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Paraíso Perdido

Duas pessoas de meia-idade criam uma relação secreta fora do casamento e da vida profissional e acabam morrendo juntas: um roteiro completo do encontro, da descoberta, da ruptura familiar, da demissão e do final na noite de neve de Paraíso Perdido

Título

Paraíso Perdido

失楽園

Ano / Duração

1997 · 119 minutos

Gênero

Drama / Romance / Erótico

Direção

Yoshimitsu Morita

Roteiro

Tomomi Tsutsui

Avaliação

Elenco

Kōji Yakusho (como Shoichiro Kuki), Hitomi Kuroki (como Rinko Matsubara), Akira Terao (como Kazuki Kinugawa), Toshio Shiba (como Haruhiko Matsubara), Tomoko Hoshino (como Fumie Kuki), Yoshino Kimura (como Chika)

Obra original

Romance Shitsurakuen, de Junichi Watanabe

Prêmios

21º Prêmio da Academia Japonesa: Melhor Atriz (Hitomi Kuroki) e Prêmio Revelação (Yoshino Kimura)

Paraíso Perdido
Dois homens conversam sentados em um escritório, enquanto uma mulher de óculos está em pé atrás deles Uma mulher de terninho branco vira a cabeça diante de um grande quadro escuro Um homem e uma mulher de roupas escuras estão frente a frente em uma plataforma na penumbra Um homem e uma mulher caminham de braços dados por uma rua noturna cheia de letreiros luminosos Uma jovem de expressão tensa é segurada pelos ombros, por trás, por outra mulher Um homem de óculos abraça por trás uma mulher de camisa clara
Aviso de spoilers: O texto a seguir conta a história inteira, as reviravoltas e o final. Você pode pular pelos capítulos até a parte que quer relembrar.

Paraíso Perdido é um drama romântico japonês dirigido por Yoshimitsu Morita e escrito por Tomomi Tsutsui, adaptado do romance homônimo de Junichi Watanabe e estrelado por Kōji Yakusho, Hitomi Kuroki, Akira Terao, Toshio Shiba, Tomoko Hoshino e Yoshino Kimura. Este texto trata da versão para o cinema com Kōji Yakusho e Hitomi Kuroki, não da série de TV com Ikko Furuya e Naomi Kawashima, exibida no mesmo ano. O filme estreou no Japão em 10 de maio de 1997 e tem 119 minutos de duração. Por este papel, Hitomi Kuroki ganhou o prêmio de Melhor Atriz no 21º Prêmio da Academia Japonesa, e Yoshino Kimura recebeu o Prêmio Revelação.

A nota atual do filme no IMDb é 6,7. No Rotten Tomatoes existem duas páginas duplicadas para este título: uma sem nota e outra com 60% de aprovação do público. Como as páginas ainda não foram unificadas, este texto não adota uma única porcentagem do Rotten Tomatoes. O filme gira em torno do caso extraconjugal entre Shoichiro Kuki e Rinko Matsubara e coloca lado a lado a aproximação dos dois e a linha do tempo em que família, trabalho e morte vão se fechando sobre eles. A seguir, o enredo completo, na ordem do filme.

Da redação ao setor de pesquisa

Shoichiro Kuki era o editor responsável por uma revista da editora “Gendai Shobō”. Depois de entrar em choque com o setor comercial por divergências de trabalho, é transferido para o setor de pesquisa, que organiza arquivos. Kuki, que antes cuidava ao mesmo tempo dos originais, do telefone e do trabalho dos subordinados, agora compila uma história da era Shōwa com alguns colegas, e no escritório quase só se toma chá, se lê o jornal e se conversa sobre amenidades. Ele ainda se importa com o antigo trabalho de editor e percebe claramente que foi afastado da atividade principal da empresa.

Dois homens conversam sentados em um escritório, enquanto uma mulher de óculos está em pé atrás deles

Fumie, esposa de Kuki, desenha azulejos pintados em casa, e Chika, a filha adulta do casal, já está casada. Entre os dois não há brigas violentas, mas Kuki há muito tempo coloca o trabalho antes da família, e a conversa entre eles se resume aos assuntos do dia a dia. Kinugawa, amigo de Kuki, trabalha em um centro cultural, já o convidou para dar um curso de redação e foi lá que lhe apresentou Rinko Matsubara, professora de caligrafia. Quando o filme começa, Kuki e Rinko já mantêm uma relação secreta.

