Microhabitat
Riscar o aluguel da lista de gastos: o percurso completo de Mi-so, que deixa o quarto, se hospeda com antigos amigos, se separa de Han-sol e segue sem moradia fixa
Título
Microhabitat
소공녀
Ano / Duração
2017 · 106 minutos
Gênero
Drama / Comédia / Romance
Direção
Jeon Go-Woon
Roteiro
Jeon Go-Woon
Avaliação
Elenco
Esom (como Mi-so), Ahn Jae-hong (como Han-sol), Kang Jin-ah (como Moon-yeong), Kim Guk-Hee (como Hyeon-jeong), Lee Sung-wook (como Dae-yong), Choi Deok-moon (como Rok-yi), Kim Jae-hwa (como Jeong-mi)
Microhabitat (소공녀) é um drama sul-coreano escrito e dirigido por Jeon Go-Woon. É também a estreia da diretora em longas-metragens, com Esom, Ahn Jae-hong, Kang Jin-ah, Kim Guk-Hee, Lee Sung-wook, Choi Deok-moon e Kim Jae-hwa no elenco. O filme teve sua estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Busan em outubro de 2017, chegou aos cinemas da Coreia do Sul em 22 de março de 2018 e dura 106 minutos.
O filme tem nota 7,4 no IMDb, com 3.624 votos. O Rotten Tomatoes reúne 9 críticas profissionais, com 78% de aprovação e 97% de aprovação do público, embora a amostra de espectadores tenha menos de 50 avaliações. No conjunto, os números são positivos: muitas críticas elogiam a atuação de Esom e o humor e a contenção com que o filme trata a pressão da moradia e as escolhas pessoais.
O pagamento não sobe, mas a lista de gastos sim
Em 2015, Mi-so, uma mulher na casa dos trinta, trabalha como diarista em Seul. Todos os dias ela vai a casas diferentes, por uma diária fixa, e o que ganha mal basta para uma vida mínima. Ela mora num quarto pequeno sem aquecimento e, quando faz frio, se agasalha com mais roupas. O que ela não quer abrir mão é de um maço de cigarros por dia, de um copo de uísque depois do trabalho e do tempo com o namorado, Han-sol.

Com a chegada do ano novo, o preço do cigarro sobe em toda parte e o proprietário também se prepara para aumentar o aluguel. Só o pagamento de Mi-so continua igual. Ela primeiro troca por um cigarro mais barato e depois refaz no caderno a conta de cada gasto, mas o dinheiro continua não bastando. Em vez de cortar o cigarro e o uísque, Mi-so decide riscar da lista o item mais caro: a moradia.

Deixar o quarto e partir com tudo o que tem
Mi-so limpa o quarto que alugava e guarda roupas e objetos de uso diário na mochila e na mala. Ela faz uma lista de cinco antigos amigos da banda que teve na faculdade e se prepara para se hospedar com cada um, um após o outro. Para ela, deixar o aluguel não é um impulso do momento, e sim uma escolha de orçamento bem definida: continuar trabalhando de dia, achar pouso com os amigos à noite e não contrair um aluguel que não pode pagar.

Depois que ela sai, o quarto pequeno fica vazio. Mi-so começa a se deslocar por vários pontos de Seul e assim vê como a vida dos antigos amigos já é bem diferente: uns trabalham sem descanso, outros abandonaram os sonhos do passado, outros carregam dívidas, e há quem ainda não consiga sair da casa dos pais para viver por conta própria.

A correria de Moon-yeong e a vida de casada de Hyeon-jeong
Mi-so procura primeiro Moon-yeong, que vive atolada de trabalho. Sua profissão de muita pressão toma toda a sua vida, e ela não pode acolher Mi-so por muito tempo. Em seguida, Mi-so vai à casa de Hyeon-jeong, antiga tecladista da banda. Hyeon-jeong já se casou e mora com o marido e os sogros. Ela recebe Mi-so de bom grado, mas o marido reclama em particular que uma hóspede inesperada vai incomodar os pais dele, e Mi-so ouve a briga do casal.
Hyeon-jeong ainda enfrenta os afazeres domésticos, dia após dia. Os sogros têm um restaurante há muitos anos, e ela teme que a comida que faz não alcance o padrão deles; também se ressente de que quase todo o serviço da casa caia sobre ela. Mi-so não se mete no conflito do casal e apenas prepara uma refeição para Hyeon-jeong. No dia seguinte, vai embora por conta própria.

