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Perfeitos Desconhecidos

O celular é a caixa-preta do homem moderno: num jantar durante um eclipse lunar, sete velhos amigos colocam os celulares sobre a mesa e compartilham todas as ligações e mensagens que recebem, e a partir daí nenhum segredo está a salvo

Título

Perfeitos Desconhecidos

Perfetti sconosciuti

Também conhecido como: Amigos Amigos, Telemóveis à Parte (Portugal)

Ano / Duração

2016 · 97 minutos

Gênero

Drama / Comédia

Direção

Paolo Genovese

Roteiro

Paolo Genovese / Filippo Bologna / Paolo Costella / Paola Mammini / Rolando Ravello

Avaliação

Elenco

Marco Giallini, Kasia Smutniak, Edoardo Leo, Alba Rohrwacher, Valerio Mastandrea

Prêmios

David di Donatello 2016: Melhor Filme; recorde do Guinness de "filme com mais remakes do mundo"

Perfeitos Desconhecidos
Os sete amigos sentados ao redor da mesa Bianca fuma sozinha na varanda Dois homens conversam em voz baixa à mesa Uma foto de grupo na tela do celular: os sete que um dia foram inseparáveis Eva, Bianca e Cosimo na reunião
Aviso de spoilers: O texto a seguir conta a história inteira, as reviravoltas e o final. Você pode pular pelos capítulos até a parte que quer relembrar.

A noite do eclipse: jantar entre sete amigos

A história se passa na noite de um eclipse lunar total. Rocco, cirurgião plástico, e a esposa Eva, psicóloga, oferecem um jantar em casa e convidam três casais de velhos amigos: Cosimo e Bianca, recém-casados; Lele e Carlotta, cujo casamento de muitos anos esfriou; e Peppe, que chega sozinho e diz que a namorada está doente e não pôde vir.

Os sete se conhecem há anos e parecem inseparáveis, como se não houvesse segredos entre eles, mas o celular de cada um guarda algo que os outros ignoram.

Os sete amigos sentados ao redor da mesa

Um jogo perigoso

No meio do jantar, Eva propõe um jogo aparentemente inofensivo: todos colocam o celular sobre a mesa e, até o fim da refeição, qualquer mensagem, ligação ou e-mail que chegar deve ser revelado em público. Eva diz que o celular é a “caixa-preta” do homem moderno, porque guarda a vida inteira de uma pessoa. Se ninguém tem nada a esconder, o jogo não deveria causar incômodo algum.

Rocco é o primeiro a se opor, mas os outros aderem um a um, e os sete celulares acabam no centro da mesa. Ninguém imagina que as duas horas seguintes se tornarão uma prova cruel sobre confiança, mentira e natureza humana.

Os segredos vêm à tona, um a um

As mensagens picantes de Lele

Logo no início do jogo, Lele fica inquieto. Ele tem um segredo inconfessável: todas as noites, às dez em ponto, alguém com quem ele tem um caso lhe envia fotos explícitas. Para escapar dessa, ele propõe trocar de celular com Peppe, o único solteiro do grupo, sob o pretexto de tornar o jogo “mais emocionante”. Peppe aceita, a contragosto.

Mas Lele não imagina que, ao pegar o celular de Peppe, o espera uma surpresa ainda maior.

A verdadeira identidade de Peppe

A suposta “namorada” doente de Peppe na verdade não existe. Ele é gay e tem um namorado chamado Lucio. Quando as mensagens carinhosas de Lucio começam a chegar ao celular de Peppe, que está nas mãos de Lele, ele descobre o segredo, atônito.

Peppe esconde dos amigos a sua orientação sexual há anos, porque conhece bem a homofobia latente do grupo. Quando a verdade finalmente vem à tona na mesa, o clima gela por um momento, mas isso também obriga os presentes a encarar os próprios preconceitos.

