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Help

Ninguém vai chegar: a história de uma jovem cuidadora e de um paciente com Alzheimer que se salvam mutuamente em um asilo abandonado durante a pandemia de covid-19

Título

Help

Ano / Duração

2021 · 98 minutos

Gênero

Drama

Direção

Marc Munden

Roteiro

Jack Thorne

Avaliação

Elenco

Jodie Comer, Stephen Graham, Ian Hart, Lesley Sharp

Help
Close no rosto de Sarah Os idosos da casa de repouso Sarah, exausta em meio à pandemia Sarah e Tony veem o pôr do sol à beira-mar Tony, sozinho, de pé na rua
Aviso de spoilers: O texto a seguir conta a história inteira, as reviravoltas e o final. Você pode pular pelos capítulos até a parte que quer relembrar.

Uma garota sem rumo

Sarah é uma jovem de Liverpool que cresceu ouvindo só “não”, sem estudo e sem rumo, e que já foi uma adolescente rebelde. Quando chega à casa de repouso Bright Sky Homes para se candidatar a uma vaga de cuidadora, ninguém espera muito dela. Mas Sarah tem um dom: sabe ouvir e perceber as emoções dos outros, justamente a qualidade de que esse trabalho mais precisa.

Close no rosto de Sarah

Conhecendo Tony

Entre os moradores da Bright Sky Homes, Tony, de 47 anos, é o que mais dá dor de cabeça a todos. Ele tem Alzheimer precoce, doença que o deixa com frequência confuso e vem acompanhada de acessos repentinos de violência. Os outros cuidadores não sabem como lidar com ele e até o evitam.

Mas Sarah é diferente. Em vez de recuar como os demais, ela dedica tempo a conhecer Tony: como ele era antes, do que gosta, o que o acalma. Aos poucos, nasce entre os dois uma confiança e uma cumplicidade verdadeiras. Com Sarah, Tony se acalma, sorri e às vezes deixa ver o lado que a doença ainda não tirou por completo: o humor, o calor humano, a teimosia.

Ao cuidar de Tony, Sarah também descobre o próprio valor. É a primeira vez na vida que sente que é boa em alguma coisa, a primeira vez que se sente necessária.

Os idosos da casa de repouso

O dia a dia na Bright Sky Homes

Além de Tony, Sarah cuida de outros moradores, entre eles o idoso Kenny. Os dias na casa de repouso são simples e aconchegantes: ela dá banho nos idosos, ajuda nas refeições, organiza atividades e conversa com eles. O salário é baixo e o trabalho é puxado, mas Sarah gosta do que faz. Aprende a acalmar pacientes ansiosos e a tranquilizar Tony durante as crises sem recorrer à força.

Os colegas passam a reconhecer o talento dela, e Steve, o diretor do centro, começa a contar com Sarah nas situações mais difíceis. Ali, ela encontra um sentimento de pertencimento.

A pandemia chega

Então vem março de 2020. O coronavírus se espalha pelo Reino Unido e tudo muda.

As casas de repouso viram o ponto mais vulnerável da pandemia. Os equipamentos de proteção prometidos pelo governo não chegam, e os cuidadores têm de usar máscaras de obra no lugar de máscaras médicas. Faltam aventais, faltam testes, faltam até produtos básicos de desinfecção. Sarah e os colegas ligam para todos os números possíveis (saúde pública, a linha 111, a emergência 999), e ninguém atende, ninguém aparece.

Mais desesperador ainda: os hospitais se recusam a receber pacientes de casas de repouso. Quando os moradores começam a ter sintomas, com tosse, febre e falta de ar, os cuidadores se veem completamente sozinhos. Só lhes resta procurar orientações de cuidado em fóruns na internet e tentar, por conta própria, cuidar dos doentes graves.

Sarah, exausta em meio à pandemia

A noite longa

O filme tem um plano-sequência de 25 minutos que acompanha o plantão noturno que Sarah faz sozinha. É a passagem mais sufocante de todo o filme.

Kenny começa a tossir com violência e a respirar cada vez com mais dificuldade. Sarah o tranquiliza enquanto liga várias vezes para a emergência, sem que ninguém responda. Ela corre pelos corredores, vai de quarto em quarto, desinfeta equipamentos e confere o estado dos outros moradores. Quando o quadro de Kenny piora de repente, ela não tem escolha a não ser pedir a Tony que ajude a mover o corpo dele, embora o próprio Tony mal entenda o que está acontecendo.

Não há médicos, não há enfermeiros, não há ambulâncias. Só Sarah, sozinha, diante das vidas frágeis de um prédio inteiro.

O slogan do filme diz: “Ninguém vai chegar.”

A fuga

Os moradores vão caindo, um após o outro. Sarah vê, impotente, partirem os idosos de quem cuidou por tanto tempo, e a única coisa que pode fazer é segurar a mão deles.

O que mais enfurece Sarah é que Steve, o diretor, troca os remédios de Tony sem consultá-la. Quando ela o confronta, ouve que o médico de família de Tony pediu a troca. Mas Sarah sabe o que isso significa: estão desistindo de Tony.

Sarah toma uma decisão desesperada. Tira Tony da casa de repouso e dirige até um trailer que a família dela tem à beira-mar.

Sarah e Tony veem o pôr do sol à beira-mar

Lá, eles passam doze dias, longe do vírus, longe da morte, longe de um sistema que já desabou. Sarah cuida de Tony, joga cartas com ele, leva-o para ver o pôr do sol. Nesse pequeno refúgio improvisado, duas pessoas abandonadas pelo mundo fazem companhia uma à outra.

Tony continua esquecendo as coisas e continua ficando confuso em certos momentos, mas sabe que Sarah está ao lado dele, e isso basta.

Encontrados

Doze dias depois, uma pessoa que passeava com o cachorro encontra os dois e chama a polícia. Os policiais chegam ao trailer, Tony é levado de volta à Bright Sky Homes e Sarah é presa.

Tony, sozinho, de pé na rua

No banco de trás da viatura, Sarah vira a cabeça de repente e olha direto para a câmera: ela quebra a “quarta parede” do filme e fala diretamente com o público. Interpela cada pessoa diante da tela: ninguém deve virar o rosto para quem mais precisa de ajuda na sociedade.

No fim do filme, aparece na tela uma série de números frios: as mortes em casas de repouso do Reino Unido no início da pandemia e a quantidade, muito insuficiente, de equipamentos de proteção fornecida pelo governo. Esta não é uma história inventada. É algo que realmente aconteceu.