O quarto vazio de Dae-yong e o arranjo dos pais de Rok-yi
A parada seguinte é a casa de Dae-yong, antigo baterista da banda. Casado havia apenas oito meses, ele já teve o casamento desfeito, e por isso sobrou um quarto na casa. Mi-so arruma a casa bagunçada e tenta acompanhar Dae-yong, que está desanimado, no dia a dia que ele leva. Han-sol, ao saber que ela está na casa de um amigo homem, fica inquieto. Mi-so não discute com ele, deixa a casa de Dae-yong e passa a noite num restaurante.

Mi-so então procura Rok-yi, o guitarrista. Rok-yi ainda mora com os pais, que a recebem com muito entusiasmo e não param de insinuar que ela poderia se casar com o filho. Esse entusiasmo logo vira a pressão de planejar o futuro dos dois. Mi-so não aceita, e também não transforma a hospedagem num casamento que ela não quer.

A mansão de Jeong-mi e a partida de Han-sol
A última antiga amiga, Jeong-mi, mora numa casa espaçosa e parece ter a vida mais confortável. Ela se lembra de que Mi-so a ajudou quando estava endividada e por isso promete que Mi-so pode ficar o tempo que quiser. Mi-so enfim fica algum tempo sem pagar aluguel e volta a juntar um pouco de dinheiro. Como de costume, ela faz faxina, fuma, toma um copo de uísque e procura não dar trabalho à anfitriã.

Enquanto isso, Han-sol, que mora no alojamento masculino de uma fábrica, admite que se cansou da pobreza. Ele queria ser quadrinista, mas sempre carregou o empréstimo estudantil e, por fim, se candidata a trabalhar dois anos na Arábia Saudita, na esperança de quitar a dívida. Mi-so não quer vê-lo partir, mas nenhum dos dois tem condições de dar moradia ao outro ou de mudar o plano, e só lhes resta aceitar a separação.

Mais tarde, Mi-so conversa com o marido de Jeong-mi sobre o passado e, sem querer, menciona um lado mais desregrado que Jeong-mi tinha antes. Jeong-mi não quer que o marido saiba daquele passado e, irritada, pede que Mi-so vá embora. Mi-so arruma as malas e fica de novo sem lugar onde se abrigar.
Sem encontrar um novo lugar que possa pagar
Mi-so volta a puxar a mala para ver imóveis. Ela olha um quarto de aluguel depois do outro, com condições cada vez piores e preços que ainda assim passam do seu orçamento. Mesmo sem ter onde morar, ela não aceita um contrato que não pode pagar, e também não volta para pedir que os antigos amigos a acolham de novo. Só lhe resta procurar mais uma vez um pouso provisório na cidade.

Com a bagagem nas costas, ela atravessa viadutos, ruas e margens de rio. Han-sol já partiu, e os antigos amigos voltaram cada um para o seu trabalho, casamento, dívida e família. Mi-so continua fazendo faxina, trocando trabalho pelo dinheiro do dia, mas já não tem endereço fixo.

O final
Algum tempo depois, alguns membros da antiga banda se reencontram num funeral. Mi-so não aparece, e eles falam dela só de passagem, sem que nenhum saiba onde ela mora agora.

No fim do filme, aparece uma mulher de cabelo já grisalho, com bagagem nas costas. A câmera não confirma de frente quem ela é e logo corta para uma pequena barraca vermelha à beira da estrada. Há luz acesa dentro da barraca, e os carros passam ao lado. A imagem só indica que alguém ainda vive num abrigo provisório, sem esclarecer se Han-sol voltou ao país nem se Mi-so conseguiu alugar uma casa de novo.
