A Origem
Sua mente é a última cena do crime: o enredo completo de A Origem, sobre como um ladrão de sonhos cumpre uma missão impossível em três camadas de sonho — implantar uma ideia na mente de outra pessoa — e a verdade por trás do pião que gira sem parar
Título
A Origem
Inception
Ano / Duração
2010 · 148 minutos
Gênero
Ficção científica / Ação / Mistério / Aventura
Direção
Christopher Nolan
Roteiro
Christopher Nolan
Avaliação
Elenco
Leonardo DiCaprio, Joseph Gordon-Levitt, Tom Hardy, Elliot Page, Ken Watanabe
Prêmios
83º Oscar: Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som, Melhor Mixagem de Som e Melhores Efeitos Visuais (além de outras 4 indicações, incluindo Melhor Filme)
Neste mundo, existe uma tecnologia que permite entrar nos sonhos de outras pessoas. O ladrão de sonhos profissional Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) e seu parceiro Arthur (Joseph Gordon-Levitt) vivem desse ofício: eles mergulham no subconsciente dos alvos para roubar segredos comerciais. Mas no fundo de Cobb existe um segredo mortal, que destrói todas as missões de que ele participa.

Uma proposta que não dá para recusar
No início da história, Cobb e Arthur tentam roubar informações da mente do magnata japonês Saito (Ken Watanabe), mas a missão fracassa: Saito percebe que está dentro de um sonho. Mesmo assim, Saito não os denuncia. Ele faz a Cobb uma proposta ainda maior: em vez de “roubar” uma ideia, “implantá-la”. Essa técnica se chama Inception: plantar, dentro do sonho, uma ideia estranha no subconsciente do alvo, de modo que ele pense que a ideia é dele.
O alvo é Robert Fischer (Cillian Murphy), herdeiro rico de um enorme império de energia. Saito quer que Fischer, depois de herdar a fortuna, decida por conta própria desmembrar a empresa do pai, o que acabaria com o monopólio do seu concorrente. Em troca, Saito promete usar seus contatos políticos para apagar os antecedentes criminais de Cobb. Acusado de matar a esposa, Mal (Marion Cotillard), Cobb vive no exterior há anos e não pode voltar aos Estados Unidos para ver os dois filhos.
É um acordo que Cobb não pode recusar.
Formando a equipe
Cobb começa a montar uma equipe de elite. Além do velho parceiro Arthur, responsável pela pesquisa e pela coordenação, ele recruta: Eames (Tom Hardy), o falsificador, capaz de assumir a aparência de qualquer pessoa no sonho; Yusuf (Dileep Rao), o químico, que prepara sedativos fortes o bastante para manter estáveis várias camadas de sonho; e Ariadne (Elliot Page), estudante de arquitetura, responsável por projetar a estrutura espacial dos sonhos.
No treinamento, Ariadne mostra um talento extraordinário: nos sonhos, ela consegue dobrar as ruas de Paris em formas geométricas impossíveis. Mas ela também descobre logo o perigo que Cobb esconde: no subconsciente dele, a falecida esposa Mal existe como uma “projeção” extremamente agressiva, capaz de sabotar a missão a qualquer momento.

O fantasma de Mal
Cobb e Mal já desceram juntos até o nível mais profundo do sonho, o “Limbo”, um espaço de puro subconsciente que se estende sem fim. Lá, eles passaram décadas juntos e construíram uma cidade inteira. Mas, para convencer Mal a deixar o Limbo, Cobb implantou uma ideia no fundo do subconsciente dela: “o seu mundo não é real”. Aquilo foi uma Inception.
O problema é que a ideia ficou forte demais. Ao voltar ao mundo real, Mal não conseguiu se livrar dela. Ela estava convencida de que a realidade também era falsa e de que só a “morte” poderia despertá-la de verdade. No dia do aniversário de casamento, Mal se jogou da janela de um hotel e deixou provas para incriminar Cobb, esperando que ele também “acordasse” ao pular. Assim, Cobb carregou a acusação de ter matado a esposa e foi obrigado a fugir dos Estados Unidos, separado dos dois filhos pequenos.
Essa culpa profunda mantém a projeção de Mal sempre presente no subconsciente de Cobb, como uma bomba-relógio em cada missão.
Três camadas de sonho
A operação acontece em um voo de dez horas de Sydney para Los Angeles. Yusuf aplica em Fischer um sedativo especial, e a equipe entra em três camadas de sonho encaixadas, planejadas com todo o cuidado. A cada camada que desce, o tempo passa vinte vezes mais devagar: as dez horas do mundo real equivalem a uma semana na primeira camada, a seis meses na segunda e a dez anos na terceira.
Primeira camada: a cidade sob a chuva. Controlada por Yusuf. A equipe se disfarça de sequestradores e leva Fischer, tentando arrancar dele a senha do cofre do pai. Mas o subconsciente de Fischer recebeu treinamento profissional de defesa, e muitas projeções armadas começam a atacar a equipe. Pior ainda: Saito leva um tiro durante o tiroteio e fica gravemente ferido. Como o sedativo é muito forte, morrer no sonho não faz a pessoa acordar. Ela cai no Limbo, um lugar de onde talvez nunca saia.

