Tian Fang Yi Tan
Uma loja de curiosidades que compra objetos estranhos, três histórias de arrepiar: o enredo completo de Tian Fang Yi Tan, com o relógio preso em um ciclo de morte, a bebida que realiza qualquer desejo, a lixeira que viaja no tempo e a reviravolta final de dar calafrios
Título
Tian Fang Yi Tan
Ano / Duração
2018 · 94 minutos
Gênero
Drama / Mistério / Fantasia
Direção
Haohui Zhou
Roteiro
Haohui Zhou / Yicong Fu / Xiangwu / Wenxue Du
Avaliação
Elenco
Meng Lian, Hao Liu, Lingyu Wang, Kaixiang Huang
A longa noite na loja de curiosidades
Em uma noite escura, três desconhecidos chegam, um após o outro, a uma misteriosa loja de curiosidades. O lugar está na penumbra, as velas tremulam e as prateleiras estão lotadas de objetos esquisitos. Pouco depois, o dono da loja chega de moto, com uma câmera antiga na mão. Ele explica aos três que a loja compra objetos raros do mundo todo, mas não aceita qualquer coisa: quem vende precisa contar a história por trás do objeto.
Cada um dos três trouxe algo “inacreditável”. Assim, ao longo dessa longa noite, três histórias estranhas se desenrolam uma após a outra.

Primeira história: a morte das 4h08
Uma jovem fica presa em um ciclo de morte digno de pesadelo.
No início da história, a mãe da jovem morreu. Depois do funeral, ela revive a mesma cena sem parar: a cada vez, o tempo volta ao mesmo ponto, e ela não consegue escapar da morte. No pulso, ela usa um relógio misterioso, cujo mostrador marca sempre 4h08.
A cada ciclo, a jovem tenta fazer escolhas diferentes para mudar o rumo do destino. Ela se esforça para entender se o relógio está salvando a sua vida ou empurrando-a, passo a passo, para a morte. Os óculos do pai, o telefonema do dono da floricultura, o limpador de para-brisa: cada detalhe pode ser a chave para quebrar o ciclo, ou apenas uma armadilha cuidadosamente montada pelo destino.
No fim, a jovem abre os olhos em uma cama de hospital. Na verdade, ela esteve o tempo todo em estado vegetativo. Ela vira a cabeça para o relógio da parede, e os ponteiros caminham em silêncio para as 4h45. Ela acordou de verdade? Ou é só o começo de outro ciclo? A história termina aí, deixando um final aberto de arrepiar.

Segunda história: a bebida que realiza qualquer desejo
O narrador da segunda história é um barman.
Ele trabalha em um bar e tem em mãos uma bebida especial: quem a toma vê o desejo mais forte do coração se realizar. Parece conto de fadas, mas o barman jura que é verdade. Com essa garrafa, ele faz um jogo com sete clientes.
Cada cliente faz o seu pedido, bebe o copo e espera o desejo se realizar. Mas “realizar qualquer desejo” nunca sai de graça. Por trás dos desejos aparentemente atendidos, há sempre um preço inesperado. Os anseios de cada um são atendidos com precisão, mas quase nunca do jeito que a pessoa imaginava. O barman observa tudo com frieza, como um espectador que manipula o destino.
Essa história explora o lado mais ganancioso da natureza humana: quando você pode mesmo ter tudo o que quer, tem certeza de que pensou bem?

Terceira história: a lixeira que viaja no tempo
A terceira história é a parte mais brilhante e também a mais complicada do filme inteiro.
Um casal encontra na rua uma lixeira de aparência comum. Ao levá-la para casa, os dois descobrem algo estranho: tudo o que é jogado dentro dela desaparece sem deixar rastro. No começo, eles acham que é uma brincadeira, mas logo acontece algo ainda mais esquisito: objetos começam a aparecer dentro da lixeira sem explicação, entre eles um cartão de visita que diz “Eu sei que você matou alguém”.
Por curiosidade, a esposa liga para o número do cartão e marca um encontro com um homem que se diz investigador. O investigador se interessa muito pela lixeira: ele conversa com os vizinhos e com o segurança e descobre que ela surgiu do nada na região há três ou quatro dias. Então começa a estudar o padrão da lixeira.
A verdade vem à tona aos poucos: essa lixeira não liga espaços, e sim tempos. O que é jogado agora aparece na mesma lixeira 48 horas antes. A transmissão é de mão única: só vai do futuro para o passado, nunca no sentido contrário.

Um dia, a lixeira começa a expelir coisas aterrorizantes sem parar: pedaços de um corpo esquartejado, dentro de uma mala. O marido está tão assustado que nem ousa olhar de perto, então é a esposa quem lida com esse “lixo” horrível. Entre os pedaços, ela encontra uma pista vinda do futuro e de repente entende um fato assustador: os restos vêm de 48 horas no futuro, e quem matou é ela mesma, do futuro.
Depois de se acalmar, a esposa toma uma decisão terrível. Ela percebe que, se a versão futura dela já matou e mandou o corpo para o passado (ou seja, para o presente) pela lixeira, então isso já está “predestinado” na linha do tempo. Ela decide aproveitar essa diferença de tempo para cometer o crime perfeito.
No terceiro dia, o investigador sugere que os dois coloquem os restos que saíram da lixeira em uma mala e a afundem no rio. Ao mesmo tempo, ele joga na lixeira o cartão que diz “Eu sei que você matou alguém”. Esse cartão volta 48 horas no tempo e é exatamente o que a esposa encontrou na lixeira no início. A linha do tempo se fecha aqui em um ciclo perfeito.
No quarto dia, a polícia segue o registro de compra da mala e vai até a casa investigar, mas, ao ver o marido vivo e bem, descarta a suspeita e vai embora. Isso faz parte do plano da esposa: a polícia investiga enquanto o marido ainda está vivo, de modo que, quando ela agir de verdade, a casa já tenha sido eliminada da lista de suspeitos.
No quinto dia, a esposa mata o marido, esquarteja o corpo e o joga na lixeira. Esses restos voltam 48 horas no tempo e são exatamente o “lixo” horrível que os dois encontraram no terceiro dia. Depois, ela se livra do investigador com um sedativo, coloca o corpo em outra mala e o afunda no rio.
Assim se completa o crime perfeito. Os restos do passado já estão no fundo do rio, a polícia já descartou a suspeita, e os corpos dos dois mortos desapareceram em linhas do tempo diferentes.

Quarta história: o segredo do dono da loja
As três histórias terminaram, e os três objetos estranhos já foram mostrados. Mas o dono da loja não para de sorrir.
Alguém pergunta a ele: o senhor não vai contar uma história?
O dono levanta a câmera antiga que tem na mão e diz com calma: “A minha história está sendo contada desde o momento em que vocês entraram por aquela porta.”
Só então os três percebem que, atrás do balcão, há fileiras e fileiras de casinhas em miniatura, e cada uma parece guardar algo lacrado. Dizem que a câmera na mão do dono é capaz de capturar a alma das pessoas.
Os três narradores entendem tudo de repente: eles não vieram para vender nada, eles mesmos são o que a loja veio “comprar”. A história termina aqui, deixando no público um frio profundo: o que essa loja compra nunca foram objetos raros, e sim “pessoas” com histórias.
Ao mesmo tempo, a lixeira de uma das histórias faz um novo barulho. Não se sabe em qual linha do tempo, mas algo foi jogado lá dentro de novo. A fronteira entre a história e a realidade fica totalmente borrada nesse instante.