Bianca fuma sozinha na varanda

As múltiplas traições de Cosimo

De todos os segredos, o de Cosimo é o mais sórdido. Esse marido recém-casado, que parece tão apaixonado, é na verdade um traidor compulsivo: mantém casos extraconjugais com pelo menos duas mulheres ao mesmo tempo, e uma delas, Marika, está até grávida dele.

Quando um joalheiro liga para perguntar por que uma joia ainda não foi retirada, as mentiras de Cosimo começam a rachar. Ironicamente, ele próprio se mostra extremamente hipócrita: quando suspeita que Bianca possa ter contato com um ex-namorado, ele explode de raiva, esquecendo por completo que é ele o mais infiel de todos.

E o mais assustador é isto: uma das amantes de Cosimo é justamente a anfitriã, Eva.

O cálculo de Eva

Isso explica por que Eva propôs o jogo: ela calculou com precisão que era a pessoa mais segura da mesa. Cosimo está sentado bem à sua frente e não pode ligar nem mandar mensagem para ela na frente de todos. Esse jogo aparentemente justo é, desde o início, uma aposta desigual.

Dois homens conversam em voz baixa à mesa

O segredo de Carlotta

Carlotta também não é tão inocente quanto parece. Ela flerta on-line com um desconhecido e, antes de ir ao jantar, chegou a seguir o pedido dele de não usar roupa íntima. Quando esse segredo é revelado diante de todos, Carlotta morre de vergonha, e o orgulho de Lele também sofre um golpe duro.

A filha de Rocco

Embora Rocco seja o que se mostra mais transparente no jogo, ele também tem as suas preocupações. A filha Sofia, de dezessete anos, liga e insinua que talvez esteja prestes a ter a primeira vez com o namorado. Rocco atende a ligação diante de todos e, como um pai de mente aberta, incentiva a filha a fazer o que ela achar certo. Essa cena se torna um dos momentos mais tocantes do filme.

O colapso da amizade

Uma foto de grupo na tela do celular: os sete que um dia foram inseparáveis

À medida que os segredos são revelados um após o outro, a fachada da amizade e dos casamentos começa a rachar. Brigas, acusações e lágrimas tomam conta da mesa. Cada um ataca as mentiras dos outros, mas defende com unhas e dentes os próprios segredos.

Ao saber da traição do marido, Bianca sai sozinha para a varanda, retoca o batom com calma e depois se despede de Cosimo com serenidade. Antes de ir embora, ela ainda abraça e anima Peppe, porque, de todo o grupo, só a bondosa Bianca sempre aceitou quem ele realmente é.

O casamento de Lele e Carlotta, por sua vez, chega a um beco sem saída, com cada um jogando na cara do outro os seus podres: os dois foram infiéis, mas nenhum consegue perdoar o outro.

Lua cheia: o outro final

Eva, Bianca e Cosimo na reunião

Mas o final do filme traz uma reviravolta surpreendente. A cena muda de repente: o eclipse acabou, e a lua cheia brilha no céu. Os sete saem da casa de Rocco, rindo e se despedindo. Cosimo beija Bianca, Lele abraça Carlotta, e Peppe entra sozinho no carro.

Tudo transcorre como de costume. Nada aconteceu.

O jogo nunca aconteceu. Nessa realidade paralela de “lua cheia”, Eva não fez a proposta, e cada um terminou o jantar em silêncio e voltou para a sua vida levando o seu segredo. As mensagens e ligações nos celulares continuam lá, só que nunca serão expostas.

A fachada da amizade e dos casamentos permanece intacta, mas o espectador já sabe tudo o que existe por trás. Essas relações foram construídas sobre o engano, e as pessoas envolvidas escolhem continuar fingindo.

No fim do filme, cada um fica um instante sozinho no próprio carro. Uns olham a lua pela janela, outros baixam os olhos para o celular. A lua tem um lado claro e um lado escuro, e a natureza humana também. E, na maior parte do tempo, preferimos ver só o lado que brilha.