Histórias de Além-Túmulo
Três casos antigos sem explicação levam um cético de volta a uma infância enterrada: o roteiro completo das três investigações sobrenaturais de Histórias de Além-Túmulo, do passado no bueiro e da verdade no hospital
Título
Histórias de Além-Túmulo
Ghost Stories
Também conhecido como: Ghost Stories - Noites de Terror (Portugal)
Ano / Duração
2017 · 98 minutos
Gênero
Drama / Terror / Mistério
Direção
Jeremy Dyson, Andy Nyman
Roteiro
Jeremy Dyson, Andy Nyman
Avaliação
Elenco
Andy Nyman (como Philip Goodman), Paul Whitehouse (como Tony Matthews), Alex Lawther (como Simon Rifkind), Martin Freeman (como Mike Priddle)
Obra original
A peça de teatro homônima criada por Jeremy Dyson e Andy Nyman
Histórias de Além-Túmulo é um filme britânico de terror em formato de antologia, escrito e dirigido por Jeremy Dyson e Andy Nyman, a partir da peça de teatro homônima que os dois criaram. Andy Nyman interpreta Philip Goodman, que investiga fraudes disfarçadas de fenômenos sobrenaturais, e Paul Whitehouse, Alex Lawther e Martin Freeman vivem os protagonistas de três casos antigos. O filme estreou no Festival de Cinema de Londres em outubro de 2017, chegou aos cinemas britânicos em abril de 2018 e tem 98 minutos de duração.
Até 29 de agosto de 2026, o filme tem nota 6,4 no IMDb, com 40.392 avaliações. No Rotten Tomatoes, 85% das 131 críticas profissionais são positivas, e o índice de audiência é de 59%, com mais de 2.500 avaliações. A crítica profissional é em geral favorável, enquanto a reação do público é mais dividida. A seguir, a história de Goodman é recontada na ordem em que o filme a apresenta: a investigação dos três arquivos, a perda de controle gradual de suas lembranças e a verdade sobre o quarto de hospital que surge no final.
O médium desmascarado e os três casos antigos
Em 1979, o jovem Philip Goodman presencia a ruptura da família por volta do seu bar mitzvá. Quando o pai descobre que a filha, Esther, namora um homem asiático, expulsa a moça de casa. Já adulto, Goodman acredita que a superstição e a autoridade do pai destruíram aquela família, e por isso faz de sua vida desmascarar fraudes que manipulam pessoas com supostos poderes sobrenaturais.
Goodman se torna professor e apresentador de TV. No início do filme, ele desmonta diante da plateia o show ao vivo do famoso médium Mark Van Rhys e prova que a suposta capacidade de falar com os mortos é um golpe. Seu modelo profissional é Charles Cameron, um investigador do paranormal dos anos setenta. Cameron desapareceu há muitos anos, mas uma fita enviada a Goodman prova que ele continua vivo.

Goodman segue o endereço até um parque de trailers decadente à beira-mar. Cameron, idoso e doente, mora em um deles. Ele admite que foi arrogante demais no passado e entrega a Goodman três arquivos que nunca conseguiu explicar de forma racional, pedindo que o sucessor os investigue pessoalmente. Goodman vai embora ainda convencido de que todo suposto fenômeno sobrenatural tem uma causa que pode ser encontrada na psicologia e nas experiências de quem o vive.

O turno da noite no sanatório abandonado
O primeiro relato é de Tony Matthews, que trabalhou como vigia noturno em um hospital psiquiátrico feminino desativado. A esposa dele morreu de câncer, e a filha, Marnie, sofre de síndrome do encarceramento. Tony carrega a culpa de ter parado de visitá-la. Ele conta a Goodman que, naquela noite, fazia a ronda sozinho na portaria e, de repente, o prédio inteiro ficou sem energia.

Tony entra com uma lanterna no prédio vazio para inspecioná-lo e percebe, pelo caminho, movimentos estranhos o tempo todo. Ao chegar ao fundo do edifício, uma menina de vestido amarelo aparece diante dele, se joga em seus braços e o abraça, confundindo-o com o pai. Tony sai vivo, mas nunca mais consegue tratar aquela noite como uma simples alucinação. Mais tarde, Goodman visita o padre de Tony, que comenta que, depois disso, Tony voltou ao hospital para ver a filha e que ela reagiu com uma alteração nos batimentos cardíacos ao ouvir a voz do pai.

Goodman continua atribuindo a experiência de Tony à pressão psicológica causada pela morte da esposa, pelo afastamento da filha e por anos de solidão, mas esse arquivo também o leva a visitar o próprio pai, acamado.
A saída noturna de Simon sem habilitação
O segundo relato é de Simon Rifkind, ainda estudante. Quando chega à casa dos Rifkind, Goodman encontra os pais de Simon em pé na cozinha, com expressões rígidas, enquanto o quarto de Simon está coberto de desenhos de demônios e temas ocultistas. Nervoso, Simon conta sobre a noite em que saiu com o carro dos pais sem ter carteira de motorista.

