Nightmare Cinema
Cinco pesadelos, um cinema: cinco desconhecidos entram em um cinema abandonado e a tela exibe os medos mais profundos de cada um
Título
Nightmare Cinema
Ano / Duração
2018 · 119 minutos
Gênero
Terror
Direção
Mick Garris, Alejandro Brugués, Joe Dante, Ryūhei Kitamura, David Slade
Roteiro
Mick Garris / Alejandro Brugués / Richard Christian Matheson / David Slade / Sandra Becerril
Avaliação
Elenco
Mickey Rourke, Richard Chamberlain, Patrick Wilson, Elizabeth Reaser
O cinema Rialto
Em uma rua deserta, há um velho cinema chamado Rialto. Parece abandonado há anos, mas o projetor continua girando e a luz continua piscando na tela. Quem controla tudo isso é um projecionista misterioso: um homem de óculos escuros e rosto cheio de cicatrizes, interpretado por Mickey Rourke.
Cinco desconhecidos sem nenhuma ligação entre si chegam ao cinema em momentos diferentes, atraídos por uma força qualquer. Eles se sentam, a tela se acende e o que passa não é um filme comum, e sim os pesadelos de cada um. Cada história é uma fábula sobre medo, desejo e morte.

Capítulo 1: A coisa na floresta
Samantha e o namorado, Jason, correm desesperados pela floresta. Todos os amigos deles já foram mortos por um gigante de máscara de soldador: o Soldador. Os dois se escondem em uma cabana e tentam resistir a esse assassino que parece impossível de deter.
A abertura parece o roteiro mais clássico dos filmes slasher: floresta, máscara, jovens gritando. Mas no meio do caminho a história dá uma guinada brusca: o Soldador não é o verdadeiro vilão. Na verdade, ele caça humanos possuídos por um parasita alienígena. Quando o crânio de Samantha se abre e revela a criatura que se contorce dentro do cérebro dela, o público finalmente entende: o verdadeiro monstro estava escondido dentro da vítima desde o início.
O Soldador não é um assassino, é um caçador.
Capítulo 2: A clínica Mirari
Anna Hale é uma jovem com uma cicatriz bem visível no rosto. O noivo, David, marca uma consulta para ela em uma clínica de cirurgia plástica de alto padrão chamada “Mirari”, com um médico chamado Leneer. O doutor Leneer examina a cicatriz de Anna e recomenda mais cirurgias: não só para reparar a cicatriz, mas também para “aperfeiçoar” outras partes do corpo. Anna hesita muito, mas acaba aceitando.

Quando acorda depois da cirurgia, porém, Anna percebe que algo está errado. Ela vaga pela clínica e encontra outra paciente: uma mulher que teve o nariz e os olhos cortados. A verdade sobre a clínica é muito mais aterrorizante do que parece: o doutor Leneer não quer embelezar ninguém, ele usa o bisturi para transformar as pessoas em uma “criatura perfeita” que só existe na mente dele.
Anna luta para fugir da clínica, com o rosto envolto em ataduras, tateando o caminho pelos corredores na penumbra. Ela precisa sair dali antes de deixar de saber quem é.
Capítulo 3: Mashit
O padre Benedict dirige um orfanato católico onde, ultimamente, coisas estranhas acontecem: as crianças se comportam de maneira cada vez mais perturbadora, com o olhar vazio e acessos de violência. Uma freira descobre a origem do problema: um demônio chamado Mashit está possuindo as crianças do orfanato, uma após a outra.
A situação foge do controle rapidamente. As crianças possuídas começam a atacar umas às outras, em meio a uma violência sangrenta e caótica. O padre e a freira percebem que já não há tempo para um exorcismo e que precisam enfrentar essas crianças controladas pelo demônio da forma mais primitiva possível: com espadas e facas.
A batalha final na capela é brutal e até absurda: dois adultos empunhando lâminas abrem caminho a sangue no meio de um grupo de crianças possuídas. Esse é o episódio mais sangrento e enlouquecido do filme inteiro, no qual Ryūhei Kitamura leva ao extremo a sua estética de violência característica.

Capítulo 4: Saída por aqui
Helen Chester espera com os dois filhos na sala de espera de uma clínica. O marido acabou de deixá-la, e ela veio buscar ajuda psicológica.
Mas, desde o momento em que ela se senta, o mundo ao redor começa a apodrecer. As paredes da sala de espera vazam manchas, o chão se cobre de mofo e o rosto da recepcionista se deforma. Cada vez que Helen pisca, o ambiente piora um pouco mais: a clínica limpa vira uma ruína imunda, e as pessoas comuns viram criaturas de rosto indefinido.
O episódio inteiro é filmado em preto e branco, e David Slade cria uma sensação sufocante de angústia. A reviravolta mais assustadora acontece quando Helen telefona para o marido: ele nega conhecer qualquer “criança”. Os dois que estão ao lado dela são reais ou são uma alucinação criada pela mente dela à beira do colapso?
No final, Helen leva as crianças pela mão para fora do prédio que desmorona e diz com calma: “Vamos para casa”. Mas o público já não consegue ter certeza de que esse “lar” para onde ela volta existe de verdade.
Capítulo 5: Morte
Riley Everson é um adolescente que perde os dois pais em um tiroteio e que ele mesmo leva vários tiros antes de ser levado ao hospital. Entre a agonia e o despertar, Riley descobre que ganhou uma capacidade terrível: ele consegue ver os espíritos dos mortos.

Pelos corredores do hospital vagam incontáveis almas, algumas indiferentes e outras hostis. Para piorar, o assassino dos pais dele descobre que ele continua vivo e volta ao hospital para silenciá-lo. Riley precisa sobreviver preso entre a ameaça dos vivos e a atração dos mortos.
Na visão final, o espírito da mãe estende a mão para ele e o chama com ternura para a morte, enquanto outra voz grita no ouvido dele para continuar vivendo. Riley precisa escolher: seguir a paz dos mortos ou suportar a dor de continuar vivo.
O final
Depois das cinco histórias, o cinema Rialto volta ao silêncio. O projecionista recolhe o filme, desliga o projetor e espera no escuro o próximo desconhecido que cruzar a porta.
Cada pessoa tem o seu próprio pesadelo, e este cinema guarda sempre uma poltrona para você.
