Montanha da liberdade
Um conjunto de cartas fora de ordem reorganiza uma espera vivida em Seul: uma apresentação detalhada da busca de Mori por Kwon, de seu encontro com Young-sun e dos dois finais deixados pelas cartas em Montanha da liberdade
Título
Montanha da liberdade
자유의 언덕
Ano / Duração
2014 · 66 minutos
Gênero
Drama
Direção
Hong Sang-soo
Roteiro
Hong Sang-soo
Avaliação
Elenco
Ryô Kase (como Mori), Moon So-ri (como Young-sun), Seo Young-hwa (como Kwon), Kim Eui-sung (como Sang-won), Youn Yuh-jung (como a dona da pensão), Gi Ju-bong (como Byung-joo)
Prêmios
Prêmio da Associação Coreana de Críticos de Cinema, 34ª edição: Melhor Filme; Festival dos Três Continentes de Nantes, 36ª edição: Melhor Filme
Montanha da liberdade (자유의 언덕; título em inglês: Hill of Freedom) é um drama sul-coreano de 2014 escrito e dirigido por Hong Sang-soo, com Ryô Kase, Moon So-ri, Seo Young-hwa, Kim Eui-sung e Youn Yuh-jung, entre outros, no elenco. O filme estreou em setembro de 2014 na seção Horizontes do 71º Festival Internacional de Cinema de Veneza, chegou aos cinemas sul-coreanos em 4 de setembro do mesmo ano e tem cerca de 66 minutos de duração.
Em 30 de outubro de 2026, o filme tinha nota 6,9 no IMDb, com 1.632 avaliações; no Rotten Tomatoes, registrava 86% de aprovação da crítica especializada, com 21 resenhas, e 59% de aprovação do público no Popcornmeter. A recepção da crítica especializada é, em geral, positiva, enquanto as opiniões do público são mais divididas.
Kwon recebe um conjunto de cartas fora de ordem
Kwon vai se recuperar de um problema de saúde nas montanhas e, depois de melhorar, retorna à escola de idiomas de Seul onde trabalhava. Na recepção, entregam a ela um envelope grosso com as cartas de Mori. Kwon lê a primeira no saguão e, quando desce a escada em seguida, sente uma tontura repentina; as folhas restantes se espalham pelos degraus. Ela as recolhe, mas não restabelece a ordem original, além de deixar uma folha para trás na escada. A partir daí, continua lendo as cartas na sequência em que ficaram em suas mãos, e o filme apresenta, nessa mesma ordem, os fragmentos desencontrados contidos nelas.

Mori é um japonês que já trabalhou como professor na escola de idiomas de Seul. Ele conheceu Kwon ali dois anos antes e a pediu em casamento, mas ela recusou e ele voltou imediatamente ao Japão. Após ficar desempregado, viaja novamente a Seul na esperança de encontrá-la e recomeçar. Nas cartas, explica que precisava fazer a viagem mesmo que não conseguisse vê-la ou que ela não o aceitasse.
Mori se hospeda em uma pensão em Bukchon, perto da antiga casa de Kwon, vai várias vezes até a porta dela e deixa um bilhete com o endereço da pensão. Também procura informações na escola de idiomas, onde apenas lhe dizem que Kwon talvez volte em setembro. Mori continua indo diariamente à antiga casa dela, mas ninguém mexe no bilhete deixado na porta, e ele começa a suspeitar que Kwon tenha se mudado.

A dona da pensão, Sang-won e Nam-hee
A dona da pensão recebe Mori calorosamente e demonstra curiosidade sobre o motivo de sua viagem à Coreia. Mori conta que procura uma coreana que admirava e com quem queria se casar; também menciona que, no passado, entrou em conflito com colegas desonestos da escola de idiomas, mas não quer julgar todos os coreanos por causa disso. A dona o lembra de que o café da manhã só é servido até as dez, mas oferece café e melancia a ele e conversa sobre as coisas capazes de trazer consolo às pessoas.

Sang-won, sobrinho da dona, está hospedado temporariamente na pensão sem pagar e ainda acumula muitas dívidas. No início, Mori não entende por que Sang-won pode comer depois do horário do café da manhã, até descobrir o parentesco entre os dois. Sang-won se oferece para beber e passear com Mori e pergunta repetidamente por que Kwon é tão importante para ele. Mori diz que Kwon é uma pessoa melhor do que ele, deseja poucas coisas e é muito gentil; mesmo que não consiga encontrá-la, ainda espera que ela esteja bem.
Uma jovem chamada Nam-hee também está hospedada na pensão. Sang-won tenta puxar conversa com ela de forma inconveniente e, quando é rejeitado, fica furioso e a insulta; Nam-hee volta chorando para o quarto e, mais tarde, o pai vai buscá-la. Mori não participa das acusações de Sang-won, apenas presencia o conflito entre os dois e a partida de Nam-hee.

