir aqueles diários guardados havia anos. Enquanto lê com atenção o trecho sobre uma lembrança de infância, acontece algo incrível: a consciência dele é puxada para o passado, até o momento exato em que aquela lembrança aconteceu, e passa a ocupar o corpo do Evan criança.
Ele descobre que aqueles “apagões” da infância nunca foram uma perda real de memória: nesses momentos, a consciência do Evan do futuro tomava o lugar da dele. E, mais importante, ele pode fazer escolhas diferentes no passado, e, quando volta ao presente, toda a realidade se reorganiza a partir dessa mudança.
Evan fica empolgadíssimo. Finalmente tem o poder de mudar tudo.

A primeira viagem: salvar Kayleigh
O que desencadeia a primeira viagem de Evan é uma péssima notícia: Kayleigh se suicidou. Sem contato com Kayleigh havia anos, ele descobre que ela nunca conseguiu superar o trauma de ter sido abusada pelo pai na infância e acabou tirando a própria vida.
Devastado, Evan abre o diário e volta ao momento decisivo: o porão onde George Miller o obrigou, junto com Kayleigh, a gravar os vídeos. Desta vez, o pequeno Evan toma coragem e faz uma ameaça a George, e consegue impedir o abuso.
Quando acorda, Evan se vê em uma realidade totalmente nova: ele e Kayleigh são um casal na faculdade, felizes e apaixonados. Tudo parece perfeito.
Mas a borboleta bateu as asas. George não encosta em Kayleigh, mas volta a violência contra o filho, Tommy. Nessa linha do tempo, Tommy sofre maus-tratos do pai desde pequeno e se torna um adulto extremamente violento e perturbado. Quando Tommy ataca Evan com uma faca, Evan o mata sem querer durante a luta e é condenado à prisão.

A segunda viagem: a luta na prisão
Na prisão, Evan usa o diário mais uma vez para voltar ao passado. Agora o objetivo dele é impedir que Tommy queime o cachorro Crockett: ele tenta mudar esse episódio para evitar que Tommy siga o caminho da violência.
Só que, nessa nova linha do tempo, Lenny, que vivia sendo humilhado por Tommy, não aguenta mais e o mata com um pedaço de metal. Ao voltar ao presente, Evan descobre que Lenny foi internado em um hospital psiquiátrico por causa do assassinato e vive consumido pela culpa e em colapso; já Kayleigh, abalada pela morte do irmão, se abandonou, tornando-se viciada em drogas e prostituta.
Cada correção provoca um novo desastre. Evan salva uma pessoa, e outra cai no abismo.
A terceira viagem: o incidente da dinamite
Evan volta ao fatídico acidente com a dinamite. Ele tenta salvar a mãe e o bebê: se ninguém morrer nesse acidente, talvez tudo seja diferente.
Nessa linha do tempo, Tommy se adianta e protege a mãe e a criança com o próprio corpo, tornando-se um herói. Mas Evan acaba atingido pela explosão, perde os dois braços e fica com deficiência. Nessa realidade, ele e Kayleigh de fato estão juntos, e ela o ama e cuida dele com dedicação. Mas a mãe de Evan, sob a enorme pressão causada pela deficiência do filho, começa a beber, desenvolve um câncer de pulmão e está à beira da morte.

A quarta viagem: o preço sem volta
Para salvar a mãe, Evan volta mais uma vez à cena do acidente. Desta vez, tenta jogar a dinamite longe antes que ela exploda. Mas Kayleigh, por acaso, corre até lá e pega a dinamite prestes a explodir: ela morre na explosão.
Cada viagem de Evan cobra um preço físico enorme. As viagens frequentes no tempo causam danos irreversíveis ao cérebro dele, o sangramento no nariz fica cada vez mais frequente e as dores de cabeça, cada vez mais fortes. Ele percebe que esse superpoder não é ilimitado: o corpo dele está sendo destruído.
O que o desespera ainda mais é entender que essa capacidade é hereditária. O pai, Jason, tinha o mesmo poder, também tentou várias vezes mudar o passado e, no fim, sofreu um colapso mental total e foi internado em um hospital psiquiátrico. Quando Jason agarrou o pescoço do filho, não foi simples loucura, mas a tentativa de um pai desesperado de acabar com aquele ciclo parecido com uma maldição.

A escolha final
Evan finalmente compreende uma verdade cruel: cada intervenção sua só cria realidades piores. A essência do efeito borboleta não é permitir que você corrija erros, e sim mostrar que a complexidade do mundo está muito além do controle de qualquer pessoa. Cada pequena mudança se espalha como uma onda e produz consequências imprevisíveis.
No final da versão de cinema, Evan faz uma última viagem. Ele volta ao dia em que conheceu Kayleigh na infância. Era uma festa de aniversário, e a pequena Kayleigh se aproxima e se apresenta com simpatia. Desta vez, Evan não sorri para ela nem se torna seu amigo: diz a ela, com raiva, palavras cruéis e a faz chorar.
Por causa disso, Kayleigh e Tommy escolhem ir morar com a mãe, em vez de ficar com o pai pedófilo. Sem os abusos do pai, Kayleigh não se suicida; sem os maus-tratos do pai, Tommy não se torna violento; Lenny não é levado ao desespero; e ninguém precisa morrer.
Evan volta ao presente. Ele e Kayleigh nunca se tornaram amigos, nunca se amaram. Ele destrói todos os diários e fitas de vídeo e abandona de vez o poder de viajar no tempo. Anos depois, nas ruas de Nova York, Evan e Kayleigh se cruzam no meio da multidão. Os dois trocam um breve olhar, com um lampejo de familiaridade, e depois cada um segue o seu caminho, desaparecendo na multidão.
O final da versão do diretor
A versão do diretor traz um desfecho ainda mais extremo e impactante. Nessa versão, Evan já tem danos cerebrais graves, perdeu todos os diários e não consegue mais viajar no tempo por meio da escrita. Mas encontra uma fita de vídeo caseira: nela, a mãe dele, grávida, aparece prestes a dar à luz.
Ao assistir a essas imagens, Evan viaja para dentro do útero da mãe. Ele enrola o cordão umbilical no próprio pescoço e acaba com a própria vida antes de nascer. No início do filme, é mencionado que a mãe de Evan teve dois abortos espontâneos antes dele, o que sugere que aqueles dois bebês que não nasceram também tinham o mesmo poder e fizeram a mesma escolha.
Uma médium disse ao Evan criança, no filme: “Você não tem linha da vida. Você não pertence a este mundo.” Na versão do diretor, essa frase finalmente ganha a sua ressonância mais completa.