Em uma estrada rural escura, Simon recebe uma ligação atrás da outra dos pais e, distraído, atropela uma criatura que não consegue identificar. Ele desce para olhar, foge em pânico, e logo depois o carro perde a força perto de um bosque. Enquanto espera o socorro na estrada, algo rodeia o veículo por fora e o impede de sair. Simon acaba correndo para o bosque, onde é agarrado por uma criatura em forma de árvore.

Goodman atribui o medo de Simon à pressão familiar, à culpa por ter pegado o carro escondido e à obsessão pelo ocultismo, mas, ao deixar o local, ele mesmo vê por um instante uma figura estranha no reflexo da janela do carro. Os três arquivos começam a afetar o modo como ele interpreta o que o cerca.
Os fenômenos na casa de Priddle
O terceiro relato é de Mike Priddle, um homem rico que trabalha no setor financeiro. Quando Goodman se encontra com ele em um descampado, Priddle pega uma espingarda no depósito de caça e, enquanto caminham, conta o que aconteceu em sua casa nos dias em que a esposa, Maria, estava internada à espera do parto.

Priddle espera notícias sozinho em sua casa moderna, e as luzes, os objetos e o quarto do bebê vão apresentando anomalias, uma após a outra. A coberta do berço se avoluma em forma humana, e a figura assustadora que aparece em seguida sugere que a verdadeira Maria já está morta. Pouco depois, o hospital liga para avisar que Maria morreu no parto. Priddle, por sua vez, descreve o recém-nascido como um monstro sem nada de humano.

Quando termina o relato, Priddle aponta a espingarda para si mesmo, sem aviso, e atira. Goodman o vê morrer com os próprios olhos e já não consegue reduzir o terceiro caso ao relato subjetivo de quem o viveu.
Cameron tira a máscara
Goodman volta ao trailer à beira-mar e exige que Cameron diga se armou uma farsa com os três arquivos. Cameron, porém, arranca a própria máscara, revela o rosto de Priddle e afirma que o cérebro humano só vê o que quer ver. Logo se abrem fendas nas paredes e nas cortinas do trailer, e os cenários da realidade começam a se atravessar uns aos outros.

Priddle leva Goodman através da fenda, e o ambiente se transforma em um bosque da infância dele. A figura encapuzada que aparecia repetidamente nas fotos da casa de Simon, no descampado e nos outros cenários da investigação encontra aqui sua origem concreta.
A lembrança de infância no bueiro
Quando criança, Goodman encontra nesse bosque dois garotos que o perseguem. Quando Desmond Callahan, um menino com deficiência intelectual, passa por ali, os dois mudam de alvo e prometem que ele poderá se juntar a eles se entrar no bueiro e encontrar na parede um número determinado. O pequeno Goodman fica de lado e não os impede.

Desmond tem medo do escuro e também não está com o remédio para asma. Dentro do bueiro, ele não encontra o número que procura e morre ali, depois de uma crise de pânico. Os dois agressores fogem, e Goodman também não pede ajuda. Já adulto, ele sempre reprimiu a lembrança de ter presenciado essa morte sem socorrer ninguém.

A figura apodrecida de Desmond emerge do berço, abre a roupa de Goodman com um puxão e deixa à mostra a camisola de hospital que ele veste por baixo. O cenário se transforma, então, no corredor de um hospital. Goodman é forçado a deitar em uma maca, a figura se deita sobre ele e enfia os dedos em sua boca. As camas, as crianças, os números e os personagens dos três casos convergem, assim, para um mesmo pesadelo que se repete sem parar.
O final

O filme revela no final que Goodman está o tempo todo deitado em um hospital do mundo real. Depois de uma tentativa de suicídio dentro do carro, o corpo dele deixou de responder, mas a consciência continua. O Priddle e o Simon do sonho correspondem aos dois médicos do quarto, e Tony, ao faxineiro. A consciência de Goodman recompõe a equipe, os aparelhos e os objetos do quarto para formar os três arquivos sobrenaturais e a lembrança da infância.

Os médicos diagnosticam em Goodman um estado vegetativo persistente, sem nenhuma consciência, presumem que ele não vai se recuperar e, por isso, não podem saber o que ele sente. Quando os dois saem, o faxineiro continua conversando com Goodman como se ele estivesse acordado e ajusta um espelho para que ele veja outra paisagem do outro lado da janela. Goodman não consegue responder, e o filme termina nessa vida de hospital que ninguém de fora conhece e que ele, mesmo assim, continua vivendo de forma consciente.