O café Montanha da liberdade e a cachorrinha perdida
Mori costuma ler e escrever cartas em um café próximo chamado Montanha da liberdade. A dona, Young-sun, percebe que ele está sempre lendo um livro intitulado O tempo e pergunta sobre seu conteúdo. Mori explica que o cérebro humano costuma organizar passado, presente e futuro em uma sequência contínua, mas que a vida não precisa necessariamente ser compreendida apenas dentro dessa estrutura. Young-sun se interessa pelo livro, e os dois se tornam cada vez mais próximos.

Young-sun tem uma cachorrinha branca chamada Gumi. A cachorrinha foge enquanto ela limpa o café, mas Mori e Sang-won a encontram nas ruas estreitas e a levam de volta. Muito agradecida, Young-sun convida Mori várias vezes para jantar como forma de retribuição. O filme apresenta separadamente os trechos do agradecimento, da busca e da conversa inicial sobre a cachorrinha, por isso as cenas vistas pelo público não seguem a verdadeira ordem dos acontecimentos.

Sang-won apresenta Mori às pessoas do bairro
Sang-won leva Mori a Itaewon para beber com conhecidos que administram um restaurante. O grupo conversa sobre a vida em diferentes países, o casamento e a mulher que Mori está procurando. Ao ver um deles administrar o estabelecimento ao lado da esposa, Mori sente inveja por eles poderem ficar juntos; não esconde o propósito de sua viagem e admite que esperar por Kwon também não é fácil.

Durante suas idas e vindas por Bukchon, Mori também encontra outras pessoas que moram nas proximidades ou administram estabelecimentos comerciais. Ele só consegue se comunicar em inglês com a maioria delas, e às vezes surgem mal-entendidos por causa das palavras e do tom. Enquanto espera por Kwon, passa os dias entre o café, a pensão e as ruas estreitas, dormindo por períodos cada vez mais longos. Esses encontros não formam uma trama independente, mas registram as pessoas que ele conhece e os lugares por onde passa repetidamente durante a espera.

Mori e Young-sun ultrapassam os limites da amizade
Quando convida Mori para jantar, Young-sun fala sobre o namorado. Ela diz que os dois se conhecem há muitos anos, mas que ele já levou outra mulher ao café para passar a noite. Mori a aconselha a terminar o relacionamento, enquanto Young-sun explica que o namorado depende muito dela e não vai desistir facilmente. Mais tarde, Mori admite em uma carta que foi a Seul por causa de Kwon, mas está cada vez mais dependente da companhia de Young-sun.

Young-sun deixa um bilhete para Mori, pedindo que ele vá sozinho ao café depois das dez e meia da noite, e deixa claro que ele deve aparecer caso não a considere apenas uma amiga. Quando se encontram, os dois fazem sexo e passam a se tratar como namorados. Em seguida, Mori escreve que acabará voltando ao Japão enquanto Young-sun permanecerá em Seul e que não sabe como lidar com esse relacionamento.
Mais tarde, o namorado de Young-sun entra em conflito com Mori. O filme não mostra tudo o que aconteceu em uma cena contínua, mas menciona, em diálogos apresentados fora de ordem, que Mori brigou com alguém e ajudou Young-sun a se livrar daquele homem. Mori e Young-sun continuam se encontrando; ele escreve em uma carta que pretende contar a Kwon tudo o que aconteceu e não quer continuar magoando Young-sun.

O final
Ao ler as cartas, Kwon percebe que o carimbo postal é de uma semana antes. Ela volta ao café Montanha da liberdade, onde Young-sun reconhece a mulher que acaba de retornar das montanhas e pergunta se ela já se recuperou. No trecho de uma carta apresentado em seguida, Kwon finalmente chega à pensão para ver Mori; segundo o relato dele, Kwon já está curada, os dois voltam juntos ao Japão no dia seguinte e, mais tarde, têm uma filha e um filho.

O filme não confirma esse relato como o único desfecho possível. Logo depois, as imagens passam para uma manhã em que Mori acorda sozinho no café: Young-sun pergunta se ele dormiu ali na noite anterior; Mori admite que bebeu demais e vai embora depois de fumar. Essa manhã pode ser apenas um fragmento fora de ordem anterior ao reencontro ou parte da folha perdida que Kwon não chega a ler, sem negar que os dois tenham se reencontrado; também pode indicar que o relato anterior, no qual Kwon encontra Mori, ambos voltam ao Japão e têm filhos, é apenas um sonho de Mori. O filme não decide qual dessas interpretações é a correta.
