127 Horas
Um alpinista solitário, preso por uma rocha em um cânion deserto, amputa o próprio braço depois de cinco dias para se salvar: a história completa de 127 Horas, do acidente no Blue John Canyon e da luta com a água racionada até o resgate e a volta às montanhas
Título
127 Horas
127 Hours
Ano / Duração
2010 · 94 minutos
Gênero
Drama / Biografia / Aventura
Direção
Danny Boyle
Roteiro
Danny Boyle, Simon Beaufoy
Avaliação
Elenco
James Franco (como Aron Ralston), Kate Mara (como Kristi), Amber Tamblyn (como Megan), Clémence Poésy (como Rana), Lizzy Caplan (como Sonja)
Obra original
Between a Rock and a Hard Place, memórias de Aron Ralston
127 Horas é um filme biográfico de aventura anglo-americano de 2010, dirigido por Danny Boyle, que também assina o roteiro com Simon Beaufoy. A história é baseada nas memórias do alpinista Aron Ralston, Between a Rock and a Hard Place. James Franco interpreta Aron, enquanto Kate Mara, Amber Tamblyn, Clémence Poésy e Lizzy Caplan vivem pessoas que ele encontra durante a viagem ou de quem se lembra. O filme tem 94 minutos e acompanha Aron, que em 2003 fica preso depois de entrar sozinho no Blue John Canyon, em Utah.
Em 29 de setembro de 2026, o filme tem nota 7,5 no IMDb, com 428.399 avaliações. No Rotten Tomatoes, 93% das 237 críticas profissionais reunidas são positivas, e o índice de aprovação do público é de 85%, com mais de 50.000 avaliações. Juntos, esses números mostram que o filme mantém uma recepção estável e positiva.
Uma jornada solitária sem aviso
No fim de abril de 2003, Aron arruma seu equipamento de escalada e dirige à noite até a região dos cânions de Utah. Ele estaciona o carro na trilha, no meio do deserto, e descansa ali até o amanhecer. No dia seguinte, pedala sua bicicleta de montanha depressa por um terreno de rocha nua, deixa a bicicleta à beira do caminho e segue a pé, sozinho, rumo ao Blue John Canyon. Antes de sair, ele não diz a família nem amigos aonde vai e não deixa um horário previsto de volta.


Aron conhece bem as atividades ao ar livre, costuma agir sozinho e acredita que consegue lidar com imprevistos no caminho. Ele leva uma câmera, cordas, pouca comida e pouca água, além de uma ferramenta dobrável de recursos limitados, mas não leva equipamento suficiente para enfrentar um acidente grave.
Uma companhia breve no cânion
No caminho, Aron encontra Kristi e Megan, que procuram a trilha. Em vez de levá-las direto de volta, ele as conduz por uma fenda estreita até uma piscina escondida sob as camadas de rocha. Os três pulam na água pela abertura e registram com a câmera esse passeio improvisado. Antes de se despedirem, as duas convidam Aron para uma festa na noite seguinte. Ele diz que vai, se tiver chance, e se separa delas.



Esse encontro é a última conversa de Aron com outras pessoas antes de ficar preso. Kristi e Megan só sabem que ele vai continuar explorando, mas não conhecem o roteiro dele. A família de Aron também só vê que ele, mais uma vez, não atendeu o telefone.
A rocha prende o braço direito
Aron segue mais fundo no Blue John Canyon e desce por uma garganta estreita, apoiando-se em grandes pedras. Uma rocha de cerca de 360 quilos se solta de repente, e Aron cai junto com ela. A pedra para entre as duas paredes e prende com firmeza o antebraço direito dele. Ele empurra a rocha com o corpo e grita por socorro, mas a pedra não se move, e ninguém responde no cânion.