O primeiro encontro no museu e as viagens secretas

Kuki se lembra de como os dois se conheceram: olhando quadros em um museu, ele esbarrou em Rinko e, ao sair, os dois dividiram um guarda-chuva dobrável sob uma chuva repentina. Mais tarde, assistem juntos a uma apresentação de teatro nō ao ar livre, e a relação passa aos poucos da sondagem para o namoro. Rinko tem trinta e oito anos, e o marido dela, Haruhiko Matsubara, é médico. Ela prepara em casa as roupas e a comida dele, enquanto ele dedica quase toda a energia ao trabalho médico; esse casamento também carece de proximidade.

Uma mulher de terninho branco vira a cabeça diante de um grande quadro escuro

Com a desculpa de ir a Kyoto consultar documentos, Kuki viaja com Rinko para Kamakura. No trem, os dois dividem lanches e, já hospedados em um hotel, passam a noite juntos. Na volta, Kuki pretende acompanhar Rinko só até a plataforma, mas acaba entrando no vagão antes de as portas se fecharem e segue viagem com ela.

Um homem e uma mulher de roupas escuras estão frente a frente em uma plataforma na penumbra

Depois, os dois vão ao jantar de premiação de caligrafia de Rinko e planejam ir a Izu ao fim da festa. Kinugawa e Midori, amiga íntima de Rinko, aparecem de surpresa no bar do hotel; Rinko fica um pouco para atendê-los e depois chega sozinha ao hotel de Izu. No dia seguinte, Kuki propõe ficar mais uma noite, e a relação entre os dois se aprofunda ainda mais. Ao deixar o hotel, continuam andando juntos pela rua como um casal de jovens apaixonados.

Um homem e uma mulher caminham de braços dados por uma rua noturna cheia de letreiros luminosos

As rachaduras nas duas famílias

O padrasto de Rinko morre de repente. Durante o velório, ela ainda assim vai escondida ao hotel encontrar Kuki. Quando sai do hotel e volta para perto da mãe, encontra a mãe agradecendo a Haruhiko pelos cuidados com o padrasto. No dia seguinte, Haruhiko tenta se aproximar de Rinko; ela se solta e sai do quarto, e a rachadura entre o casal fica à vista.

Uma jovem de expressão tensa é segurada pelos ombros, por trás, por outra mulher

Do lado de Kuki, também já não é possível manter a ordem familiar de fachada. Chika já percebeu que algo está errado entre os pais e lembra ao pai que ele deveria ser mais atencioso com Fumie. Fumie não o desmascara na hora, mas deixa de dar espaço às mentiras dele. Ao mesmo tempo, Haruhiko contrata uma agência de detetives para seguir Rinko e consegue o registro dos encontros, das refeições e dos hotéis que ela divide com Kuki. Ele entrega o material a Rinko e diz que, mesmo sabendo do caso extraconjugal, não quer se divorciar.

Um homem de óculos abraça por trás uma mulher de camisa clara

Uma mão segura uma foto em que um homem e uma mulher estão lado a lado

O quarto em Yokohama e o relatório da investigação

Kuki aluga em Yokohama um apartamento simples de um cômodo só e faz dele o lugar fixo de encontro. Eles acrescentam apenas um colchão, uma mesa baixa, uma geladeira pequena e o básico em louças, sem transformar o lugar em outra casa de família. Rinko cozinha no quarto e Kuki compra o necessário para o dia a dia; nesses encontros clandestinos, os dois se afastam por um tempo de suas respectivas famílias.

Um homem e uma mulher sentados frente a frente a uma mesa baixa com louças e uma garrafa de bebida

O material da investigação de Haruhiko muda essa situação. Rinko leva os documentos ao quarto de Yokohama, e Kuki lê página por página as datas, os restaurantes, os hotéis e até os pratos que eles pediram. Nenhum dos dois nega a relação: veem esse registro de vigilância como a vida em comum que já veio à tona. Pouco depois, é Fumie quem propõe o divórcio e diz a Kuki que a separação será para ela uma libertação. Chika confirma que a mãe tomou a decisão a sério e exige que o pai assuma a responsabilidade que lhe cabe.

A doença de Mizuguchi e a punição da empresa

Mizuguchi, antigo colega de Kuki, assume o trabalho de editor que ele deixou, mas também adoece de câncer depois que a empresa determina sua transferência. A família de Mizuguchi não conta a ele o prognóstico exato dado pelos médicos; ainda assim, quando Kuki o visita, ele já fala de quanto tempo lhe resta e sabe muito bem que a empresa não vai parar por falta de um funcionário. Ele confessa a Kuki que já pensou em deixar de viver só para o trabalho e se dedicar ao que realmente queria fazer.

