Oshin
Uma menina de sete anos deixa a família duas vezes para trabalhar como criada sob contrato anual: um relato completo da infância de Oshin Tanimura em Oshin, desde a pobre propriedade rural da família no alto curso do rio Mogami, passando pela acusação na madeireira, pelo resgate na montanha coberta de neve e pela vida na Kagaya, até retomar seu caminho com a moeda de prata deixada pela avó.
Título
Oshin
おしん
Ano / Duração
2013 · 109 minutos
Gênero
Drama
Direção
Shin Togashi
Roteiro
Kôta Yamada
Avaliação
Elenco
Kokone Hamada, Aya Ueto, Kayoko Kishimoto, Manami Igashira, Ayako Kobayashi, Shinnosuke Mitsushima, Gorô Inagaki, Pinko Izumi
Obra original
Oshin, de Sugako Hashida
Prêmios
22º Festival de Cinema do Galo de Ouro e das Cem Flores: Melhor Filme da Seção Internacional; 27º Festival Internacional de Cinema Infantil de Isfahan: Borboleta de Ouro de Melhor Interpretação e Borboleta de Ouro de Melhor Longa-metragem Asiático
Oshin é um longa-metragem japonês de drama dirigido por Shin Togashi e escrito por Kôta Yamada, adaptado da obra homônima de Sugako Hashida. Kokone Hamada interpreta Oshin na infância; Aya Ueto e Gorô Inagaki vivem seus pais, Fuji e Sakuzo, enquanto Kayoko Kishimoto, Shinnosuke Mitsushima, Manami Igashira e Pinko Izumi, entre outros, interpretam as pessoas que ela conhece durante seus dois períodos de serviço. O filme estreia no Japão em 12 de outubro de 2013 e tem 109 minutos de duração.
Em 24 de outubro de 2026, o filme tem nota 7,2 no IMDb, com 874 votos. A história se limita à infância de Oshin e não avança para sua vida adulta, seus negócios ou sua velhice, fases retratadas na série de televisão de 1983.
Uma menina de sete anos aceita trabalhar sob contrato
No início da primavera de 1907, a neve ainda cobre o alto curso do rio Mogami, na província de Yamagata. A família Tanimura vive do cultivo de terras arrendadas, e as sucessivas safras ruins fazem com que até conseguir comida seja um problema. Sakuzo, o pai, decide reduzir o número de pessoas em casa e manda Oshin, de sete anos, trabalhar por um ano em uma madeireira rio abaixo, em troca de um saco de arroz. Oshin não quer deixar a mãe, Fuji, a avó e os irmãos, e Fuji também não suporta a ideia de ver a filha partir.

Fuji está grávida. Para manter Oshin em casa, ela entra nas águas geladas do rio na tentativa de perder o bebê, mas Oshin a encontra e chama alguém para salvar a mãe. Ao ver que Fuji arrisca a vida por ela, Oshin deixa de resistir ao serviço. Fuji adapta para a filha as roupas que usou ao se casar, e a avó costura sua única moeda de prata de 50 sen dentro de uma bolsinha de amuleto, para que sirva de apoio à menina longe de casa.
Sakuzo e Fuji levam Oshin até a margem do rio Mogami. Ela sobe em uma jangada que segue rio abaixo e se afasta da família em meio ao vento e à neve, rumo à madeireira Nakagawa.

O trabalho e a acusação na madeireira Nakagawa
Ao chegar, Oshin fica sob a supervisão de Tsune, a chefe das criadas. Todos os dias, ela acorda bem cedo, busca água, acende o fogo, cozinha, limpa e lava a roupa, além de cuidar do bebê da casa durante o dia. Tsune corrige constantemente a maneira como ela faz as tarefas e só permite que coma as sobras; Oshin se lembra de que poderá voltar para casa ao fim de um ano e continua cumprindo o trabalho que lhe é dado.

Mais tarde, uma moeda de prata de 50 sen desaparece da bolsa de dinheiro da loja. Tsune encontra uma moeda do mesmo valor na bolsinha de amuleto de Oshin e conclui que ela roubou o dinheiro. Oshin explica que recebeu a moeda da avó, mas não consegue fazer com que acreditem nela. Depois que lhe tomam a moeda, ela já não quer permanecer em um lugar onde é tratada como ladra e deixa a madeireira sozinha, em meio a uma nevasca.

O resgate na montanha coberta de neve e os ensinamentos de Shunsaku
Oshin tenta atravessar a montanha para voltar para casa, mas a neve logo esgota suas forças. Ela cai no chão e é encontrada por Shunsaku, um jovem caçador que vive na montanha e a leva para sua cabana. Matsuzo, o velho carvoeiro que mora com Shunsaku, a princípio teme que acolher uma criança desconhecida traga problemas, mas acaba permitindo que ela fique ali enquanto se recupera.

Shunsaku participou da Guerra Russo-Japonesa, mas depois deixou o Exército e se escondeu na montanha. Como o inverno bloqueia as estradas e Oshin não pode voltar para casa por enquanto, ela passa a viver com Shunsaku e Matsuzo. Shunsaku a ensina a ler, escrever, fazer contas e tocar gaita, além de fazê-la entender que a guerra tira a vida de pessoas comuns. Na madeireira, Oshin só trabalha e obedece a ordens; na montanha, pela primeira vez, ela tem tempo regular para estudar.