Segunda camada: o hotel. Controlada por Arthur. Cobb se aproxima de Fischer como protetor do subconsciente dele e o leva a acreditar que o padrinho, Browning (Tom Berenger), está tramando para tomar a herança. No sonho, Eames assume a aparência de Browning e reforça ainda mais a desconfiança de Fischer. Ao mesmo tempo, na primeira camada, Yusuf dirige a van para fora de uma ponte, e o hotel da segunda camada perde toda a gravidade. No corredor sem peso, Arthur trava uma luta de tirar o fôlego com os inimigos, e ainda precisa criar uma “sensação de queda” em gravidade zero para despertar os companheiros.
Terceira camada: a fortaleza na montanha de neve. Controlada por Eames. Fischer é conduzido a uma fortaleza militar coberta de gelo, onde há um cofre com as últimas palavras do pai dele. A equipe precisa romper as defesas sob o ataque feroz dos guardas armados e escoltar Fischer até o cofre.
O Limbo
Justo quando Fischer está prestes a abrir o cofre, a projeção de Mal aparece. Ela atira em Fischer, que cai no Limbo. Ariadne propõe um plano ousado: descer ao Limbo junto com Cobb, encontrar Fischer e trazê-lo de volta.
No Limbo, Cobb finalmente enfrenta a projeção de Mal. Ele admite a própria culpa: foi ele quem plantou na mente de Mal aquela ideia fatal, o que causou indiretamente a morte dela. Mas ele também reconhece, por fim, que a Mal à sua frente é só um fantasma da sua memória e, por mais real que pareça, não é a verdadeira Mal. Ele escolhe deixá-la ir.
Ariadne encontra Fischer e o empurra do alto de um prédio: “morrer” no Limbo faz voltar à camada anterior. Fischer volta à fortaleza de neve da terceira camada e abre o cofre. Dentro está a última cena do pai, Maurice Fischer, em seu leito de morte: da cama, o velho Fischer diz ao filho, com voz fraca, que sua decepção nunca foi Robert não ser bom o bastante, e sim Robert tentar se tornar outra pessoa. No cofre há um pequeno cata-vento, o presente que Robert deu ao pai quando era criança. Fischer chora, e decide seguir o próprio caminho, sem viver mais à sombra do pai.
A Inception deu certo.

Acordando camada por camada
Todos os “chutes” disparam ao mesmo tempo. Na primeira camada, a van dirigida por Yusuf cai na água. Na segunda, Arthur provoca o impacto com explosivos no poço do elevador sem gravidade. Na terceira, Eames faz explodir a fortaleza inteira. Os membros da equipe acordam camada por camada e voltam ao avião.
Mas Cobb continua no Limbo. Lá, ele encontra Saito, que caiu no Limbo depois de ferido e, a essa altura, já passou décadas sozinho ali, transformado em um velho à beira da morte. Cobb lembra o acordo entre os dois, e Saito pega a arma.
O pião
O avião pousa no aeroporto de Los Angeles. Fischer decide com calma desmembrar a empresa do pai. Saito faz uma ligação e cumpre a promessa. Cobb passa sem problemas pela alfândega, e o sogro, Miles (Michael Caine), o espera na saída.
Cobb finalmente volta para casa e vê os dois filhos brincando no jardim. Ele tira o pião, seu “totem”, a ferramenta que usa para distinguir sonho e realidade, e o põe para girar sobre a mesa. No sonho, o pião nunca cai; na realidade, ele acaba parando.

O pião gira rápido sobre a mesa. Cobb olha para ele por um instante e depois se vira, indo até os filhos. A câmera fica no pião girando, que parece balançar um pouco, mas a imagem corta para o preto antes de ele cair.
O filme termina. O pião parou ou não? Cobb voltou à realidade ou ficou preso para sempre no sonho? Nolan deixa essa resposta para cada espectador. Mas talvez o que realmente importa não seja se o pião parou, e sim que Cobb, pela primeira vez, escolheu não olhar o resultado: ele deixa de ficar preso à obsessão de saber “o que é real” e escolhe abraçar tudo o que tem diante de si.