Um homem de casaco escuro vira a cabeça para o lado em um ambiente interno

Pouco depois, chega à “Gendai Shobō” uma denúncia anônima acusando Kuki de ter usado o cargo de professor no centro cultural para se aproximar de Rinko e seduzi-la. Um diretor da empresa diz que não se pode acreditar totalmente na carta, mas também não se pode ignorá-la e, em seguida, com o argumento de que o projeto sobre a era Shōwa pode ser suspenso, propõe transferir Kuki para uma subsidiária. Kuki admite que sua relação com Rinko é próxima e entende que a transferência tem a ver com a carta.

Na mesma época, Rinko confessa à mãe que se apaixonou por Kuki. A mãe a acusa de trair Haruhiko e declara rompida a relação entre as duas. Quando Rinko volta ao quarto de Yokohama, conta a Kuki que perdeu a família; ele, por sua vez, mostra a denúncia anônima e explica que está prestes a perder o cargo que tem. O que era uma vida clandestina se torna um fato que nem as famílias nem os empregos deles conseguem mais acomodar.

A demissão e a decisão de morrer juntos

Rinko volta para casa para explicar a Haruhiko que a relação com Kuki não foi forçada e, antes de sair, pede que ele se cuide. Pouco depois, Mizuguchi morre. Ao sair do funeral, Kuki ouve Kinugawa dizer que o trabalho e a família continuam sendo coisas importantes na vida, mas já não aceita esses conselhos. Ele entrega a carta de demissão à empresa e recusa a transferência para a subsidiária.

Uma mulher agarra um homem pela gola da camisa, e os dois ficam frente a frente, bem próximos, em um ambiente interno

Midori sugeriu a Rinko que fosse para o exterior com Kuki e acha que, enquanto se está vivo, ainda há opções. O filme não mostra Rinko transmitindo essa proposta a Kuki; em vez disso, no apartamento de Yokohama, os dois passam a falar em morrer juntos. Eles temem que a relação vá se apagando com o tempo e começam a considerar a ideia de acabar com a própria vida ao mesmo tempo, no momento mais intenso desse amor. Kuki menciona um medicamento capaz de provocar a morte dos dois ao mesmo tempo, e Rinko aceita o plano.

Um homem e uma mulher sorriem lado a lado perto de algumas árvores

Kuki volta pela última vez à sua casa para buscar a roupa de primavera. Fumie já encarregou um advogado do divórcio; quando o pai sai, Chika pede que ele fique, mas Fumie segura a filha e não faz nada para reter Kuki. Depois de partir, Kuki pega o trem com Rinko rumo a Karuizawa, coberta por uma grande nevasca. A essa altura, os dois já encaram essa viagem como a última.

O último jantar em Karuizawa

Em uma casa isolada, Rinko prepara uma salada de cogumelos e um cozido de pato selvagem com agrião, e Kuki abre uma garrafa de vinho tinto. Ele conta a Rinko que já enviou assinado o pedido de divórcio. Os dois terminam com calma essa última refeição e depois levam o vinho, os dois copos e o frasquinho com o medicamento para o quarto.

Em uma bandeja há uma garrafa de vinho tinto, dois copos brancos e um frasquinho de remédio

Lá fora, continua nevando. O filme mostra os dois, bem vestidos e de mãos dadas, caminhando para a neve, e acompanha essas imagens com trechos em que eles recordam a infância, o casamento e o encontro. Rinko diz que se apaixonou por Kuki aos trinta e oito anos, e Kuki diz que aos cinquenta se encantou profundamente por uma mulher pela primeira vez. Essa caminhada na neve não é uma fuga real depois de deixar a casa, mas uma imagem que surge em torno do momento da morte.

Um homem e uma mulher, de mãos dadas, estão em pé diante de uma floresta coberta de neve

O final

No quarto, Kuki e Rinko bebem o vinho misturado ao medicamento, continuam abraçados e morrem ao mesmo tempo. Em seguida, o filme mostra o laudo pericial: os dois foram encontrados dentro da casa, com os corpos firmemente unidos e já em rigidez cadavérica. O texto do laudo se sobrepõe às últimas imagens dos dois e confirma que a morte resulta do plano que eles combinaram antes e executaram juntos.

Os perfis de um homem e uma mulher, cobertos pela imagem de flocos de neve, se olham

No fim, a imagem volta à cachoeira congelada. A câmera atravessa a camada de gelo e entra na escuridão, em correspondência com o início do filme, que começa com escuridão, gotas de água e uma cachoeira. O filme não prevê nenhuma sobrevivência, nenhum resgate nem nenhuma reviravolta posterior: a história de Kuki e Rinko se encerra com a morte dos dois e o laudo pericial.