Shunsaku é morto, e Oshin volta para a família Tanimura
Quando a neve começa a derreter, Shunsaku e Matsuzo concluem que Oshin precisa voltar para a família. Shunsaku lhe entrega sua gaita e a acompanha pessoalmente na descida da montanha. No caminho, um grupo de policiais militares descobre a identidade de Shunsaku. Oshin assiste enquanto ele é morto a tiros e só pode seguir o restante do caminho para casa levando a gaita.

Fuji e a avó se alegram porque Oshin continua viva depois de meses desaparecida, mas Sakuzo fica furioso porque a madeireira tomou de volta o pagamento e os mantimentos e porque ele perdeu o respeito da aldeia. Ele também não aceita que a filha tenha vivido com um desertor. O retorno de Oshin não muda as dificuldades da família Tanimura, que se prepara para entregar sua irmã mais nova a um casal sem filhos. Oshin não quer que a irmã vá embora em seu lugar, por isso se oferece para sair novamente e trabalhar.

O segundo período de serviço na Kagaya
No inverno de 1908, Oshin chega à Kagaya, uma loja de arroz em Sakata. A mensagem sobre a colocação não explica bem a situação, e o proprietário, Seitaro, e sua esposa, Mino, não pretendiam aceitá-la. Kuni Yashiro, a matriarca da Kagaya, interroga Oshin pessoalmente e, ao perceber que ela sabe trabalhar e está disposta a assumir tarefas pesadas, decide lhe dar uma oportunidade.

Oshin realiza uma a uma as tarefas domésticas que aprendeu na madeireira e logo conquista o reconhecimento dos funcionários e de Kuni Yashiro.
Kayo, a gaita e o conflito por um livro emprestado
Kayo, filha de Seitaro, tem quase a mesma idade que Oshin, mas é a futura herdeira da Kagaya. Enquanto cuida do bebê, Oshin vê um livro no quarto de Kayo e não resiste a pegá-lo para ler. Quando o livro desaparece, ela é novamente acusada de ser ladra. Kuni Yashiro entrega o livro a Oshin e pede que leia diante de Seitaro, Mino e Kayo; Oshin lê as páginas com fluência e prova que só queria ler. Ao descobrir que Shunsaku a ensinou, Kuni Yashiro manda Kayo emprestar o livro a Oshin.
Depois disso, Kayo quer a gaita deixada por Shunsaku. Oshin se recusa a entregá-la, então Kayo golpeia a gaita contra o chão, e as duas entram em conflito ao disputá-la. Kayo cai e se machuca. Seitaro e Mino decidem transferir Oshin para outro lugar, e Kuni Yashiro já encontra um novo local de serviço para ela. Ao saber disso, Kayo admite que foi ela quem primeiro exigiu a gaita e implora à família que permita que Oshin fique.

Depois dessa briga, Oshin e Kayo aos poucos se tornam amigas, e a situação de Oshin na Kagaya também se estabiliza.

O reencontro com a mãe nas ruas de Sakata
Durante o Ano-Novo, Oshin sai com a família da Kagaya e vê por acaso Fuji usando roupas chamativas e acompanhada de vários homens que beberam. Fuji deixou a casa dos Tanimura para trabalhar em uma hospedaria de águas termais; desta vez, ela acompanha clientes até Sakata e também quer conhecer o lugar onde a filha trabalha. Oshin não entende por que a mãe precisa fazer esse tipo de trabalho, e Fuji explica que ainda sustenta a família com o próprio esforço.

Kuni Yashiro explica a Oshin que Fuji não trabalha fora por si mesma, mas pelo marido e pelos filhos. Oshin não volta com a mãe e continua trabalhando na Kagaya. Ela também começa a entender que a entrada de Fuji no rio gelado, a decisão de mandá-la para trabalhar e a posterior partida da mãe em busca de emprego têm a mesma origem: a pobreza da qual a família Tanimura não consegue escapar.
O final
Quando as ameixeiras florescem em março, a família Tanimura manda avisar que a saúde da avó piorou. Oshin teme que sua partida prejudique o compromisso de serviço e, a princípio, se recusa a voltar, mas Kuni Yashiro, Mino e Kayo insistem para que ela parta imediatamente. Quando chega em casa, Oshin usa o arroz que ganhou trabalhando na Kagaya para preparar um mingau para a avó. Depois de prová-lo, a avó diz que está delicioso e morre ao lado de Oshin pouco depois.
Mais tarde, a madeireira Nakagawa confirma que Oshin não roubou o dinheiro e devolve à família Tanimura a moeda de prata de 50 sen que havia confiscado. Antes de morrer, a avó a confia a Fuji, para que a entregue a Oshin quando ela voltar. Fuji põe a moeda novamente nas mãos da filha e a abraça, e Oshin sabe que sua inocência enfim foi provada.

Oshin abraça Fuji e depois deixa mais uma vez a casa dos Tanimura. Ela não fica em casa por causa da morte da avó nem encerra o serviço combinado com a Kagaya; em vez disso, levando a moeda que retorna às suas mãos por intermédio da avó, percorre sozinha o caminho de volta a Sakata, ainda coberto por restos de neve. O filme termina nesse ponto, sempre restrito à infância de Oshin.