Aron logo percebe que não consegue puxar o braço e que não pode esperar que alguém o procure seguindo um roteiro. Ele confere a água, a comida, as cordas, a câmera e a ferramenta dobrável, anota a hora do acidente e começa a pensar em como apoiar o corpo no espaço apertado, poupar energia e se livrar da rocha.
Cinco dias de tentativas de sobreviver
Aron bate na rocha com a ferramenta dobrável, aos poucos, mas a superfície dura quase não muda. Ele também monta uma roldana com a corda de escalada para tentar levantar a pedra e, depois, faz com a corda um apoio, para não ter de sustentar todo o peso do corpo só com as pernas. Certa vez a ferramenta cai das mãos dele, e ele precisa alcançá-la de novo com o pé e um galho fino, e depois a prende com a corda para não perder de vez o único instrumento de corte.

Ele liga a câmera para registrar a situação a cada dia e usa a lente também como despedida para a família. Durante o dia, só uma luz curta do sol chega a ele, no alto do cânion. À noite, a temperatura cai, e ele se encolhe entre as paredes de rocha para se aquecer. Ele divide a pouca água e comida que restam em porções pequenas, mas a água acaba aos poucos, e no fim ele só consegue beber a própria urina.

Aron tenta cortar o braço com a faca, mas a lâmina está cega e não consegue cortar o osso. Bater na pedra, puxar a corda e fazer cortes superficiais não resolvem a situação, e a força e o discernimento dele continuam a cair com a desidratação e a falta de sono.

Lembranças, alucinações e despedidas
Depois de muito tempo sozinho, Aron pensa sem parar nos pais, na irmã Sonja e na ex-namorada Rana. Ele se lembra de como recusou chamadas, uma após a outra, e fugiu de compromissos, e percebe que não deixar o roteiro não foi um descuido casual, mas o resultado de anos tratando a independência como isolamento dos outros. A realidade, as lembranças e as alucinações se misturam, e ele imagina que vai à festa de Kristi e Megan e que revê a família.


Aron continua falando para a câmera, pede desculpas aos parentes e grava na parede de rocha o próprio nome, o ano de nascimento e o ano de morte que ele prevê. Em certo momento, acha que não vai sair do cânion, mas então vê a alucinação de um menino e entende essa criança como seu futuro filho. A imagem o faz acreditar de novo que pode ter uma vida fora do cânion.

A fuga depois de quebrar o braço
No sexto dia, Aron enfim encontra o passo que faltava nas tentativas anteriores: a faca não consegue serrar o osso diretamente, mas ele pode usar a alavanca entre o corpo e a rocha para quebrar primeiro o osso do antebraço. Ele improvisa um torniquete, quebra os ossos um a um e corta o tecido restante com a ferramenta dobrável. Depois de um processo longo e violento, ele deixa o braço direito sob a rocha e se liberta da fenda que o prendeu por cerca de 127 horas.
Aron enfaixa o ferimento, tira uma foto da rocha e segue para fora do cânion com o equipamento que lhe resta. Ele encontra um ponto de fixação, lança a corda por uma parede de uns 20 metros de altura e faz a descida com uma só mão. A essa altura, está gravemente desidratado e perdeu muito sangue, mas ainda precisa sair do cânion para encontrar outras pessoas.

O final
Depois da descida, Aron bebe a água acumulada entre as rochas e continua a pé em direção a um caminho com movimento de pessoas. Por fim, vê uma família de três e grita para que parem. Eles lhe dão água e se separam para buscar ajuda. Um helicóptero de resgate chega em seguida e leva Aron, já perto do estado de choque, para o hospital. A ordem do resgate no filme é clara: Aron primeiro se liberta sozinho, e depois turistas que encontra no caminho chamam o socorro.
O filme termina deixando de lado o resgate e mostrando a vida de Aron depois. Ele usa uma prótese, continua a escalar e a praticar atividades ao ar livre, e vive com a esposa e o filho. Depois do acidente, ele não abandona as jornadas solitárias, mas, a cada saída, avisa a família do destino e do horário previsto de volta.
